sábado, 8 de agosto de 2026

Rio gasta muito e aprova mal: quando o PNE e os PME ficam na gaveta

Aprovação automática esconde o atraso real; alfabetização e aprendizado ficam para depois
Participe você também das discussões do PME!

Por Alcy Maihoní * 

Ao ver o resultado do IDEB 2025, com a rede estadual do Rio atingindo apenas 3,7 no ensino médio, sinto vergonha e indignação. O Estado gasta por aluno um dos maiores valores do país e, ainda assim, figura entre os últimos colocados. O que revela que há tempos que o problema não é falta de dinheiro, mas sim de compromisso e de cumprimento da lei. O Plano Nacional de Educação e os Planos Municipais de Educação deveriam ser a bússola de se chegar a qualidade, todavia transformaram-se em letra morta: definem metas claras de alfabetização, aprendizado e valorização de professores que simplesmente não são cobradas nem cumpridas. É preciso acabar com a maquiagem educacional: aprovar quem não aprendeu apenas melhora estatísticas de fachada, no entanto compromete profundamente o futuro. Precisamos voltar a valorizar o aprendizado real, com reforço escolar e recuperação desde os primeiros anos, garantindo que cada criança seja alfabetizada conforme determina o PNE, e valorizar os professores com plano de carreira digno e formação continuada.
 
Defendo que a verdadeira solução começa com o cumprimento do PNE e dos PME, com análise permanente dos Conselhos Municipais e Estaduais de Educação. Não adianta publicar metas ambiciosas se não houver acompanhamento, fiscalização e responsabilização de quem descumpre. O dinheiro existe, as metas estão definidas e o caminho está traçado. O que a população exige é simples: que as autoridades deixem de tratar os planos de educação como documentos de gaveta e passem a transformar o que está escrito em aprendizado de verdade para cada aluno. A educação do Rio não pode esperar mais.

*Ex-conselheiro de Educação de Nova Iguaçu 

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