sábado, 29 de agosto de 2026

Serra do Vulcão: um mês, 320 hectares queimados

1ª Oficina Participativa de Elaboração do Plano Local de Ação Climática de Nova Iguaçu

Foto: Alcy Maihoní - Participante da oficina - 28.08.2026

Nova Iguaçu, 28 de agosto de 2026 — Estive presente nesta sexta-feira, no auditório do PREVINI, situado na Rua Antenor de Moura Raunheitti, nº 96, bairro da Luz, para a realização da 1ª Oficina Participativa de Elaboração do Plano Local de Ação Climática (PLAC) de Nova Iguaçu. O evento foi capitaneado pela ONU-Habitat e pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, com a participação de representantes da Prefeitura de Nova Iguaçu.
 
A agenda da oficina teve como objetivo central a elaboração coletiva do mapa de vulnerabilidades do município, com a identificação direta de quatro eixos temáticos: os locais recorrentes de inundações; as áreas de risco de deslizamentos; as regiões com alto índice de doenças associadas às mudanças climáticas; e, por fim, a indicação pontual desses problemas e a proposição de soluções práticas e participativas para cada um deles.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Canal Andrade de Araújo: a obra ilegal que autorizaram e esconderam

Decisão judicial expõe irregularidade; ex-prefeito disputa Senado e secretário segue no cargo. Quem responde pelo dano às comunidades?
Foto: MPRJ

Por Alcy Maihoní 
 
O Ministério Público do Rio de Janeiro obteve decisão liminar obrigando o município de Belford Roxo a desfazer, com urgência, uma intervenção irregular realizada no Canal Andrade de Araújo, no bairro Engenho Pequeno. A obra foi executada em 2020 sem qualquer autorização do INEA e, ao que tudo indica, reduziu a capacidade de vazão do curso d'água, contribuindo diretamente para o agravamento de enchentes que afetam também municípios vizinhos, como Nova Iguaçu. A decisão, proferida pela 7.ª Vara Cível da Comarca de Nova Iguaçu, atende a uma ação civil pública ajuizada pelo MPRJ, e é no mínimo alarmante que uma ação com tamanho impacto ambiental e urbano tenha sido feita sem o devido amparo legal.
 
Vale destacar que, em 2020, o prefeito de Belford Roxo era Waguinho (MDB), que comandou o município por dois mandatos consecutivos, e que à época tinha como secretário de Meio Ambiente Flávio Gonçalves. Flávio comandou a pasta de Meio Ambiente e posteriormente Meio Ambiente e Sustentabilidade, durante toda essa gestão. Hoje, Waguinho é candidato ao Senado Federal pelo Rio de Janeiro, filiado ao Republicanos, e sua candidatura enfrenta ações de impugnação no TRE-RJ. Já Flávio Gonçalves permanece no cargo de secretário, agora servindo à atual prefeita Mariana Canella, do União Brasil. A continuidade no cargo de quem esteve à frente da pasta durante a realização da obra irregular levanta questões que não podem ser simplesmente ignoradas.
 
Tenho para mim que o MPRJ deveria ouvir e investigar de forma aprofundada todos os envolvidos na autorização e execução desta obra, assim como os responsáveis por mantê-la inalterada até os dias de hoje. Não se trata de um detalhe técnico: vidas humanas estão em jogo quando as águas sobem e invadem casas, ruas e vidas de famílias que nada têm a ver com decisões tomadas sem critério e sem lei. E me pergunto: onde estavam a Câmara Municipal, o Conselho Municipal de Meio Ambiente, o próprio INEA e a ALERJ enquanto tudo isso acontecia? Por que ninguém deteve essa intervenção antes que ela se tornasse um problema que agora atinge e põe em risco comunidades inteiras? A água não mente, e a responsabilidade também não pode ser adiada.

Fica aberto o espaço para que apresentem sua versão dos fatos, que será divulgada com igual destaque.

Fonte: Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Sem apoio público, Agro-Mirim transforma relação de alunos com a natureza

Projeto mostra que consciência ambiental se constrói na prática, mas precisa de reconhecimento e suporte da comunidade

Ao conhecer de perto o Projeto Agro-Mirim, percebi que estamos diante de algo que vai muito além de simplesmente cultivar hortas nas escolas: é uma forma de plantar valores, consciência e respeito à natureza desde a infância. Ver como as crianças passam a valorizar os alimentos, a mudar de comportamento e a levar essa experiência para dentro de casa, envolvendo suas famílias, mostra o quanto iniciativas assim podem transformar a comunidade. É também com certa preocupação que constato que tudo isso acontece graças ao esforço e aos recursos próprios de seus idealizadores, sem um apoio estruturado do poder público, o que torna ainda mais importante que a sociedade civil se aproprie da causa, compreenda seu valor e se engaje para que não dependa apenas da boa vontade de alguns.
Foto: arquivo pessoal 

Compreendi, ao longo da reportagem realizada, no interior do CIEP 373 - Brigadeiro Teixeira, localizado na Estrada Rio-São Paulo - Lagoinha, Nova Iguaçu, que a comunicação é uma ferramenta poderosa para dar visibilidade a projetos como este e mobilizar a população. Quanto mais pessoas entenderem que a educação ambiental se constrói na prática, no dia a dia, mais cobraremos e exigiremos que se torne uma política de fato e não só uma ação isolada. Cabe a nós, como sociedade, reconhecer o quanto iniciativas como o Agro-Mirim são essenciais para formarmos cidadãos mais conscientes e comprometidos com o meio ambiente, e trabalhar para que se multipliquem e recebam o suporte que merecem.

▶️Leiam a reportagem postada no blog com o título: Projeto Agro-Mirim transforma escolas em Nova Iguaçu e leva consciência ambiental às crianças https://uniaodanon.blogspot.com/2026/08/projeto-agro-mirim-transforma-escolas.html?m=1

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Projeto Agro-Mirim transforma escolas em Nova Iguaçu e leva consciência ambiental às crianças

Da terra à sala de aula

Com Edson Monteiro, do Pantanal Iguaçuano, executor do Projeto Agro-Mirim nas escolas em Nova Iguaçu 
Foto: Alcy Maihoní - 24/08/2026

Este material jornalístico é resultado da atividade de extensão "Repórter em Ação e Sustentabilidade", desenvolvida no curso de Jornalismo da Unicesumar. O objetivo é conhecer, registrar e difundir a experiência do Projeto Agro-Mirim, suas práticas pedagógicas, desafios e impactos sociais e ambientais, exercendo a prática jornalística como ferramenta de conexão entre comunidade e conhecimento.

Nova Iguaçu — Edson Monteiro, 60 anos, conhecido como "Crocodilo Dundee", atua há anos no Pantanal Iguaçuano com ações de educação ambiental. Em entrevista, ele conta como nasceu o Projeto Agro-Mirim, que leva o cultivo de hortas para dentro das escolas, e explica como a iniciativa busca unir aprendizado prático, respeito à natureza e formação de valores nas crianças. Confira os principais trechos, além dos relatos da colaboradora do projeto e da diretora da escola parceira.

Como tudo começou

Alcy Maihoní: Como surgiu a ideia de criar o Projeto Agro-Mirim, e qual foi o primeiro passo para levá-lo às escolas?

Edson: É, o projeto mirim, na verdade, o nome Agro-Mirim quem deu foi a diretora do colégio no Rio de Janeiro, lá no Engenhão; foi ela quem escolheu o nome desse projeto, Agro-Mirim.

Alcy Maihoní: Quais são os principais objetivos do projeto, tanto do ponto de vista ambiental quanto na formação das crianças?

Edson: Mostrar para as crianças que é da terra, da própria terra, que sai o alimento. E se tiverem espaço em casa, vão aprender a cultivar o que muita gente joga no lixo, como caroço de abacate e outras frutas.

O dia a dia na horta 

Alcy Maihoní: Poderia nos contar como funciona a atividade prática na horta, desde o preparo do solo até o cultivo das mudas? 

Edson: Desde a preparação do canteiro, onde ele vai ser montado, as crianças ajudam a misturar esterco, barro vermelho, areia lavada, terra preta e serragem — esses são os substratos que a gente usa pra fazer tudo certinho.

Alcy Maihoní: Há algum momento ou situação que marcou a senhora de forma especial com alguma criança ou turma neste trabalho voluntário do Projeto Agro-Mirim?

Com Aline Xavier - Ambientalista auxiliadora do Agro-Mirim 

Aline Xavier Costa: A primeira vez, no dia em que fiz esse trabalho, quando as crianças colheram, aquele momento me marcou até hoje. Foi o sorriso delas ao pegarem a verdura na mão — aquilo ali foi um marco pra mim. Aconteceu na Escola Priscila, onde realizei esse trabalho. 

Valores que vão além da horta

Alcy Maihoní: Além das habilidades práticas de plantio, quais valores e atitudes você percebe que os estudantes estão desenvolvendo com essa experiência? Por exemplo: responsabilidade e respeito à natureza? Isso vem acontecendo?

Edson: Tá tendo sim! Porque hoje eles aprendem isso na escola e estão levando pra casa. Tem muitas mães que dizem que os filhos já estão plantando nas garrafas PET em casa.

Alcy Maihoní: Além de aprender a plantar, quais valores ou lições as crianças levam para a vida por meio do contato com a terra?

Aline Xavier: É muita coisa. Uma delas é aprender a dar valor à terra e aos alimentos que consomem. E também o respeito pela natureza: elas aprendem de onde a alface vem para a mesa, acompanham desde a mudinha bem pequenininha até o dia em que cresce e está pronta para colher.

Elas entendem que ali teve o trabalho da terra, da chuva, do sol, entendeu? O principal é saber de onde vem o alimento e aprender a valorizar todo esse trabalho.

Outra coisa que, como pessoa e ambientalista, me emociona muito é ver a criança chegando em casa e dizendo para a mãe ou o pai: "Mãe, vamos plantar no nosso quintal, a tia na escola ensinou". A criança começa a querer plantar também em casa.

Falam para os pais: "Mãe, não joga a semente do quiabo fora, vamos plantar"; "Mãe, o coentro — a tia ensinou a plantar, vamos ter o nosso".

Claro que não dá pra ter tudo em casa e deixar de ir ao mercado. Mas dá pra ter o prazer de plantar alguma coisa e consumir o que a gente mesmo cultivou, entendeu? Isso também é muito bom, é muito importante.

Com Elizabeth Supeleto - Diretora CIEP 373 Brigadeiro Teixeira
Lagoinha Nova Iguaçu - RJ

Alcy Maihoní: Como a senhora avalia a participação e o engajamento dos alunos com o Projeto Agro-Mirim? Houve alguma mudança perceptível no comportamento deles? 

Elizabeth S. Supeleto: Bom, a gente tem percebido que todo projeto que a criança desenvolve na escola, saindo do ambiente da sala de aula, impacta diretamente não só no comportamento dela, mas no engajamento mesmo. A criança começa a se sentir parte daquele ambiente. Esse foi o primeiro projeto que a gente está desenvolvendo fora das quatro paredes da sala de aula. E já dá pra perceber que primeiro vem o cuidado e o zelo. O refeitório, por exemplo, era um espaço onde eles só entravam para se alimentar, e às vezes jogavam comida fora. Agora dão mais valor — esse tipo de atitude tem sido bem menos recorrente.

Eles passaram a enxergar aquele espaço de outra forma. Antes era um espaço vazio, com plantas que pareciam só decoração, que até poluía o ambiente. Agora, na semana passada inclusive, eles começaram a colher. Quem não levou, veio correndo pegar a alface que estava sendo distribuída. É muito legal! Eles começam a ter mais consciência e entendem que fazem parte daquele ambiente.

Alcance, integração e desafios

Alcy Maihoní: Qual é o público atendido? Em quais regiões o projeto já chegou?

Edson: Todas as crianças participam, até a 8ª série. O projeto já chegou em Itaguaí, na capital do Rio de Janeiro, no Engenhão, e também em Nova Iguaçu — e a tendência é crescer.

Alcy Maihoní: De que forma o projeto se integra ao planejamento pedagógico da escola? Os professores também participam? 

Elizabeth S. Supeleto: A gente elaborou um projeto de integração da horta com o nosso PPP — o Projeto Político-Pedagógico. Os resultados estão começando a aparecer, já que tudo começou em 12 de junho. A gente está integrando o projeto aos conteúdos trabalhados. Paralelamente, os professores já trabalham a alimentação saudável como parte do currículo. Só que agora o olhar está mais voltado para a prática, porque, em conversa com o Edinho, a gente tem a proposta de transformar esse trabalho da horta numa horta comunitária. É a próxima etapa: a gente deseja que, no meio do ano que vem, já consigamos ter essa horta funcionando.

Alcy Maihoní: Houve alguma parceria ou apoio que tenha sido fundamental para o andamento deste trabalho?

Edson: Não, realmente nunca teve. Inclusive a prefeitura nunca forneceu nada pra gente. Tudo que existe é o próprio projeto que corre atrás, comprando com dinheiro do próprio bolso.

Alcy Maihoní: Quais têm sido os principais desafios e as conquistas vivenciadas pela escola durante a realização das atividades?

Elizabeth S. Supeleto: As crianças têm muito mais envolvimento. A gente percebe que se interessam e cuidam. O que a gente quer agora é estender isso para a família. Essa é a grande conquista. O maior desafio, talvez, seja a questão dos recursos. O Edinho conhece muita gente e consegue articular doações de adubo, areia e materiais — empresas como a CEDAE e a Águas do Rio têm nos ajudado. Mas sem esse apoio, seria bem mais difícil.

Alcy Maihoní: Quais são os principais desafios no momento?

Edson: No momento, o desafio é o tempo — a gente quase não tem — e também a verba, porque ninguém ajuda a gente. Se as hortas existem, é porque a gente compra com o próprio dinheiro pra poder trazer essa alegria pras crianças.

Alcy Maihoní: Para o futuro, você pretende expandir o projeto? 

Edson: Além da horta, também temos parceiros educativos numa área de preservação. Queremos mostrar tudo de bom que a natureza oferece, porque as crianças precisam ter esse conhecimento. É importante saber que plantar o próprio alimento não é difícil. E queremos chegar a muito mais escolas — só dependendo da ajuda das prefeituras.

Conclusão — Relatório Reflexivo 

O Projeto Agro-Mirim mostra que quando a terra entra na escola, não saem de lá apenas folhas e verduras: saem também cidadãos mais conscientes, que sabem de onde vem o alimento, que valorizam o trabalho e que levam para casa o respeito à natureza. De Nova Iguaçu ao Engenhão, passando por Itaguaí, a iniciativa cresce no sorriso de cada criança que colhe pela primeira vez, e que, junto com a horta, planta também um futuro mais verde. 

A experiência desta atividade me permitiu compreender claramente como a mídia pode influenciar a mobilização da sociedade. A preservação ambiental não se faz apenas com leis ou decretos; ela se constrói na consciência de cada pessoa, desde a infância, com ações práticas que aproximam o ser humano da terra que o alimenta. A comunicação tem um papel fundamental nesse processo: ao dar visibilidade a iniciativas como esta, ela não apenas registra um fato, por outro lado convida outros a também participarem, a cuidarem e a se engajarem. O jornalismo, quando se debruça sobre causas como a sustentabilidade, se torna ele próprio uma ferramenta de transformação, ampliando vozes e multiplicando ideias que podem mudar a realidade.

sábado, 22 de agosto de 2026

Substituir leucena por Mata Atlântica: a mudança que Nova Iguaçu precisava

Por que plantar uma árvore de até 20 metros em calçadas estreitas 
nunca fez sentido
Imagem criada por IA: árvore leucena
Por Alcy Maihoní *

Tomei ciência deste plano de remoção e substituição das leucenas por meio da publicação no Correio da Lavoura. Vejo com satisfação a aprovação, na Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu, da mensagem recebida pelo poder executivo, desta iniciativa de substituição das leucenas por espécies nativas da Mata Atlântica. Há muito tempo essa espécie exótica é plantada de forma equivocada nas vias públicas da nossa cidade, sem que se levasse em conta seu porte, que pode chegar a 15 ou até 20 metros e os transtornos que isso causaria: calçadas destruídas, fiação comprometida e tubulações danificadas, já que o espaço urbano não foi projetado para árvores desse tamanho. Além dos problemas estruturais, não podemos ignorar que a leucena é uma espécie com grande poder de invasão, que ameaça a vegetação local, e ainda apresenta a mimosina, substância tóxica para os animais. Permitir que ela se espalhasse por tantos anos foi um absurdo erro que agora se busca corrigir (antes tarde do que nunca) e isso é um passo importante para a responsabilidade ambiental do município.
 
A substituição planejada é a oportunidade de fazermos diferente: escolher espécies nativas de pequeno porte, adequadas às calçadas estreitas e aos espaços reduzidos que temos na cidade. Diferente da leucena, árvores de porte compatível com o meio urbano não atrapalham a rede elétrica, não destroem o passeio público e ainda trazem benefícios reais à biodiversidade, ajudando a recuperar as características ambientais da nossa região. Que esta mudança não fique só no papel: é fundamental que a escolha das novas espécies seja feita com critério, com participação da comunidade e com acompanhamento técnico, para que daqui a alguns anos não estejamos repetindo os mesmos erros. A arborização da cidade é um patrimônio de todos — e merece ser tratada com conhecimento, planejamento e respeito à nossa terra.

Referência:
Jornal Correio da Lavoura 
Edição de 22 de agosto de 2026

*Ex-conselheiro estadual de meio ambiente (APA Gericinó Mendanha).

Projeto de Lei aprovada reconhece heróis anônimos da causa animal em Nova Iguaçu

Um olhar atento às periferias: onde a proteção animal é mais urgente e menos assistida
Por Alcy Maihoní

O vereador Danielzinho da Padaria dá um passo fundamental ao apresentar o Projeto de Lei que institui o Cadastro Municipal de Protetores Acolhedores Independentes de Animais, que foi aprovado em 2ª votação, voltado para pessoas físicas ou jurídicas que, de forma voluntária, acolhem, resgatam, protegem e encaminham animais em situação de rua para adoção. Vejo nesta iniciativa um reconhecimento justo e necessário ao trabalho incansável de tantos protetores independentes que, muitas vezes com recursos próprios e sem nenhum apoio, fazem a diferença no bem-estar animal. A violência contra os animais não é apenas um problema ético: é também um problema social que afeta diretamente a saúde pública, o equilíbrio ambiental e a construção de uma sociedade verdadeiramente consciente e responsável. Organizar esses esforços por meio de um cadastro municipal não apenas dá visibilidade, mas também fortalece a base sobre a qual se podem construir políticas públicas mais eficazes e humanas em Nova Iguaçu.
Foto: CMNI
Para que este avanço seja de fato completo, sugiro que o cadastro e as políticas dele decorrentes tenham um olhar especial voltado para as grandes áreas periféricas da cidade. É nessas regiões que, frequentemente, o número de animais abandonados é maior e o acesso a serviços veterinários, campanhas de castração e informação é mais escasso. Os protetores que atuam nas periferias estão na linha de frente, apesar disso muitas vezes são os que menos recebem suporte e reconhecimento. Incluí-los de forma ativa, ouvindo suas necessidades e levando estrutura e recursos para onde a realidade é mais dura, garantirá que o cadastro não seja apenas um registro no papel, por outro lado um instrumento de transformação real, chegando a todos os cantos de Nova Iguaçu e protegendo os animais onde mais precisam.
 
Referência: Jornal Correio da Lavoura, edição de 22 de agosto de 2026.

Biblioteca Cial Brito: um espaço nosso, que precisa ser conhecido e usado por todos!

Estimular a autonomia das pessoas é também fortalecer a cultura da nossa cidade!
Artefato (banner): orientações para se ambientar na sua biblioteca 

Por Alcy Maihoní

A biblioteca é um organismo vivo, não isolado da sociedade, e reflete diretamente as dinâmicas da comunidade em que está inserida. A Biblioteca Municipal Cial Brito, aqui na Rua Getúlio Vargas, 51, no Centro de Nova Iguaçu, não é exceção. Seu papel vai muito além de preservar memória e história: é fundamental garantir acesso facilitado a todos e sinalizações claras, para que cada usuário saiba o que fazer, a quem recorrer e como usufruir de tudo o que o espaço oferece. Para tanto, produzi e doei um banner (foto abaixo) para a biblioteca, que se encontra afixado na entrada; a bibliotecária Renata Motta elogiou o material. O foco deve ser sempre estimular a autonomia dos frequentadores, com orientações que tornem o ambiente acessível e acolhedor para todos.
Imagem: arquivo pessoal

Bibliotecária Renata Motta 

Imagem: arquivo pessoal

🇧🇷 Para Presidente, Governador e Senadores: o caminho certo para o Brasil 🇧🇷

Apresento parcialmente meus candidatos para estas eleições gerais de 2026: para Presidente da República, Governador do Rio de Janeiro e Senadores.  Sem sombra de dúvidas os melhores para o Brasil.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Nova Iguaçu em último lugar: os números da educação que não podem ser ignorados

Cidades vizinhas avançam, Nova Iguaçu fica para trás, até quando vamos aceitar este cenário?

Ao analisar os dados do levantamento da ONG Todos Pela Educação, não dá para fechar os olhos para a realidade nua e crua: a rede estadual continua abaixo da média nacional, no entanto o que me preocupa ainda mais é que Nova Iguaçu aparece com o pior resultado entre as grandes cidades do país no ensino fundamental. Por mais que a Secretaria Municipal de Educação e a SEEDUC-RJ justifiquem que houve certo avanço em Nova Iguaçu, o quadro atual é absurdamente incabível. É necessário que o Conselho Municipal e o Conselho Estadual de Educação, somados à Comissão de Educação e Cultura da Câmara de Vereadores, atuem de forma mais incisiva e mostrem as caras. A Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro apresenta dados alarmantes: 70,9% dos estudantes que saem do ensino médio não dominam o básico de matemática, e 44,6% não dominam o básico de português. É inaceitável que milhões de reais sejam movimentados anualmente e, ainda assim, nossos alunos saiam da escola sem dominar o que é fundamental para seguir em frente. Enquanto o estado capota, o município de Nova Iguaçu não consegue sequer acompanhar o ritmo de cidades de porte semelhante. Temos, por exemplo, municípios vizinhos na Baixada Fluminense que já superaram a meta nacional no 5º ano do fundamental, enquanto aqui os índices de proficiência ficam em patamares que deveriam ter sido superados há uma década.

Essa diferença de desempenho entre as redes não é obra do acaso: na rede estadual, a média de proficiência em matemática no 9º ano, embora ainda abaixo do esperado, chega a ser quase 15% superior à registrada na rede municipal de Nova Iguaçu, onde mais de 60% dos alunos não atingem o nível mínimo de aprendizado. Sou de opinião de que este baixíssimo índice educacional é reflexo de o Rio de Janeiro possuir fatores como salários baixos, sobrecarga de trabalho, fim do respeito, ameaças, assédio moral, misoginia nas escolas e a alta instabilidade de contratos temporários, tudo isso afasta os profissionais da sala de aula. A comparação com o cenário nacional é ainda mais terrível: enquanto o Brasil avança lentamente, nossa cidade não acompanha esse movimento, e a rede estadual, mesmo com suas limitações estruturais e dificuldades de investimento, ainda apresenta resultados que nos obrigam a questionar: o que está faltando de fato por aqui? Não é só dinheiro, é gestão, é acompanhamento, monitoramento, é compromisso real com o aprendizado, e não apenas com a manutenção da estrutura física.

Os números nos dizem que, para mudar a realidade de milhares de crianças e adolescentes, precisamos de políticas públicas que não fiquem só no papel, outrossim que sejam cobradas dia após dia. Falta também, neste cenário educacional, a presença constante e firme do controle social participativo e da fiscalização da sociedade civil organizada que ocupa as cadeiras dos conselhos: é preciso ter coragem para sair da invisibilidade, ou seja, demonstrar transparência e publicidade sobre o que se passa dentro das reuniões. Além disso, recomendável caberia às autoridades responsáveis realizarem, seminários, audiências públicas ou fóruns, para que toda a comunidade escolar possa estar presente, a fim de coletivamente debater o rumo que se quer para a educação pública. Não dá para aceitar que a educação continue sendo a grande dívida de Nova Iguaçu e de todo o estado.

Referências:
TODOS PELA EDUCAÇÃO. RJ tem 70% dos alunos da rede pública terminando o ensino médio sem saber o básico em matemática, diz ONG. Rio de Janeiro: Globo, [s.d.]. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/14887701/. Acesso em: 20 ago. 2026.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Não é só um governo: os múltiplos motivos que levam gigantes à recuperação judicial


Quando nomes conhecidos de todos os brasileiros enfrentam o risco de fechar as portas
Imagem: Reprodução/Redes Sociais 

Ao olhar para essa lista de empresas: Marabraz, Tok Stok, Casas Bahia, Pão de Açúcar, Brinquedos Estrela, Polishop, Bombril, Casa do Pão de Queijo, OncoClínicas, Coteminas, Agrogalaxy, Grupo Petrópolis, Habib’s, Braskem e Raízen, entre outras seria leviandade atribuir tudo ao atual governo comunista, como se a economia tivesse um interruptor  de liga/desliga. Juros altos, tributação sugada e endividamento das famílias são fatores reais, outrossim também seria ingênuo ignorar que muitas dessas empresas já carregavam problemas de gestão e dívidas estruturais de anos anteriores. O que vemos é resultado de causas diversas, algumas de política econômica desastrosas, outras estruturais, que se agravaram juntas. O volume de casos é de fato preocupante e merece atenção, todavia o debate não pode ser maniqueísta: reitero de forma mais clara de que não dá para jogar toda a culpa na figura do Lula e sua equipe econômica, nem ignorar que o ambiente econômico precisa melhorar. Uma saída possível seria implementar um pacote emergencial de programa nacional de renegociação de dívidas com juros reduzidos e prazos alongados, aliado a uma reforma tributária que simplifique a carga sobre as empresas e a criação de linhas de crédito acessíveis para investimento e giro de caixa, além de incentivos fiscais para empresas que mantiverem empregos durante o processo de reestruturação. O caminho é analisar com seriedade as causas reais e buscar saídas conjuntas, sem cair no simplismo de atribuir tudo a um ou a outro.

Quem é RONALDO CAIADO na fila do pão?

Um cavalo de Tróia para tirar votos da direita. 
Imagem: Reprodução/Redes Sociais 

Dividir o ensino de artes é moleza, duro é ter quem ensine e onde ensinar

Imagem: Reprodução/Redes Sociais 

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, homologou nesta segunda-feira (17) novas diretrizes para o ensino de artes nas escolas públicas e privadas do país. Elas determinam que cada uma das quatro linguagens artísticas deverá ser lecionada em uma disciplina específica.

Assim, as escolas deverão garantir que os estudantes de ensino fundamental (do 1º ao 9º ano) e ensino médio tenham aulas específicas de artes visuais, dança, música e teatro. Até então, essas quatro linguagens eram, em geral, ministradas todas e juntas dentro de uma única disciplina, chamada genericamente de ensino da arte. 

Fonte: @tribunaonline 

COMENTÁRIO DO MAIHONÍ: Tenho opinião de que essa ideia de dividir artes em quatro matérias separadas até parece bonito no papel, no entanto na prática vai dar o mesmo que sempre deu: o prazo até 2036 é uma eternidade, os professores especializados não existem aos montes não, a maioria das escolas não tem estrutura nenhuma para funcionar e enquanto o MEC fica enrolando para apresentar um plano que ainda nem saiu, quem vai continuar levando fumo é a galera da periferia; sem contar que isso já era lei desde 2016 e ninguém cumpriu, então não adianta ficar inventando regra nova se não tem dinheiro, não tem gente para dar aula e não tem estrutura. É mais do mesmo, só que com nome diferente.


terça-feira, 18 de agosto de 2026

💔 Perda irreparável: Laura Cardoso e Glória Menezes

Duas perdas grandiosas para nossa teledramaturgia. Descansem em paz Laura Cardoso e Glória Menezes. 🤍🤍

Campanha sobre o abandono: quando a política ignora os problemas reais

Candidatos sorridentes circulam pela cidade em meio ao caos


Vejo, com indignação, inquietação, algumas campanhas de candidatos e suas coligações, muitos deles ainda no exercício de mandatos vigentes, que caminham ao lado de amigos que também ocupam cargos eletivos e buscam se perpetuar nas funções públicas por meio de reeleições, ao lado ainda de outros que já exerceram mandatos no passado e agora ambicionam retornar ao serviço público, realizarem carreatas pelas ruas da periferia de Nova Iguaçu, acenando para transeuntes e para moradores que permanecem parados em frente aos seus portões.

Percorrem vias que se encontram em estado lastimável, marcadas pela ausência de saneamento básico, por áreas ambientais abandonadas, por lixo acumulado em determinadas localidades , por redes elétricas emaranhadas nos postes e por calçadas inacessíveis às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Cruzamentos onde não há nenhum agente de trânsito para coibir vans e motocicletas que ignoram sistematicamente a sinalização; pontos de ônibus sem qualquer cobertura; e, logo adiante, clínicas da família que nem sequer dispõem de medicamentos básicos.

É uma cidade em que, a cada chuva, águas fétidas invadem as residências e as vias ficam totalmente intransitáveis. Há, ainda, escolas que ficam fechadas em razão de furtos reiterados de fios e cabos elétricos. E, no entanto, todos esses políticos seguem sorrindo, ao som de suas marchas de campanha, como se a cidade não enfrentasse problemas crônicos e profundos, decorrentes da ausência de uma gestão pública responsável. São amantes de seus próprios umbigos.

A cena revela mais do que um contraste entre o discurso e a realidade. Expõe um distanciamento perigoso: enquanto os candidatos percorrem os bairros em busca de votos, parecem não enxergar ou preferem não reconhecer, os problemas que há muito tempo afetam a vida de quem mora e trabalha aqui. Não se trata de oposição a campanhas eleitorais, outrossim de questionar: como se pode pedir confiança sem sequer reconhecer o estado em que a cidade se encontra? Como se pode pleitear a continuidade ou o retorno ao poder sem apresentar resultados concretos nas ruas que se percorrem? Nova Iguaçu permanece em atraso, estagnada no que se refere a desenvolvimento urbano e econômico. 

A política não pode ser feita de aparências. O respeito ao eleitor começa por reconhecer os desafios, assumir as falhas e apresentar propostas concretas para transformar a realidade que hoje é de abandono e descaso. Até lá, as carreatas parecerão menos um compromisso com o futuro e mais um passeio sobre o que foi negligenciado.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Educação: avanços, desafios e o nosso voto nestas eleições 2026

N
os últimos anos, eu vejo: a educação brasileira avançou,  é inegável, conseguimos universalizar o ensino fundamental e ampliar o acesso às demais etapas de ensino. Todavia, ao mesmo tempo, eu sei bem que esse acesso não veio acompanhado da qualidade que a educação nacional merece, e isso é lastimável. Ainda assim, reconhecer cada um desses avanços é, para mim, o primeiro passo essencial para conseguirmos debater e construir, juntos, o caminho que queremos seguir. E, nestas eleições gerais deste ano, urge pesquisar e votar em candidatos(as) alinhados em propostas renovadoras para esta política pública.

sábado, 15 de agosto de 2026

Enquanto a lei dorme, os cabos somem: o preço da negligência nas escolas públicas de Nova Iguaçu

CIEP 168 é o terceiro alvo em menos de um ano; aulas são reduzidas e ensino noturno vira EAD após crime que se repete
Imagem: Balanço Geral/Redes Sociais 
Por Alcy Maihoní *

Mais uma vez, o crime bate à porta de uma escola pública de Nova Iguaçu. Conforme reportagem veiculada ontem (14), no telejornal Balanço Geral da Record, o CIEP 168 Hilda Silveira Rodrigues, na Avenida Santa Cruz, no bairro Jardim Laranjeiras, teve sua rede elétrica furtada no dia 5 de agosto, quando a instituição estava vazia. O impacto é imediato e cruel: o horário de aulas foi reduzido nos períodos da manhã e da tarde, e as atividades noturnas passaram a ser realizadas de forma remota. Não é um caso isolado, é uma constante que se repete na nossa região e que não pode continuar sem resposta. No ano passado, criminosos empregaram o mesmo modus operandi ao invadir, vandalizar e furtar cabos de energia no CIEP 113 Professor Waldick Pereira, em Comendador Soares, e no CIEP 166 Abílio Augusto Távora, na Palhada. Três escolas atingidas em menos de um ano, e a sensação que fica é a de que nossas unidades de ensino estão abandonadas à própria sorte.
 
Sei que a Polícia Civil e a Polícia Militar atuam nas investigações, outrossim não basta apenas reagir depois que o dano já está feito. Cabe à SEEDUC RJ sair da inércia e adotar medidas preventivas, como fez recentemente no município de Duque de Caxias, com a instalação de alarmes movidos a energia solar, dentro de um cronograma que pretende atender às 1.200 escolas da rede. Defendo há tempos que essa iniciativa deve ser acompanhada de algo ainda mais abrangente: a implantação obrigatória de circuitos fechados de televisão nas escolas estaduais e municipais. As câmeras não servem apenas para coibir furtos e atos de vandalismo; elas protegem o direito à educação e a integridade de alunos, professores e funcionários. Esclareço que essa medida é totalmente lícita e deve seguir regras claras: os equipamentos devem ser instalados apenas em áreas comuns: portarias, pátios, corredores e portões, nunca em salas de aula ou ambientes que exijam privacidade.
 
A Lei nº 9.952, de 5 de janeiro de 2023, já determina a obrigatoriedade dessa vigilância em todas as escolas e creches públicas e privadas do Estado do Rio de Janeiro. No entanto, aqui em Nova Iguaçu, a lei não sai do papel. A SEEDUC diz priorizar unidades em áreas de maior vulnerabilidade, no entanto não publica balanço oficial de quais escolas já foram atendidas e o que vemos na prática é que as câmeras existentes na cidade de Nova Iguaçu são de monitoramento urbano, não de proteção escolar. O agravante é que a própria lei não estabeleceu prazo para implementação, o que transforma a determinação em uma recomendação sem força. Cabe à ALERJ, aos Conselhos Estadual e Municipais de Educação pressionar por cumprimento; e, como estamos em período de eleições, é mais do que oportuno que os candidatos insiram essa pauta em seus compromissos de campanha. A educação pública não pode esperar e Nova Iguaçu não pode continuar pagando o preço da negligência.

*Ex-conselheiro de Educação de Nova Iguaçu 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O aeroporto abandonado de Nova Iguaçu e o argumento que não se sustenta


MPF restringe voos turísticos, mas abre exceções que derrubam a objeção local

Por Alcy Maihoní*

A reportagem veiculada ontem, quarta-feira (12), no RJTV 2ª Edição, da Rede Globo levanta um debate importante. O Ministério Público Federal pede que voos panorâmicos de helicóptero se restrinjam a corredores sobre o mar, mantendo-se distantes de áreas residenciais. Corroboro com a preocupação do procurador do município do Rio, Dr. Sergio Suiama, diante do evidente excesso de fluxo comercial turístico em alta ascensão, cabendo à ANAC a devida fiscalização do tráfego aéreo. Contudo, ao analisar o caso do octagenário e abandonado aeroporto de Nova Iguaçu, percebo uma contradição que precisa ser apontada: os que se opõem à sua reativação alegam proximidade de residências e citam até o prédio do Top Shopping como obstáculo, como se o sobrevoo aqui fosse inviável ou inseguro.

O próprio MPF estabelece exceções claras que permitem o livre uso do espaço aéreo sobre o centro urbano, mesmo em regiões mais densamente ocupadas: operações de segurança pública, serviços de imprensa, atendimento de saúde e medidas emergenciais, além de rotas para pouso e decolagem em helipontos. Ou seja, não há proibição absoluta de sobrevoo sobre cidades, como alguns parecem querer fazer crer. A distinção feita entre voos turísticos em excesso e operações regulares e essenciais deixa claro que o que se busca é organização e limitação, não a proibição total da atividade aérea.

E ao compararmos a realidade do centro do Rio de Janeiro com a de Nova Iguaçu, não encontro qualquer lógica na objeção apresentada. Na capital, centenas de arranha-céus estão erguidos muito acima de qualquer edificação existente na Baixada Fluminense, e mesmo assim os helicópteros sobrevoam e operam livremente. Se lá é possível e seguro, com estruturas muito mais altas e populosas, aqui em Nova Iguaçu a condição é ainda mais favorável. Por isso, defendo a reabertura do aeroporto iguaçuano: é uma questão de justiça e de bom senso, e será um motor de desenvolvimento econômico para toda a região da Baixada Fluminense.

Que venha helipontos e aeronaves de pequeno e médio porte para serviços de cargas e táxi aéreo para Nova Iguaçu! ✅

Fonte de dados: GLOBO. MPF pede que voos panorâmicos de helicóptero no Rio se limitem a corredor aéreo sobre o mar. RJTV 2ª Edição, 12 ago. 2026. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/14863686/. Acesso em: 12 ago. 2026.

*Ex-conselheiro de Políticas Urbanas e Gestão Territorial COMPURB de Nova Iguaçu

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Liberdade de imprensa sob ameaça: quando investigar vira crime

Quem investiga não pode ser tratado como suspeito
Imagem: Reprodução/Redes Sociais 
Por Alcy Maihoní

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão, causa profunda perplexidade. Cutrim é apontado como fonte do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, que revelou o uso de carros oficiais pela família do ministro Flávio Dino. A ação se deu a partir de dados encontrados no aparelho celular do próprio jornalista, alvo de operação da Polícia Federal em março. O que se apresenta não é apenas uma investigação: é uma forma de intimidação que, ao atingir a fonte, busca silenciar o próprio jornalismo.
 
Diante do ocorrido, o jornalista Luís Pablo expressou com clareza o sentimento de toda a classe e da sociedade: “Investigar e informar fatos de interesse público não é crime. Criminalizar um jornalista, violar sua fonte e devassar relações privadas em razão do exercício de sua profissão representa uma grave ameaça às garantias asseguradas à imprensa e à sociedade”. Suas palavras revelam o que está em jogo: quando a notícia incomoda autoridades, em vez de se debater o conteúdo, ataca-se quem informa e quem fala. Isso não é própria de uma democracia, outrossim de um regime que quer controlar o que o povo tem o direito de saber.
 
Democracias verdadeiras protegem o direito de informar, mesmo quando o publicado é desconfortável aos poderosos. A liberdade de imprensa não existe para agradar governantes, todavia para permitir que críticas e denúncias cheguem ao conhecimento de todos. Ao perseguir jornalista e revelar sua fonte, contrariam-se os princípios dos artigos 5º e 6º do Código de Ética dos Jornalistas, além de ferir a própria Constituição Federal. Se a informação sobre o uso de veículos oficiais é de interesse público e sem dúvida o é, a resposta não pode ser perseguição, no entanto de esclarecimentos. A democracia se enfraquece sobremaneira quando aqueles que deveriam protegê-la são os primeiros a atacar quem faz perguntas.

terça-feira, 11 de agosto de 2026

Ausência em debate é falta de respeito com o eleitor

Candidato deve apresentar propostas, não se esconder da sabatina
Crédito vídeo: Band News FM
Duração: 00:01:23

Por Alcy Maihoní

Não compreendo também tal conduta de candidatos deixar de comparecer a debate. A população é a verdadeira destinatária da informação quando um cidadão se dispõe a concorrer a um cargo público: o compromisso deve ser com os eleitores, apresentando projetos, programas e, sobretudo, dando a conhecer sua capacidade e experiência em benefício da cidade. Deixar de comparecer ao debate público revela, no mínimo, omissão; seria mais coerente renunciar à pretensão ao cargo eletivo do que se esquivar de apresentar-se à sociedade.
 
Em 2012, fui eu quem mediou o debate organizado pelo Grupo Fé e Compromisso e pela Pastoral Social Regional III, na Igreja Matriz Nossa Senhora de Fátima, em Nova Iguaçu. Dez candidatos ao cargo de vereador foram sabatinados sobre temas essenciais: Plano Diretor, Educação, Saneamento, Saúde e Segurança. Com uma pergunta escolhida previamente pela organização a todos e as demais definidas por sorteio, oportunidade em que o público também participou ativamente. Foi um verdadeiro marco histórico na política iguaçuana, momento em que a comunidade pôde conhecer com clareza cada proposta. Se à época os candidatos compreenderam e honraram esse compromisso, por que hoje alguns se recusam a fazê-lo?

R$ 105 bilhões em falta: saúde e educação pagam o preço da irresponsabilidade fiscal

"Olha o tamanho do problema. Desgoverno lula não tem dinheiro para R$ 105 bilhões em despesas. As áreas mais afetadas serão saúde e educação. Lula é um incompetente é irresponsável que gasta muito mais do que arrecada. Tem dinheiro para dezenas de ministérios e luxos e viagens de janja, mas não tem para o essencial, serviços básicos da população". 
Carlos Jordy - Deputado Federal / RJ

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Lei federal impõe novo conteúdo, todavia deixa municípios pobres sem condições de cumprir

A lei chega antes de o básico estar garantido: como ensinar política se a base ainda falta?
LDB ganha nova alteração: Educação Política e Direitos da Cidadania agora são conteúdo obrigatório
Crédito: Carreiras Educação — carreiraseducacao.com.br

Por Alcy Maihoní*

Analiso com atenção a Lei 15.468/2026, que torna obrigatório o ensino de educação política e direitos da cidadania em nossa rede de ensino. O propósito é nobre e necessário: formar cidadãos que compreendam como funcionam o Estado, as leis e seus direitos. Contudo, a norma revela um vício recorrente: determina-se algo novo, mas não se destinam recursos nem capacitação de professores, não se remaneja a carga horária nem se garante material adequado. A obrigação vem de cima, no entanto o ônus recai sobre quem menos dispõe: estados e municípios que já lutam para manter o básico.
 
E aqui, em minha cidade, Nova Iguaçu, por exemplo, o retrato é ainda mais revelador. Conforme os dados mais recentes do IDEB, nossa rede municipal alcança índices que permanecem abaixo do patamar considerado satisfatório, revelando que o aprendizado básico ainda está em defasagem. É neste cenário que nos chega mais uma exigência sem verba: como ensinar política e cidadania com qualidade se mal conseguimos assegurar o essencial? A lei, ao pretender avançar de um só lance, pode na verdade sobrecarregar escolas e professores que já lutam para cumprir o mínimo e o risco é que o novo conteúdo fique apenas no papel, aprofundando a desigualdade em vez de reduzi-la.

*Ex-conselheiro de Educação de Nova Iguaçu 

Se as urnas atuais são confiáveis, por que nenhum país rico as adota?

Defendo com convicção o modelo de urna mista: voto eletrônico acompanhado de voto impresso, garantindo ao eleitor a certeza de que seu voto foi registrado de fato. Vejo com estranhamento a afirmação de que as urnas atuais seriam confiáveis, quando não são adotadas por nenhum país desenvolvido; aceitas, segundo se verifica, por nações onde a corrupção é notória. Se o sistema é tão seguro, por que não se adota a transparência que o voto impresso proporciona? A confiança não pode vir apenas de palavras de autoridades; ela precisa estar visível, comprovável ao alcance de todos.
 
A solução que se apresenta é simples e racional: a urna de terceira geração, que registra eletronicamente e imprime o comprovante. Dessa forma, a contagem pode ser eletrônica e, sempre que necessário ou solicitado, conferida fisicamente com segurança. É por isso que reivindicamos a contagem pública de votos: sem o comprovante impresso, não há garantia plena. Eleições limpas exigem que cada cidadão possa verificar o resultado; e isso só se torna possível quando o voto também está no papel, à disposição de qualquer conferência.

sábado, 8 de agosto de 2026

Rio gasta muito e aprova mal: quando o PNE e os PME ficam na gaveta

Aprovação automática esconde o atraso real; alfabetização e aprendizado ficam para depois
Participe você também das discussões do PME!

Por Alcy Maihoní * 

Ao ver o resultado do IDEB 2025, com a rede estadual do Rio atingindo apenas 3,7 no ensino médio, sinto vergonha e indignação. O Estado gasta por aluno um dos maiores valores do país e, ainda assim, figura entre os últimos colocados. O que revela que há tempos que o problema não é falta de dinheiro, mas sim de compromisso e de cumprimento da lei. O Plano Nacional de Educação e os Planos Municipais de Educação deveriam ser a bússola de se chegar a qualidade, todavia transformaram-se em letra morta: definem metas claras de alfabetização, aprendizado e valorização de professores que simplesmente não são cobradas nem cumpridas. É preciso acabar com a maquiagem educacional: aprovar quem não aprendeu apenas melhora estatísticas de fachada, no entanto compromete profundamente o futuro. Precisamos voltar a valorizar o aprendizado real, com reforço escolar e recuperação desde os primeiros anos, garantindo que cada criança seja alfabetizada conforme determina o PNE, e valorizar os professores com plano de carreira digno e formação continuada.
 
Defendo que a verdadeira solução começa com o cumprimento do PNE e dos PME, com análise permanente dos Conselhos Municipais e Estaduais de Educação. Não adianta publicar metas ambiciosas se não houver acompanhamento, fiscalização e responsabilização de quem descumpre. O dinheiro existe, as metas estão definidas e o caminho está traçado. O que a população exige é simples: que as autoridades deixem de tratar os planos de educação como documentos de gaveta e passem a transformar o que está escrito em aprendizado de verdade para cada aluno. A educação do Rio não pode esperar mais.

*Ex-conselheiro de Educação de Nova Iguaçu