Sociedade tem direito à transparência: circunstâncias e consequências do diálogo devem ser apuradas com celeridade
Por Alcy Maihoní
Segundo informações veiculadas pelo Jornal Estadão, diálogos extraídos do celular do empresário Vorcaro indicam que o dono do Banco Master e um ministro do Supremo Tribunal Federal conversaram sobre detalhes sensíveis da Operação Compliance Zero, incluindo datas e horários de diligências planejadas pela Polícia Federal. Ao tomar conhecimento dessa notícia, não posso deixar de expressar minha profunda preocupação: quando informações que deveriam ser mantidas em sigilo absoluto são compartilhadas antes da execução das ações, toda a investigação pode ser comprometida, abrindo brechas para que provas sejam destruídas e pessoas envolvidas consigam se evadir. Isso levanta questões fundamentais sobre a confiança que depositamos nas instituições, pois um ministro da mais alta corte do país tem a responsabilidade de zelar pela lisura dos processos e pela preservação do sigilo necessário ao sucesso de operações tão delicadas.
É imperativo que os fatos sejam apurados com a máxima celeridade e transparência. Se houver confirmação de que essas informações foram de fato repassadas, é indispensável que sejam esclarecidas as circunstâncias, os motivos e os possíveis prejuízos causados à investigação. A fiscalização e o controle sobre o cumprimento do sigilo processual não podem ser flexibilizados, pois a garantia de que as investigações aconteçam de forma íntegra é um direito de toda a sociedade. Ninguém está acima da lei, e a verdade precisa ser estabelecida com clareza para que a confiança nas instituições possa ser restaurada.
Fonte de dados: Jornal Estadão
Nenhum comentário:
Postar um comentário