USP: dano ao que é de todos não se reduz a situação pontual
Imagens com lixo acumulado, pichações e sinais de abandono em trechos da USP ganharam ampla repercussão nas redes sociais nos últimos dias, com internautas chegando a comparar o local à antiga Cracolândia de São Paulo. A exposição dividiu avaliações: parte da população cobra mais fiscalização e responsabilidade na conservação de um espaço mantido com recursos públicos, enquanto defensores da instituição argumentam que o cenário retratado é pontual e não reflete a realidade de todo o campus, um dos maiores do país. Até o momento, a universidade não confirmou oficialmente que o estado registrado corresponda à situação geral de suas instalações.
Ainda que se trate de uma ocorrência restrita a uma parte do complexo, nenhum argumento justifica a deterioração de um bem que pertence a toda a sociedade. A tentativa de minimizar os danos sob a alegação de que não se trata de um quadro generalizado ignora o princípio básico de que o patrimônio público deve ser preservado independentemente de circunstâncias específicas, seja por manifestações, ocupações ou simplesmente por falha na gestão e na fiscalização. O prejuízo não é apenas material: atinge também o valor simbólico de uma instituição que é referência nacional de ensino e pesquisa.
Cabe ao Ministério Público, como instituição incumbida de defender os interesses coletivos, adotar providências concretas. Entre elas, a instauração de inquérito para apurar responsabilidades pelos danos já causados, a exigência de um plano emergencial de recuperação e a recomendação de instalação de sistema de monitoramento por câmeras em todas as áreas comuns onde o equipamento ainda não exista. Também deve buscar o cumprimento de regras de manutenção contínua, por meio de termos de ajustamento de conduta com a administração da USP, além de estimular ações que envolvam a própria comunidade acadêmica na preservação do espaço que é de todos.

























