quarta-feira, 17 de junho de 2026

G7: Comércio desigual: a contradição por trás da proposta europeia

COMENTÁRIO DO MAIHONÍ: Constato que o apoio de Emmanuel Macron (França) à proposta da Comissão Europeia de vetar importações de carne, manifestado durante a cúpula do G7, revela como argumentos ambientais e sanitários podem funcionar também como ferramentas de protecionismo comercial, colocando em risco a isonomia nas relações internacionais. Embora a medida seja apresentada como uma forma de garantir padrões elevados de produção e sustentabilidade, percebo que ela acaba por beneficiar diretamente os produtores locais europeus, ao mesmo tempo que impõe exigências muitas vezes desproporcionais e de difícil cumprimento imediato para países emergentes, como o Brasil. Para mim, essa postura expõe uma contradição frequente nas negociações globais: defende‑se o livre comércio em teoria, mas, na prática, adotam‑se barreiras que preservam vantagens competitivas das economias mais ricas, sem garantir um diálogo equilibrado sobre adaptação e reconhecimento mútuo de critérios de qualidade.
 
Ana Amélia Lemos - ex-senadora na BANDNEWS - 17/06/26

Segundo Ana Amélia, a medida defendida por Macron camufla protecionismo comercial sob argumentos sanitários e ambientais, contrariando o espírito do acordo Mercosul‑UE. Ela alerta que a restrição prejudica produtores brasileiros e demonstra desigualdade nas regras do comércio internacional.

Interesses particulares e os entraves ao Projeto Iguaçu

Desvio de finalidade e os reflexos no desenvolvimento regional


Por: Alcy Maihoní *

Projeto Iguaçu – Nova Iguaçu/RJ
É um programa importante para controlar as cheias e recuperar os rios, No entanto, já tem mais de 20 anos e nunca foi concluído direito, parando e recomeçando várias vezes. A foto mostra trecho do rio e obras feitas até hoje, não existe imagem do projeto todo pronto, o que mostra bem a dificuldade de fazer as coisas andarem por aqui.

Observo que a exoneração de 250 servidores e a detecção de funcionários fictícios na Secretaria do Ambiente revelam por que tantas ações não avançam como deveriam. Ter profissionais desqualificados à frente de iniciativas fundamentais, como o Projeto Iguaçu, coloca em risco o futuro de milhares de famílias da Baixada Fluminense. Quando prevalecem interesses pessoais e privilégios sobre o bem comum, o dinheiro público deixa de servir obviamente à coletividade.

Nesse cenário, destaco as atribuições e competências do controle social e participativo: cabe à população acompanhar, fiscalizar, questionar e exigir transparência em todas as etapas da gestão, assegurando que os recursos sejam aplicados corretamente. Essa é uma ferramenta essencial para evitar desvios e manter a administração alinhada ao interesse público.

Destaco que o atraso não decorre apenas da falta de verbas, não obstante, da ausência de ética e competência. Defendo, portanto, que só com equipes qualificadas e o exercício pleno da cidadania será possível transformar projetos em realidade, garantindo que o investimento público resulte em progresso justo e duradouro para todos, ainda mais se tratando da questão no combate as enchentes.

Sobre o Projeto Iguaçu:

É um programa estratégico de macrodrenagem, controle de enchentes e recuperação ambiental que atua na bacia do Rio Iguaçu, Botas e Sarapuí passando por Nova Iguaçu e toda a Baixada Fluminense.

*Alcy Maihoní - Ex-membro do Fórum Regional de Acompanhamento do Projeto Iguaçu - PAC

REFERÊNCIAS

RIO DE JANEIRO. Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade. Projeto Iguaçu: macrodrenagem e recuperação ambiental da Baixada Fluminense. Rio de Janeiro: SEAS, 2026. Disponível em: https://www.rj.gov.br/seas. Acesso em: 16 jun. 2026.

RIO DE JANEIRO. Controladoria‑Geral do Estado. Relatório de gestão e aplicação de recursos públicos. Rio de Janeiro: CGE‑RJ, 2026. Disponível em: https://www.transparencia.rj.gov.br. Acesso em: 16 jun. 2026.

G1 RIO. Exonerações e funcionários fantasmas na Secretaria do Ambiente. Rio de Janeiro: Globo Comunicação, jan. 2026. Disponível em: https://g1.globo.com/rj. Acesso em: 16 jun. 2026.

domingo, 14 de junho de 2026

Dinheiro assegurado, obras paradas: a realidade dos R$ 49 milhões para Nova Iguaçu

A responsabilidade não é só da Caixa: cabe à gestão municipal apresentar projetos e licitações
 
Por Alcy Maihoní *

Há mais de nove meses, em setembro de 2025, Nova Iguaçu recebeu a notícia com grande publicidade: a habilitação de R$ 49 milhões do Novo PAC destinados ao combate às enchentes, reforçando as ações de macrodrenagem na cidade. O anúncio foi celebrado com alegria, apresentado como solução para um dos problemas mais antigos e dolorosos da população. Conforme o anúncio oficial, os recursos destinam‑se à construção de piscinões e obras de macrodrenagem ao longo da Via Light, com previsão inicial de beneficiar os bairros Centro, Luz, Santa Eugênia, Ouro Verde, Valverde, Jardim Nova Era e Aeroclube; a definição final dos locais dependerá da aprovação do projeto executivo pela Caixa Econômica Federal. No entanto, passados meses, a realidade mostra que a habilitação do recurso é muito distante da obra concluída. E a demora começa a gerar desconfiança, desgaste político sobre a real prioridade da gestão municipal.
 
Conforme as regras do contrato de repasse, a Caixa Econômica Federal tem prazo de até 30 dias para liberar a primeira parcela somente após a aprovação definitiva do projeto executivo; os valores subsequentes são disponibilizados gradualmente, conforme o andamento dos serviços, sob pena de cancelamento se não houver utilização em até 180 dias. O detalhe fundamental é que a liberação não depende apenas do banco federal: cabe à prefeitura apresentar projetos consistentes, obter licenciamentos e concluir licitações. Diferente do Projeto Iguaçu, a grande obra estruturante ainda em fase de planejamento, esses R$ 49 milhões seriam um reforço imediato para proteger regiões historicamente castigadas pelas chuvas; mas até agora, o que se vê é o anúncio repetido, sem a concretização que a população tanto espera.
 
A verdade nua e crua é que as enchentes não esperam por burocracia ou atrasos administrativos. Se a gestão não cumprir os requisitos necessários dentro do prazo estabelecido, corre‑se o risco de perder o investimento e, o que é pior, de deixar a cidade novamente desprotegida no próximo período de chuvas. A cobrança é clara: a população quer ver as máquinas trabalhando, não apenas comunicados anunciando valores que permanecem parados no papel.

Alô vereadores da cidade, prestem atenção e fiscalizem os trâmites deste novo PAC, cobrando do prefeito agilidade no processo!

*Alcy Maihoní - Ex-membro do Comitê Local de Acompanhamento das Obras do Projeto Iguaçu - Rio Botas/Nova Iguaçu

Referências:
- Portal Novo PAC – Seleções 2025
- Contrato de Repasse Caixa Econômica Federal nº 907899/2025
- Anúncio oficial da Prefeitura de Nova Iguaçu, 19/09/2025

sábado, 13 de junho de 2026

A espera sem fim: quando será homologado o concurso de saúde de Nova Iguaçu?

População cobra Dudu Reina: demora prejudica a saúde e desrespeita os aprovados

Fachada da Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu (SEMUS), órgão gestor do concurso público que aguarda homologação.

H
á mais de dois meses, mais de 300 profissionais aprovados no concurso da Saúde de Nova Iguaçu permanecem no vácuo, sem qualquer previsão oficial de homologação por parte do prefeito Dudu Reina. Cumpriram todas as regras e provaram sua competência, e essa demora injustificada não coloca em risco apenas seus projetos de vida: representa também uma escolha que deixa a rede pública carente de reforços exatamente quando a população mais necessita de atendimento qualificado. Chama ainda mais atenção a ausência de uma cobrança pública e firme por parte do Conselho Municipal de Saúde, órgão criado para fiscalizar e defender os interesses da saúde coletiva, que permanece em silêncio diante de uma situação que afeta diretamente a qualidade dos serviços oferecidos.

A cobrança da sociedade é mais do que legítima, é um direito. A burocracia não pode servir de desculpa para protelar o que já deveria estar concluído. Cabe ao prefeito dar explicações claras e cumprir com suas obrigações: a homologação não é um favor, mas um ato de justiça com os aprovados e de compromisso com todos os moradores de Nova Iguaçu.

Fontes de pesquisa:
PREFEITURA DE NOVA IGUAÇU. Edital nº 01/2025 – Concurso Público da Secretaria Municipal de Saúde. Nova Iguaçu: SEMUS, 11 ago. 2025. Disponível em: https://conhecimento.fgv.br/concursos/smsnovaiguacu. Acesso em: 12 jun. 2026 .

BRASIL. Constituição Federal de 1988 (art. 37, inciso IV); Lei Federal nº 8.112/1990. Dispõem que a homologação deve ocorrer após conclusão de todas as etapas, como ato de reconhecimento oficial dos aprovados.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Vorcaro apresenta acusações contra Alcolumbre e PT da Bahia e matéria requer apuração judicial

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria pago US$ 30 milhões ao senador Davi Alcolumbre. A matéria de Robson Bonin também mostra os detalhes da ligação entre o PT da Bahia e o caso do Banco Master.

Comentário do Maihoní: A informação não se trata de fake news, todavia corresponde ao teor da reportagem jornalística e da proposta de colaboração apresentada às autoridades, configurando‑se como acusação e não como fato definitivamente provado. Cabe ao Ministério Público e ao Judiciário apurar a veracidade das alegações, assegurando‑se o direito de defesa e a presunção de inocência de todos os citados até que haja decisão judicial transitada em julgado.

Fonte pesquisada: Vorcaro acusa Alcolumbre de receber US$ 30 milhões e detalha laços com o PT da Bahia. Reportagem de Robson Bonin. São Paulo: Editora Abril, 11 jun. 2026. Disponível em: https://veja.abril.com.br/politica/alcolumbre-e-pt-da-bahia-aparecem-em-novo-capitulo-das-revelacoes-de-vorcaro/. Acesso em: 12 jun. 2026.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Ministro Benedito Gonçalves é aprovado pelo Senado e é o novo Corregedor do CNJ

O Senado aprovou, em 4 de junho de 2026, a indicação do ministro Benedito Gonçalves para o cargo de Corregedor Nacional de Justiça, com placar de 53 votos a 16. O mandato vai até 2028.

A sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) abordou o caso Banco Master: ele relatou ter se declarado suspeito em determinados processos da causa, conforme previsto na lei processual.

A frase “missão dada é missão cumprida” foi mencionada em debates políticos e na própria sabatina como uma declaração que ele teria proferido em evento de diplomação; o ministro já se manifestou sobre o contexto da fala. 

Fonte oficial: Senado Federal 

COMENTÁRIO DO MAIHONÍ: Defendo que a reforma política torne o voto no Senado Federal aberto, pois acredito que isso traz mais transparência e democracia de verdade. Para mim, é um direito da população saber exatamente como cada representante vota, já que, assim, podemos acompanhar, cobrar responsabilidade e conferir se quem elegemos está realmente agindo em favor dos nossos interesses.

Destaco o exemplo de transparência representado pelos quatro senadores que romperam o silêncio e revelaram seu posicionamento contrário à indicação. A saber: Damares Alves, Eduardo Girão, Magno Malta e Marcos do Val.


segunda-feira, 8 de junho de 2026

Alerta Geral: Ministério suspende 500 mil doses da vacina da dengue do Butantã

Referência nacional em pesquisas, o instituto tem produto retirado de circulação; população fica em alerta máximo para sintomas de risco após imunização.
Foto meramente ilustrativa 

A suspensão imediata de 500 mil doses da vacina contra a Dengue fabricadas pelo Instituto Butantã, anunciada pelo ministro Alexandre Padilha após o registro de duas mortes e 42 casos de reação severa, abalou a confiança da população e acendeu um alerta vermelho na saúde pública. Diante desse quadro grave, é fundamental que quem já se vacinou fique extremamente atento a sinais como febre, dor abdominal intensa ou sangramento, procurando socorro médico com urgência ao perceber qualquer um desses sintomas, enquanto a sociedade cobra explicações sobre como um produto de referência chegou a oferecer riscos tão graves à vida das pessoas.

Fontes: 
Agência Brasil / EBC - dia 08/06/2026.
​G1 / Globo.

domingo, 7 de junho de 2026

A tragédia financeira dos Correios: dinheiro público desperdiçado e governo que não age

Sem atitude firme do Planalto, única saída viável dos Correios será a privatização 

Por: Alcy Maihoní 

É inaceitável que os Correios, uma empresa 100% pública, tenha acumulado um prejuízo de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Conforme balanço oficial divulgado pela própria estatal em 30 de maio de 2026 e confirmado por veículos como Agência Brasil, G1 e Exame . Esse rombo, que representa um aumento de 82,3% em relação ao mesmo período de 2025, é pago diretamente pelo contribuinte, que já sofre com uma das cargas tributárias mais altas do mundo. O que torna tudo ainda mais grave é que o atual presidente da República, ao invés de agir com firmeza para corrigir essa distorção e defender o patrimônio do cidadão, segue se omitindo e permitindo que essa máquina de desperdício continue funcionando como moeda de troca política para agradar aliados, enquanto a gestão técnica e o interesse público ficam, mais uma vez, em segundo plano. Essa tragédia financeira não acontece por falta de potencial ou mercado, mas sim porque a instituição funciona hoje como um cabide de empregos políticos, onde indicações partidárias prevalecem sobre a competência técnica e a eficiência. O resultado é uma estrutura inchada, custos absurdos e tecnologia defasada, que fazem a empresa perder espaço para a iniciativa privada enquanto o erário segue sendo sangrado sem que ninguém assuma a responsabilidade.
 
Para reverter esse quadro insustentável, é urgente adotar mudanças estruturais profundas: substituir a gestão política por critérios técnicos rigorosos, enxugar a máquina administrativa e transformar a capilaridade nacional dos Correios em uma plataforma lucrativa para todo o setor de logística. Além disso, é fundamental criar mecanismos legais que responsabilizem os gestores, fazendo com que prejuízos não sejam mais cobertos automaticamente pelo povo, mas sim deduzidos da remuneração daqueles que comandaram mal a instituição. Ou nós implementamos essa revolução de governança, deixando de tratar o dinheiro do povo como favor político, ou a privatização se tornará a única saída para acabar com um rombo que o Brasil já não tem condições de bancar.
 
Fonte referência de dados:

BRASIL. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Demonstrações Contábeis do 1º Trimestre de 2026. Brasília: Correios, 30 maio 2026. Disponível em: https://saladeimprensa.correios.com.br/arquivos/14005. Acesso em: 6 jun. 2026 .

AGÊNCIA BRASIL. Correios ampliam prejuízo para R$ 3,16 bilhões no 1º trimestre. Brasília: EBC, 1 jun. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-06/correios-ampliam-prejuizo-para-r-32-bilhoes-no-1o-trimestre. Acesso em: 7 jun. 2026 .

PIX: Conquista do Banco Central

Venha e convenhamos que não caracteriza autoria de político ou de partido. 

Esta postagem é direcionada para as pessoas conservadoras de direita, assim como eu que defende a luz da verdade e repudia fake news. 

A narrativa que apresenta o PIX como criação exclusiva e feito heroico do governo de Jair Bolsonaro é uma clara apropriação política de uma conquista institucional: embora tenha sido lançado em sua gestão, o sistema foi idealizado e desenvolvido ao longo de anos pelo Banco Central, com trabalhos iniciados ainda em 2016 e estruturados em 2018, antes mesmo de seu mandato começar. Dizer que ele poderia ter engavetado o projeto para proteger os bancos é um equívoco sobre a autonomia do BC, que existe justamente para afastar essas decisões de interesses políticos, e transformar essa inovação em troféu de um grupo é desonesto com a verdade: o PIX pertence aos técnicos que o construíram e ao povo que o usa, não a um governo ou partido, sendo correto apenas dizer que foi entregue à população durante sua administração, mas nunca criado por ela.

✅ CONCLUSÃO: Todas as fontes oficiais e independentes confirmam:

O PIX É DO BANCO CENTRAL, NÃO DE UM GOVERNO.

Bolsonaro apenas presidiu o lançamento. Não criou, não aprovou, nem poderia ter cancelado.

Declaração do próprio Bolsonaro (outubro/2020): "Eu não sabia direito o que era o Pix, não conhecia o projeto até pouco tempo antes de lançar" - veiculado na Folha de S.Paulo e UOL.

sábado, 6 de junho de 2026

EDUCAÇÃO EM NOVA IGUAÇU: ESTAGNAÇÃO QUE CUSTA O FUTURO

Bilhões de orçamento, resultados raquíticos: são 8 anos de nenhum avanço enquanto outras cidades crescem
Foto meramente ilustrativa

Por: Alcy Maihoní *

Os dados do IDEB 2023 expõem uma realidade vergonhosa para Nova Iguaçu. Nos anos iniciais do fundamental, o município obteve apenas 4.6, ficando na 87ª posição entre 92 cidades do estado, 0.8 ponto abaixo da meta estadual. O mais grave é que esse número representa quase nenhuma evolução: em 2015 a nota já era 4.5, ou seja, oito anos se passaram sem avanços significativos, enquanto cidades como Niterói e Petrópolis atingiram patamares muito superiores.
 
A situação se agrava nos anos finais, onde a nota despenca para 3.8, abaixo até do índice de 2015, que era 3.9. Longe da meta de 5.0, o resultado coloca a cidade novamente entre as últimas colocadas. O problema não é apenas de aprendizado: a taxa de distorção idade-série de 22% revela um sistema falho, marcado por reprovação e abandono, onde um em cada cinco alunos está defasado em relação à série que cursa.
 
Esses números provam que o déficit educacional não é por falta de condições, mas por ausência de projeto e prioridade política. Sendo a quarta maior cidade do Rio, com orçamento bilionário, o desempenho medíocre e a estagnação de uma década desmascaram a propaganda oficial. Enquanto a educação for tratada como gasto e não como investimento, quem paga o preço mais alto são os estudantes, que continuam tendo seu futuro roubado por uma gestão que falha em sua missão mais essencial.

O papel do CME-NI

Dotado de poder normativo, deliberativo e fiscalizador, o Conselho Municipal de Educação de Nova Iguaçu (CME-NI) deve agir com rigor para reverter o fracasso do ensino em Nova Iguaçu: pode criar metas obrigatórias de evolução do IDEB, reestruturar o currículo com foco em Português e Matemática, implementar aceleração de estudos e recuperação paralela para enfrentar a alarmante distorção idade-série de 22%, além de exigir avaliações constantes para corrigir falhas de aprendizado. Paralelamente, cabe ao órgão controlar estritamente a aplicação dos 25% do orçamento e dos recursos do FUNDEB, garantindo que sejam investidos em sala de aula e não em propaganda ou burocracia, cobrando da Secretaria planos concretos, auditando resultados e ganhando protagonismo para pressionar a gestão a abandonar a estagnação de uma década e finalmente priorizar a educação como verdadeira política pública.

Fonte de dados: IDEB 2023 / qedu.org.br
Alcy Maihoní - Ex-conselheiro de Educação de Nova Iguaçu 

sábado, 30 de maio de 2026

O projeto que expõe o que ainda falta em Nova Iguaçu

Uma medida necessária que revela desigualdades históricas 

Recorte extraído do Jornal Correio da Lavoura
Capa da edição 30/05/2026

Por Alcy Maihoní 

A aprovação em primeira discussão do programa “Rua Com Nome”, do vereador Alcemir Gomes, é uma medida necessária e simbólica para Nova Iguaçu, mas que ao mesmo tempo expõe um problema grave e histórico e traz à tona a urgente necessidade de organizar e oficializar o bairramento da cidade: até hoje, muitas ruas, vielas e comunidades permanecem sem identificação oficial, delimitações claras ou registros adequados, o que torna difícil sua localização, deixa seus moradores à margem de direitos básicos como receber correspondências, acessar serviços públicos ou obter atendimento rápido em emergências, além de fazer com que esses locais permaneçam invisíveis, sem o sentimento de pertencimento e sem o devido reconhecimento do poder público — uma ação que também se alinha ao que prevê o Plano Diretor do município, instituído pela Lei nº 4.092, de 28 de junho de 2011, documento que já estabelece como diretriz fundamental a ordenação territorial e a regularização dos espaços urbanos como forma de garantir desenvolvimento justo e inclusivo, embora ainda falte transformar esses princípios em prática concreta.
 
Essa realidade não se resolve apenas com a aprovação de leis, pois dar nome às ruas é só o primeiro passo de um trabalho maior, que exige recursos, cronogramas definidos e, principalmente, vontade política para chegar às regiões mais esquecidas, estruturar toda a divisão territorial da cidade e garantir que essa iniciativa não fique só no papel ou sirva apenas como propaganda, mas sim traga mudança real, tornando cada bairro reconhecido, valorizado e bem atendido por quem governa.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Oportunidade que muda vidas: projeto de Chico Miranda abre portas para órfãos

Oportunidade para órfãos: autonomia e chance de construir sua própria família
 
Foto meramente ilustrativa extraída site
Prefeitura de Nova Iguaçu: 
Casa de Acolhida Flor de Laranjeira.

A proposta do deputado estadual Chico Miranda (PL-RJ), em tramitação na ALERJ, chega como uma medida de justiça social ao determinar vagas prioritárias no programa Jovem Aprendiz para órfãos abrigados em centros de adoção. A iniciativa ganha ainda mais relevância por vir justamente em ano eleitoral, num cenário onde projetos costumam ser mais retóricos do que práticos. Todavia, este, ao contrário, toca numa ferida real: a dificuldade enorme de crianças e adolescentes serem adotados depois dos 13 anos, idade a partir da qual as chances de ganhar uma família caem drasticamente, deixando muitos sem perspectiva de acolhimento e de futuro.
 
Mais do que uma vaga de trabalho, o projeto oferece o que talvez seja o alicerce mais importante para quem nunca teve estrutura: a possibilidade de aprender uma profissão, conquistar autonomia e sair da condição de vulnerabilidade. Ao garantir prioridade, a lei reconhece que esses jovens não contam com o suporte familiar que ajuda outros adolescentes a entrarem no mercado de trabalho, e coloca o Estado como responsável por suprir essa lacuna. O objetivo é claro: dar a eles condições de construir o próprio caminho, ter renda, moradia e, principalmente, formar a própria família. Algo que, por destino, nunca puderam ter quando eram crianças.
 
Trata-se de uma medida que não resolve todos os problemas, mas que ataca a raiz da exclusão. Se aprovada, transforma o Jovem Aprendiz de um programa profissionalizante numa ferramenta de inclusão definitiva, mostrando que política pública pode e deve olhar para quem mais precisa. A proposta de Chico Miranda vai além de empregar: devolve dignidade, abre caminhos e prova que, com atenção e vontade, é possível oferecer a esses jovens o que lhes foi negado: uma chance de recomeçar e escrever a própria história.

ALERJ aprova banheiros neutros

Projeto aprovado agora segue  para governador sancionar ou vetar
Foto: ACG News

Na quarta-feira, 27 de maio de 2026, a ALERJ aprovou projeto de lei que cria banheiros neutros para pessoas trans e não binárias em locais de grande circulação. A proposta, que surpreendeu ao contar com o voto favorável do deputado Alan Lopes (PL-RJ), segue agora para análise e decisão do governador, podendo ser sancionada ou vetada.
 
A medida segue a lógica simples: banheiros femininos e masculinos mantêm suas regras tradicionais, enquanto o espaço neutro atende especificamente quem precisa, sob o princípio de "cada um no seu quadrado". A solução busca organizar os espaços, garantir dignidade e segurança a todos, mostrando que é possível conciliar ordem e respeito às diferenças.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

EUA e Brasil: para Donald Trump, alinhamento vale mais que negociação; diferença fica fora da cobertura

Foto: Flávio Bolsonaro e Trump juntos nesta terça-feira (26)

Terras raras, PCC e China. Reunião estratégica entre Trump e Flávio Bolsonaro no salão oval 

O Brasil é peça-chave na América Latina por recursos e influência. Lula negocia por necessidade e tenta equilibrar EUA e China, o que deixa espaço para pressão americana. Já Flávio defende alinhamento claro com os EUA, modelo que, na prática, é o preferido de Trump. Essa diferença fundamental é o que a imprensa não costuma debater.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Presidenciável de direita vai encarar reduto da esquerda no nordeste


A investida de Flávio Bolsonaro nas festas juninas da Paraíba e de Pernambuco não é apenas uma agenda de campanha, mas um movimento calculado para romper a barreira que há décadas mantém o Nordeste como território político intocado do PT; ao explorar a insatisfação com promessas não cumpridas e a falta de desenvolvimento efetivo, ele transforma a tradicional celebração popular num palco para propor uma nova narrativa, onde a região deixa de ser apenas base de apoio para se apresentar como protagonista de um projeto alternativo. Um sinal claro de que a disputa eleitoral de lá para frente será travada dentro do próprio terreno que antes era considerado domínio exclusivo da esquerda.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

Acordo pelo fim da escala 6x1: pretensão política pode levar a demissões em massa e queda de renda

A proposta da medida pelo fim da escala 6x1, fruto de acordo político, representa uma intervenção direta na estrutura de custos e produtividade das atividades que adotam essa jornada, especialmente em setores com operação contínua ou alta demanda; ao reduzir a carga horária semanal sem correspondente ganho de eficiência ou compensação econômica, cria-se um descompasso entre os gastos com pessoal que logicamente tendem a aumentar para manter a mesma capacidade operacional. E a receita das empresas, cenário que, na visão crítica apresentada, tende a ser resolvido com redução de quadros, gerando desemprego em massa e comprometendo a renda e a segurança alimentar do trabalhador, demonstrando que os efeitos práticos da norma podem ser inversos ao resultado social esperado, por desconsiderar as restrições operacionais e financeiras do mercado de trabalho.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Caso Banco Master: a demora que protege quem não quer explicações

Suspeitas graves, apuração postergada: a quem interessa mantermos fatos nos bastidores?

Artigo de Opinião
Foto: TV Senado
A decisão do presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, de não instalar a CPMI destinada a investigar o caso Banco Master levanta uma questão essencial para todo o país: a quem serve a demora na apuração? A CPMI é instrumento constitucional criado para garantir que o Parlamento exerça seu papel fiscalizador, especialmente diante de suspeitas de irregularidades que atingem o sistema financeiro e colocam em risco o patrimônio de milhares de investidores. Adiar ou inviabilizar essa investigação é ação ilógica, não é apenas uma questão técnica, outrossim, um gesto que alimenta a percepção de proteção política e corrói a confiança nas instituições. No centro do debate estão pontos graves que precisam ser esclarecidos: circulam dúvidas sobre a atuação de autoridades e sobre possíveis orientações dadas ao empresário Daniel Vorcaro, envolvendo alegações de conselhos indevidos, uso de influência ou práticas que configuram fraude. Nenhuma dessas questões pode ficar restrita a versões de bastidores; a gravidade do tema exige que tudo seja tratado com seriedade e levado ao conhecimento público.
 
O caminho para restabelecer a credibilidade é único e não deixa espaço para meias-medidas: é necessária uma investigação técnica, independente e célere, conduzida por todos os órgãos competentes: Congresso, Banco Central e Ministério Público. O Brasil não pode normalizar a prática de blindar politicamente pessoas ou grupos diante de crises financeiras, nem aceitar que a falta de explicações seja a resposta para a sociedade. A transparência é o único caminho aceitável quando o interesse público está em jogo, pois esclarecer os fatos não é apenas uma obrigação legal, mas uma forma de proteger o mercado, garantir segurança ao investidor e preservar a democracia.

domingo, 17 de maio de 2026

A cultura que chega às escolas: um alerta que vem de longa data


O ator Juliano Cazarré comenta sua visão sobre os efeitos das políticas de educação sexual nas escolas e faz críticas à influência do funk na forma como mulheres são retratadas. Um tema que gera debates intensos, opiniões divergentes e muitas discussões sobre valores, educação e sociedade. Fonte/vídeo: Reflexão em foco
 

Por Maihoní
 
Corroboro integralmente a visão e as colocações apresentadas por Juliano. É inegável que o baixo nível de manifestações musicais se alastrou de forma descontrolada e o que é ainda mais preocupante é que esse cenário encontra terreno fértil e portas abertas dentro das unidades de ensino.
 
Não se trata de uma crítica passageira ou de um fato isolado. Para ilustrar a gravidade da questão, é oportuno resgatar um episódio que marcou a realidade educacional de Nova Iguaçu, ocorrido no ano de 2017, em uma escola municipal localizada no bairro Jardim Nova Era. À época, a ação foi promovida pela Secretaria de Cultura e ganhou contornos de polêmica nas redes sociais da internet, diante dos princípios que devem reger o ambiente escolar.
 
Eu ocupava, na ocasião, o cargo de vice-presidente do Conselho Municipal de Educação quando recebi a denúncia. O relato descrevia um evento impactante, no qual uma cantora levou aos alunos um repertório com conteúdos de tom muito forte e inadequado para o público infantil e juvenil.
 
Prontamente, me desloquei até a instituição para verificar a situação e conversei diretamente com o diretor da escola. O que ouvi foi surpreendente e, ao mesmo tempo, preocupante: com total tranquilidade, ele afirmou não ter identificado qualquer problema ou impropriedade na apresentação. Mais do que isso, classificou a atividade como uma “surpresa” positiva, que havia agradado bastante aos estudantes e tudo isso havia sido realizado no horário do recreio, momento de convívio e descanso dentro da rotina escolar. Detalhe: Pais e responsáveis de alunos ausentes. 
 
Esse caso, que completa anos, permanece como um alerta. Ele revela um desafio que segue presente: a necessidade de zelar pela qualidade e pela adequação das manifestações culturais que entram nas escolas, espaços que devem ser, acima de tudo, locais de formação, referência e proteção para as novas gerações.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Viagem de trem: desconforto diário que precisa de solução definitiva

Metrô até Nova Iguaçu é única forma de aliviar o sistema ferroviário

Por Alcy Maihoní 
Foto: reprodução Redação Tupi
Nesta quinta-feira (7), após consulta médica em Vila Isabel, optei por voltar para casa de trem, partindo da estação Maracanã no horário de pico. Os vagões já estavam completamente lotados, e a situação piorou em Deodoro, com a entrada de ainda mais passageiros, gerando um ambiente abafado e insuportável.
 
O calor e a aglomeração foram tão intensos que minha pressão caiu e passei mal, sendo obrigado a descer em Anchieta para me recuperar. Após alguns minutos, embarquei em outro trem, que também estava cheio, mas com espaço suficiente para uma viagem tranquila até Nova Iguaçu, onde desembarquei em segurança.
 

Quem usa diariamente o ramal Japeri x Central do Brasil enfrenta essa realidade dura todos os dias. Os pontos principais da integração (maio de 2026), que está recentemente em operação no terminal Pedro Fernandes: Novo terminal em Irajá para conectar as linhas intermunicipais de Nova Iguaçu e Mesquita ao sistema BRT, que resultou em disputa política entre a prefeitura do Rio e o Governo do Estado (Detro), que questionaram a competência regulatória das novas linhas. O objetivo da prefeitura é reduzir o número de ônibus paradores na Avenida Brasil e integrar totalmente a Baixada ao sistema de transporte de alta capacidade, mas na prática ainda não é solução para aliviar outra enorme demanda que é a malha ferroviária. Por isso, a proposta de implantação do BRT não resolve o problema: ele não tem capacidade nem estrutura para suprir toda a necessidade dessa rota, além de estar sujeito a problemas do trânsito.
 
A solução necessária e urgente é a extensão do metrô até Nova Iguaçu. Essa obra, que já deveria ter saído da prancheta, vai aliviar o sistema ferroviário, garantir viagens dignas, rápidas e seguras, e é o que o governo do Estado deve priorizar para atender à população da Baixada Fluminense.

sábado, 2 de maio de 2026

Esquerda comunista tentou intimidar deputado de direita

Dep. Federal: Marcel van Hattem tem que tomar muito cuidado doravante

Descondenado, impopular e farsante na luta de classes no poder

Foto: Reprodução TV/Globo

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m meio à crescente impopularidade, o Presidente Lula recorre à luta de classes contra a elite que integra há décadas, tendo sido descondenado pelo sistema que hoje critica para blindar o establishment e reprimir opositores, enquanto sustenta a falsa narrativa de representante dos trabalhadores; na prática, simboliza uma elite política parasitária do Estado, sob a qual a carga tributária é recorde, o trabalho honesto se torna inviável, a criminalidade é favorecida pelo garantismo penal e protestos pacíficos são criminalizados, sintetizando o colapso moral do país sustentado por assistencialismo, pseudointelectuais do Estado e empresários aliados, razão pela qual seu fim político deve marcar uma virada nacional.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

Linhas intermunicipais e o descaso da Tinguá expõe negligência do governo estadual

O transporte público na Baixada: quando o direito vira castigo
 
Crédito da foto: Oziel Bruno de Almeida
Extraído do grupo De Olho em Nova Iguaçu
 

Viajar de ônibus na Baixada Fluminense virou um teste de resistência, especialmente nas linhas operadas pela empresa Tingua. Como relatado na rota Ponto Chic x Central, veículos saem do ponto final já com defeitos, como ar-condicionado quebrado, e motoristas ignoram pedidos dos passageiros, só admitindo o problema ao encontrar fiscais. A situação se repete em todas as rotas: Central x Cabuçu, Boa Esperança x Central e linha 492 segundo passageiros contam como "verdadeiras sucatas, bancos quebrados, água pingando, janelas lacradas e horários irregulares, como o término precoce do serviço aos sábados." Tudo isso é oferecido por uma tarifa que chega a quase R$15,00, valor totalmente incompatível com a qualidade precária e o descaso com quem paga.
 
Essa realidade humilhante não pode mais ser tolerada, ainda mais sabendo que todas essas são linhas intermunicipais, cuja gestão, regulamentação e fiscalização são responsabilidade exclusiva do governo estadual, por meio do Detro-RJ e da Secretaria de Transportes. A empresa age como se estivesse acima das regras, sem cumprir contratos e normas básicas, enquanto a população sofre prejuízos na rotina, no trabalho e nos estudos. Não é justo que paguemos caro para receber um serviço que não atende nem as condições mínimas de conforto e segurança.
 
Diante de tanta negligência, cobramos ações imediatas: do governo estadual, fiscalizações rigorosas, multas severas e renovação urgente da frota; dos deputados estaduais da ALERJ, que exerçam seu papel de representação, proponham leis mais rígidas e acompanhem cada denúncia. O prefeito de Nova Iguaçu, Dudu Reina, pode apoiar e intervir na causa, mas a obrigação legal é do Estado. Chega de descaso! O transporte público é direito de todos, e só vai mudar quando as autoridades deixarem de fechar os olhos e colocarem o respeito ao cidadão como prioridade.

PRESIDENTE E SUA TURMA DO MST

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Aproximação segura: O Galeão não impede o futuro do aeroporto de Nova Iguaçu

Localização estratégica: perto da Dutra e do Arco, o espaço é ideal para logística e negócios 
 
 Por Alcy Maihoní *
 
Foto extraída: grupo Reabertura do Aeroporto 

Há décadas, o Aeródromo de Nova Iguaçu jaz inativo, servindo mais como espaço para eventos ocasionais ou como tema de promessas não cumpridas do que como o equipamento estratégico que poderia ser. Recentemente, voltou à tona o debate sobre seu futuro, com duas visões que se chocam: a de quem defende sua transformação em um grande parque urbano e a de quem acredita em sua retomada como polo de aviação.
 
A pergunta que não quer calar é: É possível e viável reativá-lo para aviação geral, pequenas aeronaves, táxi aéreo e transporte de cargas?
 
A resposta, baseada em dados técnicos, na história e na geografia da cidade, é um sonoro SIM. É totalmente possível e viável.
 
A prova do passado

Quem diz que não dá, esquece que já deu. Em 2009, após obras de recuperação, o local chegou até ser liberado pela própria ANAC para operar, porém houve alguns empecilhos que travou os trâmites. A pista tem 1.260 metros de comprimento por 30 metros de largura, medidas mais do que suficientes para receber aeronaves de pequeno e médio porte, táxi aéreo e cargas leves, sendo comparável a aeroportos regionais que estão em plena atividade pelo Brasil afora.
 
O argumento do Galeão não serve para tudo

Muitos políticos, urbanistas e figuras públicas iguaçuanas defendem a ideia do "parque", alegando que a proximidade com o Aeroporto do Galeão e a questão do cone de aproximação tornam a operação aérea impossível. Esse argumento, porém, é válido apenas se a intenção fosse receber grandes aviões comerciais, jumbos ou voos internacionais de larga escala. Ninguém está propondo isso.
 
O que se defende é o uso para aviação geral. E tecnicamente, é perfeitamente possível operar pequenas aeronaves mesmo na mesma área de aproximação, desde que haja planejamento e coordenação com o controle de tráfego aéreo, algo que já foi feito no passado e que está dentro das normas da aviação civil. Negar a possibilidade de uso por completo é ignorar a realidade técnica e desperdiçar um patrimônio público.
 
E quanto ao Parque?
Recorte: extraída Instagram Movimento Social Aeroparque NI

O renomado arquiteto e urbanista Vicente Loureiro (2026) recentemente deu sua opinião em defesa da criação do Parque Urbano:
 
"Um parque tem um papel transformador, ele é hoje talvez um dos equipamentos mais importante quando você fala em querer criar, fortalecer a autoestima, fortalecer o senso de pertencer ao lugar, eu acho o parque insubstituível."
 
Concordo plenamente com Vicente e com a importância vital de áreas verdes para a cidade. No entanto, indago: tem que ser necessariamente no espaço do aeródromo? Considerando que Nova Iguaçu possui muitas outras grandes áreas vazias e disponíveis, seria perfeitamente viável criar um "mega parque" em outro local, preservando assim a infraestrutura aeroportuária que já existe e que tem vocação única.
 
Localização e economia a favor

Além das condições técnicas, o aeródromo tem uma localização privilegiada. Está próximo à Dutra, ao Arco Metropolitano e ao Porto de Itaguaí. Isso o torna um ponto estratégico para logística, transporte de mercadorias, apoio à indústria e ao comércio da Baixada Fluminense.
 
Economicamente, faz todo sentido:
 
Existe demanda reprimida por voos executivos, transporte para plataformas, remoções e táxi aéreo na região. Hoje, quem precisa disso tem que se deslocar até o Rio, perdendo tempo e dinheiro.
A reabertura geraria empregos diretos e indiretos, atraindo empresas de manutenção, escolas de aviação e serviços.
Com uma gestão profissional, seja direta ou por parceria, o local pode se tornar autossustentável financeiramente.
 
O que falta? Vontade política.

Para tirar do papel, basta cumprir as exigências da ANAC: recuperar a pista, instalar sinalização e iluminação adequadas, garantir as áreas de segurança e elaborar um plano de voo coordenado. Tudo isso é factível e tem custo compatível com os benefícios.
 
O grande entrave, na prática, não é técnico nem legal. É político. Falta decisão para investir e priorizar o que é melhor para o desenvolvimento da cidade.
 
Nova Iguaçu tem tamanho, tem economia e tem localização para ter um aeródromo funcional. Não é questão de escolher "ou o parque ou o aeroporto", pois há espaço para os dois. Todavia, é inaceitável que, por falta de informação ou por interesses que não priorizam o progresso, se tente convencer a população que é impossível fazer Nova Iguaçu decolar novamente o que já está ali, pronto para ser usado.
 
O Aeródromo de Nova Iguaçu pode sim ser um vetor de desenvolvimento. Basta que nossos gestores olhem para cima e vejam o potencial que está no chão, esperando por uma decisão.

*Alcy Maihoní - Ex-conselheiro do Conselho Municipal de Política Urbana e Gestão Territorial (COMPURB)