Localização estratégica: perto da Dutra e do Arco, o espaço é ideal para logística e negócios
Por Alcy Maihoní *
Há décadas, o Aeródromo de Nova Iguaçu jaz inativo, servindo mais como espaço para eventos ocasionais ou como tema de promessas não cumpridas do que como o equipamento estratégico que poderia ser. Recentemente, voltou à tona o debate sobre seu futuro, com duas visões que se chocam: a de quem defende sua transformação em um grande parque urbano e a de quem acredita em sua retomada como polo de aviação.
A pergunta que não quer calar é: É possível e viável reativá-lo para aviação geral, pequenas aeronaves, táxi aéreo e transporte de cargas?
A resposta, baseada em dados técnicos, na história e na geografia da cidade, é um sonoro SIM. É totalmente possível e viável.
A prova do passado
Quem diz que não dá, esquece que já deu. Em 2009, após obras de recuperação, o local chegou até ser liberado pela própria ANAC para operar, porém houve alguns empecilhos que travou os trâmites. A pista tem 1.260 metros de comprimento por 30 metros de largura, medidas mais do que suficientes para receber aeronaves de pequeno e médio porte, táxi aéreo e cargas leves, sendo comparável a aeroportos regionais que estão em plena atividade pelo Brasil afora.
O argumento do Galeão não serve para tudo
Muitos políticos, urbanistas e figuras públicas iguaçuanas defendem a ideia do "parque", alegando que a proximidade com o Aeroporto do Galeão e a questão do cone de aproximação tornam a operação aérea impossível. Esse argumento, porém, é válido apenas se a intenção fosse receber grandes aviões comerciais, jumbos ou voos internacionais de larga escala. Ninguém está propondo isso.
O que se defende é o uso para aviação geral. E tecnicamente, é perfeitamente possível operar pequenas aeronaves mesmo na mesma área de aproximação, desde que haja planejamento e coordenação com o controle de tráfego aéreo, algo que já foi feito no passado e que está dentro das normas da aviação civil. Negar a possibilidade de uso por completo é ignorar a realidade técnica e desperdiçar um patrimônio público.
E quanto ao Parque?
O renomado arquiteto e urbanista Vicente Loureiro (2026) recentemente deu sua opinião em defesa da criação do Parque Urbano:
"Um parque tem um papel transformador, ele é hoje talvez um dos equipamentos mais importante quando você fala em querer criar, fortalecer a autoestima, fortalecer o senso de pertencer ao lugar, eu acho o parque insubstituível."
Concordo plenamente com Vicente e com a importância vital de áreas verdes para a cidade. No entanto, indago: tem que ser necessariamente no espaço do aeródromo? Considerando que Nova Iguaçu possui muitas outras grandes áreas vazias e disponíveis, seria perfeitamente viável criar um "mega parque" em outro local, preservando assim a infraestrutura aeroportuária que já existe e que tem vocação única.
Localização e economia a favor
Além das condições técnicas, o aeródromo tem uma localização privilegiada. Está próximo à Dutra, ao Arco Metropolitano e ao Porto de Itaguaí. Isso o torna um ponto estratégico para logística, transporte de mercadorias, apoio à indústria e ao comércio da Baixada Fluminense.
Economicamente, faz todo sentido:
Existe demanda reprimida por voos executivos, transporte para plataformas, remoções e táxi aéreo na região. Hoje, quem precisa disso tem que se deslocar até o Rio, perdendo tempo e dinheiro.
A reabertura geraria empregos diretos e indiretos, atraindo empresas de manutenção, escolas de aviação e serviços.
Com uma gestão profissional, seja direta ou por parceria, o local pode se tornar autossustentável financeiramente.
O que falta? Vontade política.
Para tirar do papel, basta cumprir as exigências da ANAC: recuperar a pista, instalar sinalização e iluminação adequadas, garantir as áreas de segurança e elaborar um plano de voo coordenado. Tudo isso é factível e tem custo compatível com os benefícios.
O grande entrave, na prática, não é técnico nem legal. É político. Falta decisão para investir e priorizar o que é melhor para o desenvolvimento da cidade.
Nova Iguaçu tem tamanho, tem economia e tem localização para ter um aeródromo funcional. Não é questão de escolher "ou o parque ou o aeroporto", pois há espaço para os dois. Todavia, é inaceitável que, por falta de informação ou por interesses que não priorizam o progresso, se tente convencer a população que é impossível fazer Nova Iguaçu decolar novamente o que já está ali, pronto para ser usado.
O Aeródromo de Nova Iguaçu pode sim ser um vetor de desenvolvimento. Basta que nossos gestores olhem para cima e vejam o potencial que está no chão, esperando por uma decisão.
*Alcy Maihoní - Ex-conselheiro do Conselho Municipal de Política Urbana e Gestão Territorial (COMPURB)


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