CIEP 168 é o terceiro alvo em menos de um ano; aulas são reduzidas e ensino noturno vira EAD após crime que se repete
Por Alcy Maihoní *
Mais uma vez, o crime bate à porta de uma escola pública de Nova Iguaçu. Conforme reportagem veiculada ontem (14), no telejornal Balanço Geral da Record, o CIEP 168 Hilda Silveira Rodrigues, na Avenida Santa Cruz, no bairro Jardim Laranjeiras, teve sua rede elétrica furtada no dia 5 de agosto, quando a instituição estava vazia. O impacto é imediato e cruel: o horário de aulas foi reduzido nos períodos da manhã e da tarde, e as atividades noturnas passaram a ser realizadas de forma remota. Não é um caso isolado, é uma constante que se repete na nossa região e que não pode continuar sem resposta. No ano passado, criminosos empregaram o mesmo modus operandi ao invadir, vandalizar e furtar cabos de energia no CIEP 113 Professor Waldick Pereira, em Comendador Soares, e no CIEP 166 Abílio Augusto Távora, na Palhada. Três escolas atingidas em menos de um ano, e a sensação que fica é a de que nossas unidades de ensino estão abandonadas à própria sorte.
Sei que a Polícia Civil e a Polícia Militar atuam nas investigações, outrossim não basta apenas reagir depois que o dano já está feito. Cabe à SEEDUC RJ sair da inércia e adotar medidas preventivas, como fez recentemente no município de Duque de Caxias, com a instalação de alarmes movidos a energia solar, dentro de um cronograma que pretende atender às 1.200 escolas da rede. Defendo há tempos que essa iniciativa deve ser acompanhada de algo ainda mais abrangente: a implantação obrigatória de circuitos fechados de televisão nas escolas estaduais e municipais. As câmeras não servem apenas para coibir furtos e atos de vandalismo; elas protegem o direito à educação e a integridade de alunos, professores e funcionários. Esclareço que essa medida é totalmente lícita e deve seguir regras claras: os equipamentos devem ser instalados apenas em áreas comuns: portarias, pátios, corredores e portões, nunca em salas de aula ou ambientes que exijam privacidade.
A Lei nº 9.952, de 5 de janeiro de 2023, já determina a obrigatoriedade dessa vigilância em todas as escolas e creches públicas e privadas do Estado do Rio de Janeiro. No entanto, aqui em Nova Iguaçu, a lei não sai do papel. A SEEDUC diz priorizar unidades em áreas de maior vulnerabilidade, no entanto não publica balanço oficial de quais escolas já foram atendidas e o que vemos na prática é que as câmeras existentes na cidade de Nova Iguaçu são de monitoramento urbano, não de proteção escolar. O agravante é que a própria lei não estabeleceu prazo para implementação, o que transforma a determinação em uma recomendação sem força. Cabe à ALERJ, aos Conselhos Estadual e Municipais de Educação pressionar por cumprimento; e, como estamos em período de eleições, é mais do que oportuno que os candidatos insiram essa pauta em seus compromissos de campanha. A educação pública não pode esperar e Nova Iguaçu não pode continuar pagando o preço da negligência.
*Ex-conselheiro de Educação de Nova Iguaçu

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