quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Não é normal um policial morrer no exercício de sua profissão

"Princípio do objetivo era combater as grandes mortes de policiais"

Alcy Maihoni*, graduando Jornalismo
maihoni.alcy@gmail.com

As esposas, mães e demais familiares de policiais militares, vamos relembrar  aqui que no início de 2017, tomaram a iniciativa de ficarem uma, duas semanas acampadas, com tendas e barracas em frente dos batalhões, além do Rio de Janeiro, teve alcance também em algumas capitais do país, bloqueando as viaturas de saírem para fazer policiamento ou de entrarem. Foi um período tenso, acalorado, onde a manifestação pacífica visava entre outros, reivindicar salários em dia e melhores condições de trabalho. E atingiu na ocasião todos os quartéis do Estado. Vale salientar que segundo a Constituição Federal do Brasil, os políciais não podem integrar movimentos de protesto ou realizarnem greve incorrendo numa pena de dois anos de prisão.
Com a ativista de Segurança Pública, Rogéria Quaresma - Presidente da ASTSA | entrevista concedida no dia, 16 de outubro de 2025.

Aqui no Rio de Janeiro, a ativista de segurança pública Rogéria Quaresma, no final daquele mesmo ano, fundou sem fins lucrativos a ONG, ASTSA - Associação Somos Todos Sangue Azul. Um marco na luta por melhores condições de vida dos policiais militares. Única associação específica em todo o Brasil, tendo como sede o município de Nova Iguaçu. Além disto, atualmente esta atuante Vice-presidente no CCS-Mesquita - Conselho Comunitário de Segurança, na cidade de Mesquita, RJ. 

Sua associação tem por finalidades fornecer ajuda financeira sempre que possível para as famílias de policiais desassistidas pelo Estado; fornecer orientações jurídicas; orientações psicológicas aos familiares, sempre que necessário for; dar auxílio social aos familiares em casos de sinistros, dos mais diversos. 

Em entrevista, expôs suas perspectivas para 2026 

Além da reivindicação salarial em dia, quais outras questões na época as levaram às portas dos quartéis?

Princípio do objetivo era combater as grandes mortes dos policiais. A gente tinha ali em 2017, 4 ou 5 policiais mortos em menos de 24 horas. Então era um grito de socorro nas portas dos batalhões. Questão dos salários atrasados, os veteranos e pensionistas já não tinham dinheiro, nem para pagar seus aluguéis e comprar sua comida. Foi uma forma, eu Rogéria, convidei estas famílias para as portas dos batalhões, era uma forma de o Governo olhasse a gente, para dar atenção no que estava acontecendo, tanto a morte de policiais, quanto a falta de alimentos, principalmente na mesa das famílias daqueles que perderam suas vidas.

Após estes 8 anos, o que avançou, favoreceu os policiais em termos de benefícios? 

Favoreceu, não! Na verdade, que voltou a ser pago salário em dia! Somente isto. O salário, voltaram a ser pagos em dia, as mortes de policiais continuam, há hoje um número menor, sim, mas continuam. Não é normal um policial morrer. É então este mês, este ano 2025, já contamos com 41 policiais mortos, fora os feridos. Ainda existe grande número de policiais mortos. 

O que evoluiu ou está travado por parte do governo do Estado? 

Acho que não evoluiu, é de verdade existe desrespeito aos policiais. O governo realmente carece valorizar esses homens. É proteger estes homens. Aqueles homens que saem de suas casas para servir e proteger a sociedade. E onde estes homens estão perdendo suas vidas. A sociedade esta totalmente perdida. 

O que a ASTSA no momento está realizando com o poder público? 

O nosso trabalho continua, né! Muito antes da paralisação nos batalhões e cresceu muito depois e aqui o que a gente faz, dando apoio as famílias, a gente tenta levar nossas demandas ao Comando, tenta para haver melhorias, realmente, respeito, dignidade aos policiais e suas famílias. Nossa maior luta que nossos policiais estejam de pé, estejam vivos. Sempre falo que a maior missão deles, comigo e com a família deles é voltar vivos para casa, todos vivos. Quem perde sabe a falta que um policial, a falta do pai, falta do filho. O policial faz muita falta para a sociedade. Quando morre um policial, a sociedade morre também.

Qual sua perspectiva para 2026? 

A gente sempre pensa no melhor, sempre que vai até alguém, que possa melhorar, que possa lutar pela segurança pública que hoje eu acho que é o carro numero 1 do Estado, é a segurança pública. E que está totalmente um caos. 

Coisas que a gente viu em 2022, falaram que iam fazer resolver e nada adiantou. Passaram-se 3 anos e até agora nada. Policiais continuam morrendo, as famílias continuam passando algum tipo de dificuldades e a sociedade continua perdendo e nada mudou. Então em 2026, espero eu que tenha alguém realmente represente lá que faça acontecer de verdade pela segurança pública e pela sociedade. Eu peço a Deus que realmente tenha politica publica de segurança. Coisa que falta!

*Alcy Maihoni 
Atuou no Conselho Municipal de Educação NI, Conselho Comunitário de Segurança Pública (CCS-NI), Conselho Municipal de Segurança Pública, Direitos Humanos e Cidadania (CONSEG-NI).

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