terça-feira, 1 de setembro de 2026

Para além da progressão: o objetivo é a consolidação do conhecimento

Divulgação: Redes Sociais 

Diversificar modelos de ensino, com regras claras e acompanhamento, é caminho para atender às necessidades de cada estudante. A progressão continuada foi instituída com o propósito de evitar a interrupção desnecessária da trajetória escolar dos estudantes. Contudo, a simples passagem de uma série para outra não garante o desenvolvimento de habilidades essenciais, especialmente no domínio da leitura, da escrita e da compreensão. Quando o estudante avança sem consolidar conhecimentos fundamentais, os desafios se tornam progressivamente maiores. Por essa razão, a alfabetização não pode depender apenas da idade ou da progressão cronológica; ela exige ensino estruturado, acompanhamento sistemático e estratégias pedagógicas adequadas às necessidades de cada aluno.

O trabalho docente é central nesse processo: o professor identifica dificuldades, adapta metodologias e busca alternativas para favorecer a aprendizagem. Quanto maior o domínio sobre os processos de leitura e escrita, mais eficazes são as intervenções pedagógicas. Muitos educadores já buscam formação continuada e atualização de práticas, mas é indispensável que escola, professores, famílias e gestores atuem de forma articulada. O objetivo da instituição escolar não se restringe à progressão cronológica, mas à garantia de aprendizagens significativas que fundamentem a trajetória do estudante.

Nesse contexto, considero que a regulamentação do ensino domiciliar pode representar um avanço, oferecendo uma alternativa válida que dialogue com o ensino tradicional. Não se trata de substituir a escola, mas de instituir uma opção que atenda a diferentes ritmos e necessidades de aprendizagem, desde que amparada por normativas claras, acompanhamento pedagógico e avaliação sistemática do desenvolvimento dos alunos. Essa diversidade de modelos pode inclusive estimular a qualidade do ensino ofertado nas instituições formais, ao estabelecer parâmetros de comparação e de exigência em prol de uma educação mais eficaz.

Ninguém está acima da lei, nem do sigilo processual

Sociedade tem direito à transparência: circunstâncias e consequências do diálogo devem ser apuradas com celeridade

Por Alcy Maihoní 

Segundo informações veiculadas pelo Jornal Estadão, diálogos extraídos do celular do empresário Vorcaro indicam que o dono do Banco Master e um ministro do Supremo Tribunal Federal conversaram sobre detalhes sensíveis da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências planejadas pela Polícia Federal. Ao tomar conhecimento dessa notícia, não posso deixar de expressar minha profunda preocupação: quando informações que deveriam ser mantidas em sigilo absoluto são compartilhadas antes da execução das ações, toda a investigação pode ser comprometida, abrindo brechas para que provas sejam destruídas e pessoas envolvidas consigam se evadir. Isso levanta questões fundamentais sobre a confiança que depositamos nas instituições, pois um ministro da mais alta corte do país tem a responsabilidade de zelar pela lisura dos processos e pela preservação do sigilo necessário ao sucesso de operações tão delicadas.
 
É imperativo que os fatos sejam apurados com a máxima celeridade e transparência. Se houver confirmação de que essas informações foram de fato repassadas, é indispensável que sejam esclarecidas as circunstâncias, os motivos e os possíveis prejuízos causados à investigação. A fiscalização e o controle sobre o cumprimento do sigilo processual não podem ser flexibilizados, pois a garantia de que as investigações aconteçam de forma íntegra é um direito de toda a sociedade. Ninguém está acima da lei, e a verdade precisa ser estabelecida com clareza para que a confiança nas instituições possa ser restaurada.
 
Fonte de dados: Jornal Estadão

Reservatórios em Nova Iguaçu

Projeto atinge 11 bairros e 100 mil pessoas e a sociedade civil não pode ficar de fora das decisões
Reunião discute reservatórios de 346 milhões
de litros para 11 bairros.

Por Alcy Maihoní *

É claramente positiva a sinalização da Light para a cessão dos terrenos onde a prefeitura pretende construir e reformar cinco reservatórios de águas pluviais, com capacidade para armazenar 346 milhões de litros de água da chuva e proteger mais de 100 mil moradores em onze bairros: Bairro da Luz, Chacrinha, Santa Eugênia, Ouro Verde, Jardim Alvorada, Jardim Canaã, Jardim Pernambuco, Nova Era, Centro, Vila Bandeirantes e Moquetá. Os reservatórios serão instalados em Firjan 1 – Dom Rodrigo, Firjan 2 – Dom Rodrigo, Jardim Pernambuco, Bairro da Luz e Jardim Alvorada. O investimento de R$ 49 milhões, por meio do Novo PAC, é inegavelmente uma obra necessária, que busca dar resposta a um problema histórico que afeta famílias ano após ano na região urbana e na descida da Serra de Madureira. No entanto, não posso deixar de me perguntar: por que demorou tanto? O recurso federal já estava disponível desde dezembro de 2025 e a população convive com inundações há décadas. É justo cobrar que sejam esclarecidas as razões de tanta demora, enquanto as perdas e os transtornos se acumulavam.
 
A comparação que muitos fazem com o Viaduto de Comendador Soares é inevitável: a obra começou em 2014, passaram-se doze anos e ainda não foi concluída. Isso gera desconfiança legítima e reforça a importância de que, antes de qualquer licitação, seja realizada uma consulta pública com a sociedade civil. A população tem o direito de opinar, acompanhar cada etapa e cobrar transparência. Que este projeto não seja apenas mais uma promessa, no entanto um compromisso que avance com participação, celeridade e responsabilidade, para que finalmente Nova Iguaçu possa viver sem o medo constante das águas.

*Ex-conselheiro APA Estadual Gericinó Mendanha