Uma medida necessária que revela desigualdades históricas
Por Alcy Maihoní
A aprovação em primeira discussão do programa “Rua Com Nome”, do vereador Alcemir Gomes, é uma medida necessária e simbólica para Nova Iguaçu, mas que ao mesmo tempo expõe um problema grave e histórico e traz à tona a urgente necessidade de organizar e oficializar o bairramento da cidade: até hoje, muitas ruas, vielas e comunidades permanecem sem identificação oficial, delimitações claras ou registros adequados, o que torna difícil sua localização, deixa seus moradores à margem de direitos básicos como receber correspondências, acessar serviços públicos ou obter atendimento rápido em emergências, além de fazer com que esses locais permaneçam invisíveis, sem o sentimento de pertencimento e sem o devido reconhecimento do poder público — uma ação que também se alinha ao que prevê o Plano Diretor do município, instituído pela Lei nº 4.092, de 28 de junho de 2011, documento que já estabelece como diretriz fundamental a ordenação territorial e a regularização dos espaços urbanos como forma de garantir desenvolvimento justo e inclusivo, embora ainda falte transformar esses princípios em prática concreta.
Essa realidade não se resolve apenas com a aprovação de leis, pois dar nome às ruas é só o primeiro passo de um trabalho maior, que exige recursos, cronogramas definidos e, principalmente, vontade política para chegar às regiões mais esquecidas, estruturar toda a divisão territorial da cidade e garantir que essa iniciativa não fique só no papel ou sirva apenas como propaganda, mas sim traga mudança real, tornando cada bairro reconhecido, valorizado e bem atendido por quem governa.

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