Há 30 dias moradores caminham sob sol e chuva; DER, DETRO e autoridades permanecem calados
Por Alcy Maihoní *
Em março deste ano, abordei a situação da RJ-113. Rodovia em que a comunidade local já demonstrava não ter esperança de melhorias, via que se tornou sinônimo de atoleiro. O tempo passou e, em vez de avanços, o que vejo é um agravamento: há quase trinta dias, a ponte sobre o Rio São Pedro, em Jaceruba, foi interditada pelo DER-RJ. O próprio órgão demarcou um novo trajeto para garantir a circulação, No entanto as empresas Linave e Fazeni simplesmente ignoram a determinação. Os ônibus param antes do ponto final, obrigando moradores a caminhar até a cabeceira da ponte, sob sol, chuva e sem qualquer estrutura de proteção. A interdição não foi causada pela população, todavia é ela quem paga o preço.
A situação é ainda mais grave para quem menos dispõe de condições de locomoção: idosos, pessoas com deficiência, gestantes e moradores com mobilidade reduzida são os mais prejudicados. Apesar disso os problemas não param por aí. Como relata um morador: “Não temos sinal de telefonia móvel e há luta para instalar uma torre. Somos 2.300 moradores, muitos idosos e se alguém passa mal, não consegue ligar para o SAMU, Bombeiros ou Polícia Militar. Os telefones discados também não funcionam. É crítico. O DER recebeu mais de R$ 30 milhões para manutenção de estradas e esquece-nos. As únicas duas rodovias estaduais sem pavimentação são a RJ-113 e a RJ-119. Gastam R$ 4 milhões só para máquinas passarem, valor que daria para asfaltar quatro quilômetros. Há recursos do governo federal, imposto verde, royalties da Petrobras. A região gera riqueza, mas nada retorna aqui”. Vejo famílias que dependem do transporte para trabalhar, estudar e cuidar da saúde sendo tratadas com total desrespeito. As empresas cobram passagem, recebem permissão para operar e, na primeira dificuldade, abandonam o trecho final como se o serviço fosse um favor e não um dever. O próprio DETRO-RJ, em comunicação interna de 14 de setembro, já reconheceu oficialmente o problema, confirmando que o desvio existe, foi proposto pelo poder público e está sendo descumprido. Mesmo assim, até agora nenhuma medida efetiva foi tomada.
Diante de tamanha omissão, dirijo minha cobrança a todos que têm responsabilidade sobre este caso. É preocupante constatar que a Prefeitura de Nova Iguaçu, até o momento, limitou-se a publicar apenas uma nota em suas redes sociais cobrando urgência nas obras na RJ-113. O silêncio sobre o transporte coletivo e sobre o sofrimento diário dos moradores é ensurdecedor. Cobro dos deputados estaduais da região, do governador interino, da ALERJ, da Prefeitura de Nova Iguaçu e da Câmara de Vereadores que ninguém permaneça calado: cada um, dentro de sua competência, deve cobrar explicações, exigir cumprimento e se pronunciar publicamente sobre o que está sendo feito. O silêncio coletivo destes poderes não é neutro, é também uma forma de abandono da população de Jaceruba.
Necessário que o DER-RJ e o DETRO-RJ ajam com urgência: notifiquem, fiscalizem e apliquem as penalidades cabíveis à Linave e à Fazeni. Que os ônibus voltem a cumprir o trajeto completo pelo desvio já definido, sem impor caminhada a quem paga por um serviço que não recebe. Jaceruba não pode continuar sendo penalizada. O transporte público é um direito, não uma mercadoria que se entrega apenas quando é conveniente. A comunidade já esperou demais. A resposta e a solução têm que ser agora.
*Ex-conselheiro do Conselho Municipal de Política Urbana e Gestão Territorial de Nova Iguaçu - COMPURB.



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