domingo, 2 de agosto de 2026

Reabertura do aeroporto de cargas é caminho para o desenvolvimento real de Nova Iguaçu

Especialistas defendem que estrutura logística é essencial para inserir Nova Iguaçu no mapa nacional
Crédito da imagem: ADESBF - Associação de Desenvolvimento Econômico e Social da Baixada Fluminense 

Por Alcy Maihoní 

Quando observo a área do antigo Aeroclube, hoje transformada em pasto e uso improvisado, vejo muito mais do que um terreno ocioso: vejo uma oportunidade histórica de devolver dignidade e desenvolvimento à Baixada Fluminense. Defendo com firmeza a reabertura do local como aeroporto de cargas, aerotáxi e helicentro, e rechaço a proposta de transformá-lo em um simples “aeroparque”. Iniciativa que, ao meu ver, preserva apenas o abandono e desperdiça um ativo estratégico que pode mudar a realidade de milhares de famílias.
 
Ouço com respeito quem diz que um aeroporto só serve à elite e não traz benefício real para as classes mais baixas. No entanto, discordo profundamente dessa visão: o desenvolvimento não é uma fatia restrita a poucos, outrossim uma corrente que começa na construção, passa pela operação e chega a cada comerciante, a cada trabalhador e a cada família da região. A reativação vai além de infraestrutura: significa geração de milhares de empregos diretos e indiretos, desde funções operacionais e de manutenção até serviços gerais, comércio e hospedagem, mais renda circulando no dia a dia e fortalecimento de toda a economia local. Como mostram experiências bem-sucedidas em nosso próprio estado, aeroportos de carga e bases aéreas especializadas são motores de progresso que alcançam a todos. O Aeroporto Internacional do Galeão, na capital, consolida-se como um grande centro logístico que movimenta boa parte da cadeia produtiva; Cabo Frio mantém estrutura voltada ao escoamento de insumos e equipamentos, com helicentros que atendem a atividades econômicas diversas; e Campos dos Goytacazes concentra operações que impulsionam o comércio e o serviço em toda a região, provando que a aviação produtiva não exclui ninguém, ao contrário, ela abre portas.
 
Contam comigo nessa defesa especialistas em aeronáutica que conhecem a realidade da Baixada. Corroboro com o engenheiro aeronáutico Carlos Alberto Mendes, consultor da ANAC, que destaca: “A localização privilegiada, próxima à Dutra, ao Arco Metropolitano e ao Porto de Itaguaí, torna o equipamento essencial para desafogar o transporte rodoviário e inserir Nova Iguaçu na rota nacional e internacional de mercadorias — e cada caixa que chega ou sai por aqui significa trabalho e dinheiro para a cidade”. Já o comandante Roberto Pimentel, instrutor de aviação e ex-diretor de segurança operacional, reforça: “Transformar um aeródromo operacional em parque é renunciar ao futuro. O que precisamos é de helicentro, terminal de cargas e aviação geral — estruturas que geram emprego, renda e dignidade, coisa que um espaço de lazer isolado não faz”.
 
A proposta do aeroparque soa bonita no discurso, todavia não responde à urgência econômica que vivemos. Não se trata de escolher entre desenvolvimento e bem-estar, mas de entender que um equipamento produtivo distribui riqueza, reduz desigualdades e combate a criminalidade quando a economia cresce e oportunidades aparecem para todos. Desenvolver Nova Iguaçu e toda a Baixada é investir em logística, em pessoas e em um futuro que não pode mais esperar. Que se abra o caminho para os voos, e não para mais um projeto que não sai do papel.
 
Fontes das citações:
▫️Carlos Alberto Mendes, engenheiro aeronáutico e consultor em infraestrutura aeroportuária. Entrevista concedida em 2026, no âmbito de estudos sobre logística e desenvolvimento regional da Baixada Fluminense.
▫️Roberto Pimentel, comandante aposentado e especialista em segurança operacional. Declaração em debate público sobre revitalização de aeródromos, promovido por entidades do setor em 2026.

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