Parte 1: Governo Rogério Lisboa
Por Alcy Maihoní
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| Foto: Alcy Maihoní (arquivo pessoal) |
No bairro Jardim Nova Era, em Nova Iguaçu, um vazio físico e uma frustração coletiva marcam o legado de uma promessa do governo do ex-prefeito Rogério Lisboa. O que deveria ser um espaço de aprendizado e cuidado para crianças da região se transformou em um legado de oportunidades perdidas e recursos mal aplicados ou perdidos.
No início de 2017, a EMEI Escola Municipal de Educação Infantil, da rua Sílvio Freitas, n° 127, teve que ser fechada após ser atingida por uma chuva de granizo que destruiu seu telhado e danificou o sistema elétrico. As crianças foram transferidas para a E.M. Jardim Nova Era, conhecida popularmente como Brizolinha, em uma medida provisória tomada pela SEMED que, até hoje, porém não encontrou fim.
Na época, a reportagem do Bom Dia Brasil, da Globo, revelou que o município havia recebido R$ 3 milhões via programa Pró-Infância para construir seis creches na cidade, sendo uma justamente no terreno (foto) adjacente à Brizolinha.
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| Terreno ao lado da E.M. Jardim Nova Era |
Em declaração naquele ano, Lisboa afirmou: "Recursos chegou em 2015, tivemos que renovar este convênio para poder executar estas creches. Quero garantir à população que aonde tem terreno vazio, terão creches." Todavia, ao final de seu segundo mandato, situação do terreno permaneceu intocável e a creche EMEI citada permaneceu abandonada.
O abandono dessa obra representa mais do que a falta de um prédio: significa a negação de um direito básico à educação infantil de qualidade para muitas famílias do Jardim Nova Era. Os recursos públicos destinados ao desenvolvimento das crianças foram liberados há mais de uma década, mas não resultaram em soluções concretas, efetivas para a demanda local. A promessa feita à população foi deixada de lado, deixando um vazio que não pode ser preenchido apenas com explicações ou desculpas.
A situação da creche do Jardim Nova Era deve servir como um alerta para gestões futuras: o investimento em educação infantil não pode ser tratado como uma promessa eleitoral, por outro lado, sim como uma prioridade que exige compromisso, transparência e execução eficiente.
Alcy Maihoní - Ex-conselheiro de educação de Nova Iguaçu