Mais um incêndio atinge a região do bairro Danon; órgãos não conseguem conter nem prevenir a destruição
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| Queimadas no maciço do Gericinó Mendanha, próximo a Estrada de Madureira em Nova Iguaçu/RJ Foto: Alcy (13/07/2026) |
Por Alcy Maihoní *
Vejo com indignação a repetição da mesma cena: mais uma queimada devastando a Serra de Madureira, no Maciço do Gericinó‑Mendanha e tudo indica que não é acidente, considerando que mais de 95% desses incêndios têm origem humana, seja por limpeza irregular de terrenos, desmatamento ou até ação intencional. O fogo que se alastrou no domingo, na altura do bairro Danon, é recorrente, e o que mais revolta é a clara falta de capacidade das autoridades em conter o fogo antes que ele se espalhe, ou sequer fiscalizar de verdade quem usa o fogo como ferramenta de destruição. Essa área não é só mato: é vital para Nova Iguaçu, garante água, ar limpo e poderia gerar turismo e renda sustentável para as famílias do entorno no entanto, segue abandonada à própria sorte.
Causa inquietação, e muita revolta, o silêncio diante de soluções que estão ao alcance das mãos: reflorestamento, presença constante de fiscalização, estrutura para combate rápido e funcionamento pleno do Conselho Gestor da APA, que parece desaparecido quando mais se precisa. Se investíssemos na preservação, não só protegeríamos fauna e flora, outrossim resolveríamos uma cadeia inteira de problemas que atormentam a cidade: alagamentos piores sem a cobertura vegetal, doenças respiratórias e hídricas por conta da fumaça e da água contaminada, além de prejuízos incalculáveis aos moradores que perdem seus bens. Ao deixar a área queimar ano após ano, o poder público estadual e municipal acaba gastando muito mais com emergências e saúde do que custaria para protegê‑la direito.
A pergunta que fica, e que não pode mais ser ignorada, é direta: onde estão os gestores que deveriam zelar por esse território? Onde está o governador, os deputados, o prefeito e os vereadores que sabem exatamente o que precisa ser feito, mas não agem? Nova Iguaçu carrega um passivo ambiental enorme, e o Maciço do Gericinó‑Mendanha é uma das suas maiores riquezas, não um espaço para ser destruído por negligência ou interesses escusos. Não basta lamentar o fogo: é hora de cobrar responsabilidade, exigir medidas concretas e impedir que a nossa natureza continue sendo a maior vítima da omissão política.
*Ex-conselheiro da APA Estadual Gericinó Mendanha


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