segunda-feira, 12 de outubro de 2026

O cargo e as acusações: reflexão sobre um caso real

Vaguinho Neguinho permanece na mesa diretora da Câmara Municipal enquanto responde a graves indícios e isso nos diz algo importante sobre nossa política
Foto: Reprodução / Instagram: @temporealrio
Por Alcy Maihoní 

Vejo com certa inquietação o caso do vereador Vaguinho Neguinho, de Nova Iguaçu. Mesmo com seu registro de candidatura barrado pelo TRE-RJ por indícios de ligação com o crime organizado, ele recebeu expressivos 27.391 votos, sendo 18.404 somente em nosso município. A pergunta que não quer calar: por que tantos eleitores seguem confiando seu voto em uma pessoa com processos e pendências judiciais abertas? Não se trata de antecipar julgamento, longe disto, pois todo cidadão é inocente até condenação definitiva, ainda assim de refletir sobre o critério que guia nossa escolha nas urnas. Ainda mais preocupante é saber que ele continuará na mesa diretora da Câmara Municipal como 1º vice-presidente, mantendo influência política em nosso território mesmo diante de graves acusações.
 
Penso que parte da resposta está na força do trabalho político local, na desconfiança generalizada das pessoas em relação às instituições e, em alguns casos, na própria dificuldade de acesso a informações claras sobre a situação dos candidatos. Por outro lado isso não nos isenta da responsabilidade de questionar: quando escolhemos alguém que precisa explicar-se à Justiça, estamos escolhendo também que essas explicações aconteçam em plena luz do dia, sem que o cargo público seja escudo. O voto é um instrumento de poder e esperança, e deveria ser também um instrumento de exigência de transparência e idoneidade. Se não sabemos responder com clareza por que elegemos quem enfrenta problemas judiciais, talvez seja sinal de que precisamos, antes de tudo, fortalecer a cultura de cobrança e informação correta entre nós, eleitores.

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