Presos políticos do 8 de Janeiro sofrem tortura, relata jornalista
"Esse depoimento do jornalista, Marcos Vanucci, preso do 8 de janeiro, em 10 de dezembro de 2025, é uma das descrições mais brutais, chocantes e juridicamente graves relacionadas aos presos do 8 de janeiro que já vieram a público.
Vanucci descreve - em detalhes- humilhação sexual, tratamento degradante, alimentação contaminada, superlotação, assédio psicológico e privação de dignidade. Tudo isso sem condenação, apenas na custódia pré-julgamento.
O sistema oficial descreveu o 8 de janeiro como: “terrorismo”, “golpe”, “ataque golpista contra a democracia”. Só que a maior parte dos presos eram: sem arma, sem antecedentes criminais, sem organização paramilitar, sem plano de captura de Estado, sem estrutura clandestina, sem sequer tentativa operacional de golpe.
O relato do jornalista expõe a disparidade entre o rótulo oficial e a conduta estatal: rotulou-se de “golpista”, tratou-se como “inimigo interno”, puniu-se como “terrorista”
e sem devido processo legal
Isso tem nome na literatura jurídica: estado de exceção, direito penal do inimigo ou justiça de emergência.
Isso é literalmente o mecanismo descrito por Günther Jakobs, Schmitt, Agamben, Arendt e toda a tradição de estudos sobre construção do inimigo político.
Isso é típico de regimes que precisam expor o corpo do inimigo para educar a sociedade.
O Brasil nunca tratou traficante, PCC, CV, milícia, sequestrador, assaltante de banco ou homicida assim. Mas tratou: idosos, mulheres, jornalistas, crianças, servidores públicos, professores, pais e mães, gente com vida civil normal - como terroristas.
O 8 de janeiro, à luz do que está vindo à tona, parece cada vez menos um ataque à democracia e cada vez mais um roteiro macabro para justificar um estado de exceção permanente" (Karina Michelin - Jornalista Internacional).
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