Ministro e secretária de Nova Iguaçu defendem medida: “não é só proibir, é devolver a escola às pessoas”
Por Alcy Maihoní *
A lei em questão é a Lei Federal nº 15.100, que entrou em vigor em 13 de janeiro de 2025, proibindo o uso de celulares e aparelhos eletrônicos nas escolas da educação básica, exceto para atividades pedagógicas, saúde ou emergência. Depois de um ano, a pesquisa do MEC ouviu mais de 8 mil escolas de todos os 26 estados e o Distrito Federal, e já dá para ver que os alunos participam mais, estão menos ansiosos e tem menos ciberbullying. Como disse o Ministro de Educação Camilo Santana: “Não queremos proibir o uso, mas sim proteger nossas crianças, contribuindo para que a escola seja um ambiente de aprendizagem e interação, com o uso restrito dessas ferramentas”. E aqui perto, a Secretária de Educação de Nova Iguaçu, Maria Virgínia Andrade, reforça: “Aqui nas escolas de Nova Iguaçu, já sentimos na prática essa mudança: quando o foco sai da tela e volta para a conversa, a convivência melhora e o aprendizado acontece melhor. A lei não é só proibir: é dar chance ao abraço, ao diálogo e ao respeito entre os alunos. Mas sabemos que não é fácil, especialmente no ensino médio, por isso vamos trabalhar junto com famílias e professores”. Ainda assim, o grande desafio continua sendo o ensino médio: muita resistência dos adolescentes, falta de lugar seguro para guardar os aparelhos e dúvidas sobre quando vale mesmo usar a tecnologia.
Para melhorar logo, a curto prazo, é preciso criar regras simples e iguais para todo mundo, arrumar armários ou caixas para guardar os celulares com segurança, preparar melhor os professores e conversar muito com alunos e famílias. A médio prazo, a ideia é deixar de só proibir e começar a ensinar como usar a tecnologia com consciência dentro da sala, além de adaptar as regras à realidade de cada escola. Afinal, não dá para tratar da mesma forma uma escola daqui da Baixada e uma do interior do país.
*Ex-conselheiro de Educação de Nova Iguaçu
