quinta-feira, 13 de agosto de 2026

O aeroporto abandonado de Nova Iguaçu e o argumento que não se sustenta


MPF restringe voos turísticos, mas abre exceções que derrubam a objeção local

Por Alcy Maihoní*

A reportagem veiculada ontem, quarta-feira (12), no RJTV 2ª Edição, da Rede Globo levanta um debate importante. O Ministério Público Federal pede que voos panorâmicos de helicóptero se restrinjam a corredores sobre o mar, mantendo-se distantes de áreas residenciais. Corroboro com a preocupação do procurador do município do Rio, Dr. Sergio Suiama, diante do evidente excesso de fluxo comercial turístico em alta ascensão, cabendo à ANAC a devida fiscalização do tráfego aéreo. Contudo, ao analisar o caso do octagenário e abandonado aeroporto de Nova Iguaçu, percebo uma contradição que precisa ser apontada: os que se opõem à sua reativação alegam proximidade de residências e citam até o prédio do Top Shopping como obstáculo, como se o sobrevoo aqui fosse inviável ou inseguro.

O próprio MPF estabelece exceções claras que permitem o livre uso do espaço aéreo sobre o centro urbano, mesmo em regiões mais densamente ocupadas: operações de segurança pública, serviços de imprensa, atendimento de saúde e medidas emergenciais, além de rotas para pouso e decolagem em helipontos. Ou seja, não há proibição absoluta de sobrevoo sobre cidades, como alguns parecem querer fazer crer. A distinção feita entre voos turísticos em excesso e operações regulares e essenciais deixa claro que o que se busca é organização e limitação, não a proibição total da atividade aérea.

E ao compararmos a realidade do centro do Rio de Janeiro com a de Nova Iguaçu, não encontro qualquer lógica na objeção apresentada. Na capital, centenas de arranha-céus estão erguidos muito acima de qualquer edificação existente na Baixada Fluminense, e mesmo assim os helicópteros sobrevoam e operam livremente. Se lá é possível e seguro, com estruturas muito mais altas e populosas, aqui em Nova Iguaçu a condição é ainda mais favorável. Por isso, defendo a reabertura do aeroporto iguaçuano: é uma questão de justiça e de bom senso, e será um motor de desenvolvimento econômico para toda a região da Baixada Fluminense.

Que venha helipontos e aeronaves de pequeno e médio porte para serviços de cargas e táxi aéreo para Nova Iguaçu! ✅

Fonte de dados: GLOBO. MPF pede que voos panorâmicos de helicóptero no Rio se limitem a corredor aéreo sobre o mar. RJTV 2ª Edição, 12 ago. 2026. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/14863686/. Acesso em: 12 ago. 2026.

*Ex-conselheiro de Políticas Urbanas e Gestão Territorial COMPURB de Nova Iguaçu

Um comentário:

  1. Se tivesse uma pista mais larga e mais extensa, eu concordaria, ali é muito arriscado, vai levar muito risco a população, prefiro um grande parque, bem planejado com piscinas, e palcos para shows, com usuários cadastrados!

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