terça-feira, 24 de março de 2026

1,4 milhões por mês: A tragédia do transporte público em Nova Iguaçu

Com 34 linhas e 19 empresas envolvidas, população enfrenta sol e chuva em pontos improvisados

Por: Alcy Maihoní *
Foto: Alcy Maihoní - Terminal Rodoviário de Nova Iguaçu
 (arquivo pessoal).

O vídeo que viralizou recentemente nas redes sociais sobre o esvaziamento do Terminal Rodoviário de Nova Iguaçu, localizado no centro da cidade, situado Av. Marechal Floriano Peixoto, 2630, em momento crucial para uma população que paga o preço mais alto de uma gestão falha: a falta de condições básicas para embarque e desembarque. A reportagem expõe um cenário crítico que não pode mais ser ignorado: com média de 1,4 milhões de usuários por mês, 19 empresas de ônibus e 34 linhas intermunicipais envolvidas, os empresários abandonaram o terminal por conta de taxas consideradas altas, passando a utilizar a Avenida Marechal Floriano como ponto paliativo, deixando moradores à mercê do sol e da chuva.
 
É fundamental esclarecer os papéis envolvidos para que não haja confusão sobre quem deve responder. O Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (DETRO/RJ), autarquia vinculada à Secretaria de Estado de Transportes, detém a responsabilidade legal pela regulamentação e administração dos transportes intermunicipais no estado. Suas atribuições são amplas: desde concessão e planejamento até fiscalização e administração dos serviços. O fato de possuir um escritório dentro da própria rodoviária e não tomar medidas para resolver a crise que afeta milhões de pessoas é uma contradição que demanda explicações.
 
Por sua vez, a rodoviária é administrada pela empresa privada Rio Terminais. A Taxa de Utilização de Terminal (TUT) é definida pela agência reguladora estadual, o que significa que as cobranças não podem ser arbitrárias. A empresa deve seguir diretrizes do Governo do Estado. Assim, tanto a gestão privada quanto as instâncias públicas que regulamentam o setor compartilham a responsabilidade pelo impasse que impacta diretamente as 19 empresas e as 34 linhas que atendem à população.
 
A solução não pode esperar mais. A Assembleia Legislativa do Estado (ALERJ) é o espaço institucional destinado a receber denúncias e promover ações que obriguem as autoridades a agir. Paralelamente, o Governador do Estado pode intervir diretamente para buscar um acordo entre as partes e garantir o direito da população a um terminal adequado. E cabe também aos deputados estaduais do nosso estado, especialmente aqueles que representam Nova Iguaçu e região, se posicionarem: onde estão diante desta ineficiência e descaso que prejudica cidadãos diariamente?
 
A população não pode continuar sendo a vítima deste absurdo. O transporte público é um direito fundamental, e as instituições públicas e privadas envolvidas têm o dever de garantir sua efetivação para todas as linhas e empresas que compõem esse sistema essencial.
 
Vídeo [00:02:34] extraído Instagram do grupo: 
Caos em Nova Iguaçu - março 2026 

*Alcy Maihoní - Ex-conselheiro do Conselho Municipal de Política Urbana e Gestão Territorial (COMPURB)

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