sábado, 6 de junho de 2026

EDUCAÇÃO EM NOVA IGUAÇU: ESTAGNAÇÃO QUE CUSTA O FUTURO

Bilhões de orçamento, resultados raquíticos: são 8 anos de nenhum avanço enquanto outras cidades crescem
Foto meramente ilustrativa

Por: Alcy Maihoní *

Os dados do IDEB 2023 expõem uma realidade vergonhosa para Nova Iguaçu. Nos anos iniciais do fundamental, o município obteve apenas 4.6, ficando na 87ª posição entre 92 cidades do estado, 0.8 ponto abaixo da meta estadual. O mais grave é que esse número representa quase nenhuma evolução: em 2015 a nota já era 4.5, ou seja, oito anos se passaram sem avanços significativos, enquanto cidades como Niterói e Petrópolis atingiram patamares muito superiores.
 
A situação se agrava nos anos finais, onde a nota despenca para 3.8, abaixo até do índice de 2015, que era 3.9. Longe da meta de 5.0, o resultado coloca a cidade novamente entre as últimas colocadas. O problema não é apenas de aprendizado: a taxa de distorção idade-série de 22% revela um sistema falho, marcado por reprovação e abandono, onde um em cada cinco alunos está defasado em relação à série que cursa.
 
Esses números provam que o déficit educacional não é por falta de condições, mas por ausência de projeto e prioridade política. Sendo a quarta maior cidade do Rio, com orçamento bilionário, o desempenho medíocre e a estagnação de uma década desmascaram a propaganda oficial. Enquanto a educação for tratada como gasto e não como investimento, quem paga o preço mais alto são os estudantes, que continuam tendo seu futuro roubado por uma gestão que falha em sua missão mais essencial.

O papel do CME-NI

Dotado de poder normativo, deliberativo e fiscalizador, o Conselho Municipal de Educação de Nova Iguaçu (CME-NI) deve agir com rigor para reverter o fracasso do ensino em Nova Iguaçu: pode criar metas obrigatórias de evolução do IDEB, reestruturar o currículo com foco em Português e Matemática, implementar aceleração de estudos e recuperação paralela para enfrentar a alarmante distorção idade-série de 22%, além de exigir avaliações constantes para corrigir falhas de aprendizado. Paralelamente, cabe ao órgão controlar estritamente a aplicação dos 25% do orçamento e dos recursos do FUNDEB, garantindo que sejam investidos em sala de aula e não em propaganda ou burocracia, cobrando da Secretaria planos concretos, auditando resultados e ganhando protagonismo para pressionar a gestão a abandonar a estagnação de uma década e finalmente priorizar a educação como verdadeira política pública.

Fonte de dados: IDEB 2023 / qedu.org.br
Alcy Maihoní - Ex-conselheiro de Educação de Nova Iguaçu 

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