Audiência pública é urgente: só com ação conjunta será possível dar um basta definitivo a essa destruição
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| Imagem extraída de vídeo: Focos de incêndio na Serra do Vulcão, Nova Iguaçu, suspeita de crime ambiental, com equipes no combate. Crédito: @baixadadoalto |
Por Alcy Maihoní *
Eu repudio com veemência a recorrência de incêndios na Serra do Vulcão, integrante do Maciço do Gericinó-Mendanha, em Nova Iguaçu. Mais uma vez, um novo fogo foi registrado na tarde desta terça-feira, apenas duas semanas depois de outra queimada devastar a região. Bem provável tratar-se de crime ambiental, não de acidente ou fenômeno natural, como alguns pensam: o que arde em nossas montanhas, na minha opinião, é consequência de ação humana, praticada com a certeza da impunidade. Brigadistas da Brigada Voluntária e alguns moradores entraram em ação no combate às chamas; no entanto, o saldo já é de devastação: danos em áreas de reflorestamento, plantações e sítios locais. Ver uma área de proteção vital para o clima, a água e a vida na Baixada Fluminense ser consumida repetidamente por chamas é mais do que uma tragédia: é um descaso inaceitável com o patrimônio público e com o futuro de nossa cidade.
O que mais revolta é perceber que estruturas criadas justamente para zelar por esse território permanecem ausentes ou inoperantes. Pergunto-me onde está o Conselho Gestor da APA Gericinó‑Mendanha (Parque Estadual do Mendanha), que deveria estar à frente da fiscalização e da prevenção. O INEA, os órgãos de segurança e o poder público municipal não podem continuar assistindo passivamente a essa destruição, enquanto a população e os voluntários arcam com os prejuízos e o risco. A falta de resposta, a demora em apurar responsabilidades e a ausência de ações contínuas transformam o crime em rotina, e o fogo acaba se tornando a única voz ouvida na região.
Por isso, reivindico uma audiência pública urgente na Câmara de Vereadores, com presença obrigatória do INEA, de representantes da sociedade civil e dos órgãos responsáveis pela gestão da unidade de conservação. É preciso dar um basta definitivo a essa situação, cobrar providências concretas, punir quem destrói e garantir que nossas serras não sejam mais vítimas da negligência. O silêncio diante desse crime também é uma forma de cumplicidade, e a população de Nova Iguaçu não aceita mais ver seu patrimônio natural desaparecer em fumaça.
*Ex-conselheiro APA Gericinó Mendanha

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