quinta-feira, 6 de agosto de 2026

O recado de Nilópolis e o que esperamos para Nova Iguaçu

População cobra que rigor seja o mesmo também em Nova Iguaçu
Foto: Vereador Russão Gomes | Crédito: Mazagine Rio

Por Alcy Maihoní 

Eu vejo a decisão do TRE-RJ em Nilópolis como um recado muito claro: a lei vale para todos, e a fraude na cota de gênero não vai mais passar despercebida. A posse do vereador Russão Gomes, depois que a Justiça refez a contagem e corrigiu o que estava errado, mostra que as regras eleitorais não são só para cumprir na hora da votação, mas também para garantir que a Câmara seja formada da forma que a lei manda. Agora, todo mundo está de olho no processo de Nova Iguaçu, que apura as mesmas irregularidades. Importante que aqui também a verdade prevaleça, sem favorecimento a ninguém.
 
Para mim, o que está em jogo não é só a composição da Câmara, mas a confiança da população na política. Se em Nilópolis a Justiça agiu com rigor, em Nova Iguaçu não pode ser diferente: qualquer irregularidade provada deve ter a consequência que a lei determina. A solução mais coerente é simples: que o TRE-RJ analise o nosso caso com a mesma seriedade, para que a Câmara represente realmente o povo e cumpra as regras que todos nós temos que respeitar. Assim, a gente devolve a dignidade ao voto e garante que o Legislativo funcione como deve funcionar.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Voto branco, nulo e partidos omissos: o efeito que poucos enxergam

Crédito: Reprodução/Redes Sociais 

A meu ver, quando partidos políticos optam pela neutralidade na disputa presidencial, estão na prática apenas lavando as mãos em relação ao futuro do nosso país. E essa postura acaba favorecendo, sim, o governo atual. Ao não assumir um lado, deixam intacta a estrutura, a força e a vantagem que quem já está no poder detém, sem apresentar uma alternativa clara à população.
 
E vejo da mesma forma o voto nulo ou em branco: é um direito nosso, todavia ele não muda o rumo da eleição; ao contrário, acaba mantendo o que já existe. Por isso entendo que a omissão não é neutra: ela também é uma escolha política, e as consequências dela recaem sobre todos nós.

Decisão correta que preserva o debate eleitoral

Proibir antes de investigar é atropelar a liberdade
Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Por Alcy Maihoní 

A decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral de negar o pedido do deputado Lindbergh Farias (PT) para tirar do ar o vídeo com imagem de Jair Bolsonaro feita por inteligência artificial é, na minha visão, o caminho mais correto. Até que se prove com provas concretas que o conteúdo é mentiroso ou ilegal, não cabe proibição antecipada. Como disse o ministro: “Não se pode retirar algo do ar apenas porque não se concorda com ele. A liberdade de expressão existe, mas qualquer abuso será punido depois de investigação completa, com direito a todos se defenderem”. Concordo plenamente: ninguém pode ser calado ou punido antes que se saiba a verdade de fato.
 
A inteligência artificial é tecnologia recente  e precisa de cuidado, no entanto não pode virar motivo para acabar com a liberdade de cada um se manifestar. Se houver erro ou mentira, a Justiça cabe apurar e aplicar a punição certa, outrossim sempre com calma, com análise e sem atitudes precipitadas. Assim, se espera uma eleição limpa, todavia sem tirar do povo o direito de ver, ouvir e decidir por si mesmo.

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Serra do Vulcão: o fogo repetido e a impunidade que destrói Nova Iguaçu

Audiência pública é urgente: só com ação conjunta será possível dar um basta definitivo a essa destruição
Imagem extraída de vídeo: Focos de incêndio na Serra do Vulcão, Nova Iguaçu, suspeita de crime ambiental, com equipes no combate.
Crédito: @baixadadoalto

Por Alcy Maihoní *

Eu repudio com veemência a recorrência de incêndios na Serra do Vulcão, integrante do Maciço do Gericinó-Mendanha, em Nova Iguaçu. Mais uma vez, um novo fogo foi registrado na tarde desta terça-feira, apenas duas semanas depois de outra queimada devastar a região. Bem provável tratar-se de crime ambiental, não de acidente ou fenômeno natural, como alguns pensam: o que arde em nossas montanhas, na minha opinião, é consequência de ação humana, praticada com a certeza da impunidade. Brigadistas da Brigada Voluntária e alguns moradores entraram em ação no combate às chamas; no entanto, o saldo já é de devastação: danos em áreas de reflorestamento, plantações e sítios locais. Ver uma área de proteção vital para o clima, a água e a vida na Baixada Fluminense ser consumida repetidamente por chamas é mais do que uma tragédia: é um descaso inaceitável com o patrimônio público e com o futuro de nossa cidade.
 
O que mais revolta é perceber que estruturas criadas justamente para zelar por esse território permanecem ausentes ou inoperantes. Pergunto-me onde está o Conselho Gestor da APA Gericinó‑Mendanha (Parque Estadual do Mendanha), que deveria estar à frente da fiscalização e da prevenção. O INEA, os órgãos de segurança e o poder público municipal não podem continuar assistindo passivamente a essa destruição, enquanto a população e os voluntários arcam com os prejuízos e o risco. A falta de resposta, a demora em apurar responsabilidades e a ausência de ações contínuas transformam o crime em rotina, e o fogo acaba se tornando a única voz ouvida na região.
 
Por isso, reivindico uma audiência pública urgente na Câmara de Vereadores, com presença obrigatória do INEA, de representantes da sociedade civil e dos órgãos responsáveis pela gestão da unidade de conservação. É preciso dar um basta definitivo a essa situação, cobrar providências concretas, punir quem destrói e garantir que nossas serras não sejam mais vítimas da negligência. O silêncio diante desse crime também é uma forma de cumplicidade, e a população de Nova Iguaçu não aceita mais ver seu patrimônio natural desaparecer em fumaça.

*Ex-conselheiro APA Gericinó Mendanha 

domingo, 2 de agosto de 2026

Reabertura do aeroporto de cargas é caminho para o desenvolvimento real de Nova Iguaçu

Especialistas defendem que estrutura logística é essencial para inserir Nova Iguaçu no mapa nacional
Crédito da imagem: ADESBF - Associação de Desenvolvimento Econômico e Social da Baixada Fluminense 

Por Alcy Maihoní 

Quando observo a área do antigo Aeroclube, hoje transformada em pasto e uso improvisado, vejo muito mais do que um terreno ocioso: vejo uma oportunidade histórica de devolver dignidade e desenvolvimento à Baixada Fluminense. Defendo com firmeza a reabertura do local como aeroporto de cargas, aerotáxi e helicentro, e rechaço a proposta de transformá-lo em um simples “aeroparque”. Iniciativa que, ao meu ver, preserva apenas o abandono e desperdiça um ativo estratégico que pode mudar a realidade de milhares de famílias.
 
Ouço com respeito quem diz que um aeroporto só serve à elite e não traz benefício real para as classes mais baixas. No entanto, discordo profundamente dessa visão: o desenvolvimento não é uma fatia restrita a poucos, outrossim uma corrente que começa na construção, passa pela operação e chega a cada comerciante, a cada trabalhador e a cada família da região. A reativação vai além de infraestrutura: significa geração de milhares de empregos diretos e indiretos, desde funções operacionais e de manutenção até serviços gerais, comércio e hospedagem, mais renda circulando no dia a dia e fortalecimento de toda a economia local. Como mostram experiências bem-sucedidas em nosso próprio estado, aeroportos de carga e bases aéreas especializadas são motores de progresso que alcançam a todos. O Aeroporto Internacional do Galeão, na capital, consolida-se como um grande centro logístico que movimenta boa parte da cadeia produtiva; Cabo Frio mantém estrutura voltada ao escoamento de insumos e equipamentos, com helicentros que atendem a atividades econômicas diversas; e Campos dos Goytacazes concentra operações que impulsionam o comércio e o serviço em toda a região, provando que a aviação produtiva não exclui ninguém, ao contrário, ela abre portas.
 
Contam comigo nessa defesa especialistas em aeronáutica que conhecem a realidade da Baixada. Corroboro com o engenheiro aeronáutico Carlos Alberto Mendes, consultor da ANAC, que destaca: “A localização privilegiada, próxima à Dutra, ao Arco Metropolitano e ao Porto de Itaguaí, torna o equipamento essencial para desafogar o transporte rodoviário e inserir Nova Iguaçu na rota nacional e internacional de mercadorias — e cada caixa que chega ou sai por aqui significa trabalho e dinheiro para a cidade”. Já o comandante Roberto Pimentel, instrutor de aviação e ex-diretor de segurança operacional, reforça: “Transformar um aeródromo operacional em parque é renunciar ao futuro. O que precisamos é de helicentro, terminal de cargas e aviação geral — estruturas que geram emprego, renda e dignidade, coisa que um espaço de lazer isolado não faz”.
 
A proposta do aeroparque soa bonita no discurso, todavia não responde à urgência econômica que vivemos. Não se trata de escolher entre desenvolvimento e bem-estar, mas de entender que um equipamento produtivo distribui riqueza, reduz desigualdades e combate a criminalidade quando a economia cresce e oportunidades aparecem para todos. Desenvolver Nova Iguaçu e toda a Baixada é investir em logística, em pessoas e em um futuro que não pode mais esperar. Que se abra o caminho para os voos, e não para mais um projeto que não sai do papel.
 
Fontes das citações:
▫️Carlos Alberto Mendes, engenheiro aeronáutico e consultor em infraestrutura aeroportuária. Entrevista concedida em 2026, no âmbito de estudos sobre logística e desenvolvimento regional da Baixada Fluminense.
▫️Roberto Pimentel, comandante aposentado e especialista em segurança operacional. Declaração em debate público sobre revitalização de aeródromos, promovido por entidades do setor em 2026.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Quando o juiz também é parte: encontro expõe risco à lisura do pleito

Jurista alerta: não basta ser imparcial, é preciso também parecer imparcial

Por Alcy Maihoní 

Esse encontro do ministro Alexandre de Moraes com o presidente Lula para tomar um café no Palácio do Planalto, captado por microfones abertos na quarta‑feira, 29 de julho de 2026, e amplamente divulgado pela imprensa na quinta‑feira, 30 de julho,  não é uma coisa à toa, não: é um sinal de alerta que mostra como as divisões entre os Poderes estão ficando toscas já de cara para eleição de 2026. A Constituição até deixa rolar contato institucional, no entanto  exige que quem manda na eleição fique na mesma distância de todo mundo. E quando esse mesmo ministro é quem decide quem pode ou não disputar, sentar na mesa com o cara que tem o maior interesse no resultado não é só uma mancada, é ferir a regra mais básica: ninguém pode ser juiz e parte ao mesmo tempo.
 
Não tem uma frase na lei que proíba, todavia tem um princípio que não pode ser jogado fora: a Justiça tem que estar acima de grupos político partidários, não do lado de uma delas. Como alerta cito o jurista Ministro do Supremo Tribunal Federal , André Mendonça, em declaração recente: “O bom magistrado não basta ser imparcial: tem que parecer imparcial. Qualquer aproximação que faça o povo duvidar disso fere a própria Justiça, ainda mais em época eleitoral”. A regra da profissão e o código de ética proíbem qualquer coisa que gere desconfiança, e esse encontro faz exatamente o contrário: deixa a impressão que decisão não sai só da lei, mas de conversa, afinidade ou pressão que ninguém fica sabendo. Numa hora dessas, isso não ajuda a democracia: só acaba com a credibilidade da Justiça.
 
O problema não é o cafezinho: é o que ele representa. Se a gente aceita que o ministro que julga a eleição se encontre reservadamente com o presidente, a gente larga mão da garantia mais importante: que a regra vale igual pra todo mundo e quem decide não tem nada a ganhar com o resultado. A Constituição não aceita essa confusão e nós, povo, também não devíamos aceitar.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Vendaval de 120 km/h deixa 370 mil sem luz; Light triplica equipes no Rio

Crédito: Metrópolis - Imagem/reprodução 


Com base na postagem divulgada hoje, 30 de julho, no grupo Nova Iguaçu News – Baixada Fluminense, tomo conhecimento de que a Superintendência da Light informou: o vendaval que atingiu ventos de 120 km/h teve início na tarde de ontem, 29 de julho, e deixou cerca de 370 mil clientes sem energia elétrica em todo o estado do Rio de Janeiro. Para agilizar o restabelecimento do fornecimento residencial e comercial, a concessionária ampliou seu efetivo de emergência, passando de 220 para 800 equipes, o que corresponde a mais de 2 mil profissionais mobilizados.
Não se trata de tornado e sim de vento sudoeste de frente fria com influência do El Nino.

Prefeitura mobiliza equipes em tempo real e garante apoio à população de Nova Iguaçu após ventania

COMENTÁRIO DO MAIHONÍ: A pronta mobilização da Prefeitura de Nova Iguaçu demonstra compromisso exemplar com a segurança da população, motivo pelo qual parabenizo o Prefeito pela agilidade na resposta. A articulação ágil entre órgãos municipais, Defesa Civil e concessionárias como a Light evidencia organização e seriedade no atendimento às ocorrências. Transmitir orientações claras e atualizadas à comunidade reforça a confiança nas instituições e fortalece a proteção coletiva diante das adversidades.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Da quadra ao mundo: a postura que representa o “basta” das atletas


A postura firme adotada pela estadunidense
Sophie Cunningham, atleta do Indiana Fever, em quadra alcançou projeção internacional ao se converter, para milhões de pessoas, em um símbolo visual de repúdio inequívoco. Nas últimas temporadas, o universo esportivo feminino tem se revelado espaço de manifestações crescentes de desagrado por parte da opinião pública e de atletas que questionam os rumos da cultura ideológica vigente.

Vídeo de IA coloca família Bolsonaro em dilema jurídico; vejo caminho que pode evitar prejuízos a ambos

NOTA DO MAIHONÍ 
Crédito da imagem: Jornal da Direita Online 

A intimação determinada pelo ministro Alexandre de Moraes abre prazo de 48 horas para a defesa se pronunciar sobre a autoria do vídeo gerado por inteligência artificial exibido na convenção do PL. Analisando o caso, percebo que, se for confirmada a participação de Jair Bolsonaro, ele pode perder a prisão domiciliar e retornar ao regime fechado; se negada, a responsabilidade recai sobre Flávio Bolsonaro e o partido, com risco de cassação da candidatura por violação da norma do TSE sobre conteúdo sintético.
 
Não sou advogado, porém a solução que considero possível e que recomendo, diante desta "sinuca de bico": A defesa pode declarar formalmente que o conteúdo foi produzido e veiculado pela campanha, sem conhecimento ou anuência do ex‑presidente, e que não houve intenção de simular sua manifestação, todavia apenas uma referência simbólica permitida em regra. Ao apresentar provas da autonomia da produção e uma retratação imediata, entendo que é possível afastar a responsabilidade de Jair Bolsonaro e, ao mesmo tempo, pleitear apenas medida advertencial junto ao TSE, preservando a situação jurídica de ambos. Enfim, será que a cúpula do partido não fez prévia análise, do contra-ataque da esquerda comunista?

terça-feira, 28 de julho de 2026

Sem licitação, com vínculos políticos: o que está por trás do convênio da PortosRio

Na Baixada Fluminense, convênio com a UFRJ levanta suspeitas de aparelhamento estatal
Imagem/divulgação: Diário 360

Por Alcy Maihoní 

A investigação divulgada pelo UOL na última semana trouxe à luz um absurdo , caso que exige atenção de todos nós: a PortosRio, estatal federal vinculada ao governo, firmou convênio de R$ 35 milhões com a UFRJ sem licitação, e parte desse valor foi destinada a uma rede de 305 bolsistas com fortes vínculos políticos, entre eles cabos eleitorais, ex-candidatos, filiados partidários e aliados do ex-prefeito Waguinho Carneiro, nome reconhecido como articulador da atual gestão na Baixada Fluminense. O que deveria financiar estudos técnicos e ações de integração entre o porto e a comunidade passou a ser alvo de suspeitas de uso para manter estrutura de apoio político em ano eleitoral.
 
Entendo que os fatos relatados têm base na apuração feita, no entanto é importante destacar que ainda não há confirmação judicial de que houve desvio de finalidade. A PortosRio e a universidade afirmam que a seleção dos beneficiários seguiu critérios técnicos, e as pessoas citadas negam qualquer interferência política. Ainda assim, a coincidência entre o objeto do convênio e o perfil de grande parte dos contemplados gera questionamentos legítimos: quando o recurso sai do bolso do cidadão, não basta que a formalidade esteja cumprida, é preciso que a aplicação seja clara, imparcial e voltada exclusivamente ao interesse público.
 
Atuando na luta educacional fico à espera que as autoridades competentes explique com detalhes, publicamente as provas que justifiquem cada indicação, pois a confiança nas instituições não se sustenta apenas com palavras, ainda assim com atos transparentes e fiscalizados.

Fonte de dados: Reportagem investigativa do UOL, publicada em 26 de julho de 2026.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Shopping da Pedreira: a exploração que não pode continuar invisível

Caso no Shopping da Pedreira levanta dúvida: mesma situação acontece no Top Shopping?

Por Alcy Maihoní

Destaco aqui uma situação que não pode ser ignorada no Shopping da Pedreira, em Nova Iguaçu: pessoas utilizando crianças para abordar frequentadores e pedir dinheiro, espalhadas por diferentes pontos do estabelecimento. Fatos como este voltam a ocorrer, e o caso mais recente foi divulgado por frequentadores em redes sociais. Será que no Top Shopping, nesta mesma cidade, ocorre idêntico fato? Essa prática configura exploração explícita, contrariando o Artigo 36 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que veda qualquer forma de aproveitamento da vulnerabilidade de menores para obter benefícios, além de violar o princípio de proteção integral. Cabe ao Conselho Tutelar, conforme o Artigo 136 do mesmo estatuto, receber a informação, averiguar o fato e adotar as medidas protetivas necessárias, inclusive encaminhando ao Ministério Público quando houver indício de infração legal.

Oportuno relembrar que, no dia 14 de janeiro deste ano, pais foram presos por exploração de trabalho infantil, onde obrigavam as crianças a vender balas dentro deste mesmo shopping.

A administradora do shopping não pode se eximir de responsabilidade: como gestora de espaço fechado e privado, deve estabelecer regras claras, orientar sua equipe de segurança a acionar o Conselho Tutelar ou autoridades competentes diante de flagrantes, e comunicar oficialmente o órgão de proteção para que a situação seja resolvida com celeridade. Não se trata apenas de evitar constrangimento ao público, no entanto de cumprir a lei e, acima de tudo, preservar a dignidade, o desenvolvimento e a segurança de crianças que estão sendo usadas de forma indevida. O silêncio só faz perpetuar um quadro que é, em essência, uma violação de direitos.

domingo, 26 de julho de 2026

Quando a intenção reforça o preconceito: o caso da cena da Globo

Ao querer combater o racismo, emissora acaba reproduzindo estereótipos antigos

Por Alcy Maihoní 

A observação feita pelo jornalista Marco Antônio Costa expõe uma falha grave recorrente em produções que abordam o racismo sem o devido cuidado: ao retratar uma mãe negra invadindo a sala de aula, constrangendo a professora e apontando diretamente um aluno como culpado, a narrativa acaba reproduzindo exatamente o estereótipo que supostamente quer combater. Em vez de apresentá-la como uma cidadã preocupada ou vítima de discriminação, a personagem é reduzida ao rótulo pejorativo de “barraqueira”; uma construção histórica que associa mulheres negras a comportamento descontrolado e desprovido de razão. Eu concordo plenamente com Marco Antônio.
 
A crítica dele é pertinente e acertada: não basta apenas incluir o tema na grade; é preciso analisar como os personagens são construídos e quais mensagens chegam ao público. A emissora, ao propor-se a dar uma “lição”, acabou fazendo o oposto: reforçou velhas marcas de discriminação. A indignação não é excesso, é alerta: representatividade não é só ter atores negros, todavia retratá-los com dignidade e complexidade. Quando a produção erra nesse ponto, a própria intenção educativa vira prova de quanto ainda falta evoluir. 

Fico a imaginar o que estão sentindo, neste momento, os profissionais docentes do ensino fundamental das redes municipais e particulares de todo o país. 

Viaduto de Comendador Soares: A década perdida de uma obra em Nova Iguaçu

A saga do viaduto que desafia o tempo e a paciência iguaçuana
Viaduto de Comendador Soares passará a se chamar Viaduto Ernani Boldrin - Foto: Jornal ZM Notícias|30/03/2026 

Imagem meramente ilustrativa 

A eficiência japonesa em reparar uma cratera em dois dias contrasta drasticamente com a realidade das obras públicas no Brasil, especialmente em Nova Iguaçu. O Viaduto de Comendador Soares, iniciado em 2014 na gestão de Nelson Bornier (in memoriam), é um exemplo clássico: uma década de interrupções e frustrações. Essa descontinuidade administrativa e a burocracia transformam a promessa de avanço em um problema crônico. Acompanho com frustração como projetos são engavetados a cada troca de gestão, e embora o viaduto esteja agora em 94% de conclusão, segundo a Prefeitura de Nova Iguaçu, a persistência dessa lentidão mina a confiança de quem, como eu, espera que o dinheiro público seja aplicado com seriedade.
 
As recentes retomadas e a união das estruturas do Viaduto de Comendador Soares, fruto de parcerias com o governo estadual, são um alívio, e me mostram cada vez mais, que a união de forças pode, sim, superar obstáculos. No entanto, o que me incomoda é que não deveríamos precisar de esforços hercúleos para concluir o que já deveria estar pronto. A celeridade da cratera japonesa, em sua rápida cicatrização, deve servir não apenas como um comparativo distante, outrossim como um alerta e um convite a repensar a gestão pública, as prioridades e o compromisso real com o cidadão que reside em Nova Iguaçu e em todo o Brasil.

Emendas parlamentares e ONGs: suspeitas de desvios envolvem nomes conhecidos

Destinação de recursos é legal por princípio; PF checa se houve desvio posterior
Crédito da imagem: Mídia Gonçalense

Por Alcy Maihoní 

Escrevo este artigo com a responsabilidade de quem conhece de perto o cenário político da nossa região: votei em Pedro Paulo na última eleição geral para deputado federal e ainda trabalhei na coordenação de sua campanha aqui em Nova Iguaçu, a qual na ocasião foi reeleito. Diante disso, acompanho com atenção a Operação Emendatio, deflagrada pela Polícia Federal para investigar suposto esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares por meio de organizações não governamentais, entre elas o Instituto Carioca de Atividades (ICA). Consta nos autos que parlamentares como Pedro Paulo, Chiquinho Brazão, Rodrigo Maia e Laura Carneiro destinaram valores expressivos ao instituto, enquanto a entidade firmou contratos superiores a R$ 25 milhões com a Secretaria Municipal de Cidadania e Família do Rio, à época comandada por filho do deputado Otoni de Paula. Existe ainda, outro contrato de R$ 28,7 milhões firmado pela mesma pasta com o CPASC, somando R$ 55,2 milhões às entidades alvo. A ação também resultou na prisão do empresário Raphael da Silva Gonçalves, ligado ao ICA, e aponta suspeita de Domingos e Chiquinho Brazão usarem essas organizações como intermediárias para desviar verbas públicas.
 
É importante destacar que, embora os valores destinados e os vínculos institucionais sejam dados registrados, a classificação de “aliados financiadores” do ex-prefeito Eduardo Paes como participantes do esquema ainda não foi confirmada oficialmente; a destinação de emendas, em regra, é um ato legal, e a investigação verifica apenas se houve desvio posterior dos recursos. Todas as acusações, inclusive a suposta utilização das ONGs para fins ilícitos, permanecem em fase de apuração, sem condenação ou prova definitiva de envolvimento político ou funcional, preservando-se a presunção de inocência de todos os citados. Princípio que defendo, ainda mais quando conheço a trajetória de quem representei e ajudei a eleger.

sábado, 25 de julho de 2026

Águas do Rio com Você: Serviço que chega até o morador do Danon

Parceria entre rádio e concessionária aproxima serviços de quem realmente precisa

Registro com satisfação uma ação que realmente faz a diferença para quem mora na nossa região: neste sábado, dia 25 de julho, a Rádio Melodia 97.5 FM, em parceria com a Águas do Rio, leva ao bairro Danon, em Nova Iguaçu, o projeto itinerante “Águas do Rio com Você”, com atendimento social e comercial direto com a população. A concessionária oferece serviços como novas ligações de água, atualização de dados cadastrais e negociação de dívidas, tudo feito no próprio local.

A ação ocorre na Rua Patrícia Zilberg, número 143, das 9h às 14 horas. Vejo nessa iniciativa algo muito positivo: ao invés de exigir que o morador se desloque, enfrente filas e gaste tempo e dinheiro para resolver questões básicas, o atendimento chega até ele, dentro do seu próprio bairro. Isso demonstra respeito com o cidadão e compreensão da realidade de quem vive em Nova Iguaçu.

Ainda dá tempo de participar! É uma oportunidade rara e prática para resolver pendências sem precisar percorrer longas distâncias. Espero que essa seja apenas uma das muitas ações que tragam os serviços públicos e concessionários para mais perto da população, facilitando a vida de todos nós que aqui vivemos.
Panfleto da Águas do Rio distribuído previamente no bairro.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Para o jovem, o trabalho só voltará a valer com mais oportunidades

O problema não é que o jovem não queira trabalhar: o cerne da questão reside no fato de que, no Brasil, o trabalho deixou de apresentar retorno satisfatório e valer a pena. Quem está começando depara-se com um mercado acentuadamente desafiador, enquanto profissionais com anos de trajetória frequentemente permanecem impossibilitados de construir patrimônio ou projetar uma perspectiva de futuro melhor. O país precisa construir um ambiente institucional propício à geração de oportunidades para produzir, empreender e crescer. É assim que o trabalho readquirirá seu valor, voltará a compensar e o desenvolvimento poderá se consolidar de verdade.

domingo, 19 de julho de 2026

Cobrar só do aluno não resolve, a educação é responsabilidade compartilhada

Culpar apenas aluno ou família perpetua erros que só a coletividade pode corrigir
Fachada do Ministério da Educação, em Brasília (DF). Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Por Alcy Maihoní*

Temos que romper com este costume de responsabilizar unicamente o aluno ou a família pelos negativos resultados educacionais. Ao analisar essa questão, percebo que ela reafirma um princípio fundamental: o resultado da educação não depende apenas do estudante, todavia de ensino qualificado, metodologias alinhadas ao desenvolvimento e estrutura consistente. Inclui ainda a proposta de organizar a docência por áreas do conhecimento a partir do 3º ano, buscando um ensino mais especializado sem perder a base necessária. Ao defender uma responsabilidade compartilhada e não atribuída só a quem aprende fica claro que o esforço individual tem limites, e uma educação de qualidade só se concretiza com a participação de todos os envolvidos.

*Ex-conselheiro de Educação de Nova Iguaçu 

sábado, 18 de julho de 2026

Educação política obrigatória, porém sem regulamentação definida

Ausência de parecer do MEC e de grade definida gera insegurança a gestores e educadores
Política e cidadania agora são matéria obrigatória nas escolas. Lei sancionada pelo presidente Lula.

Por Alcy Maihoní *

A sanção da Lei nº 15.468/2026, que insere a educação política e os direitos da cidadania como componente obrigatório da educação básica, reacendeu um debate central para a democracia, no entanto, segue sem regulamentação oficial, sem parecer do ministro da Educação, Leonardo Barchini e sem divulgação da grade curricular que definirá como o tema será trabalhado nas escolas. Como observador da área, vejo com preocupação que uma medida de tamanha relevância avance sem parâmetros claros. “A obrigatoriedade não resolve a fragilidade das Ciências Humanas nem garante formação adequada aos professores, podendo esvaziar conteúdos já consolidados na BNCC”, adverte Raquel Fontes Borghi, pesquisadora em Política Educacional da UNESP (Borghi, 2026). Na mesma linha, Maria Cláudia Paixão, doutora em Educação pela UFF, pondera: “O risco não é ensinar política, mas fazê-lo sem diretrizes estáveis: a indefinição atual favorece aplicação desigual e pode restringir o debate ao viés de quem estiver lecionando” (Paixão, 2026).
 
Essa lacuna institucional, que inclui a ausência de posicionamento formal do Ministério da Educação e do Conselho Nacional de Educação, alimenta receios que não podem ser ignorados. Conforme manifestação da Associação Brasileira de Ensino de Filosofia (ABEFil), “a iniciativa pode ser implementada sem preparação docente específica, transformando uma intenção positiva de fortalecimento da cidadania em uma medida frágil, capaz de aprofundar desigualdades educacionais e distorcer o propósito da formação crítica e plural” (ABEFIL, 2026). Defendo que o tema é essencial à formação do cidadão, mas entendo que a obrigatoriedade só trará resultados se vier acompanhada de normas transparentes, formação continuada e respeito irrestrito ao pluralismo ideológico. Caso contrário, corre-se o risco de converter um direito fundamental em instrumento de divisão ou desvio pedagógico.

* Ex-conselheiro de Educação de Nova Iguaçu 

Projeto aumenta penas e dá proteção a médicos, enfermeiros e professores

Medida aprovada no Senado ainda passa por análise final na Câmara
Imagem: reprodução prof. Fabio Flores

Importante este avanço do Projeto de Lei nº 2.672, de 2025, de autoria do ex-deputado federal Goulart, que finalmente dá mais proteção a quem está na linha de frente. Como destacou o relator, senador Dr. Hiran (PP-RR): “muitos médicos, enfermeiros e professores acabam servindo de ‘saco de pancadas’ de um sistema que é falho. Eles recebem na linha de frente todo o peso e a agonia da população. Mas a violência não pode ser a resposta para os problemas do país!” A elevação das penas, de meros meses para até cinco anos de reclusão, além de aumento para ameaças, difamações e desacatos. É um recado cristalino: nenhuma dificuldade, frustração pessoal ou financeira justifica violência contra quem trabalha para ajudar e educar.
 
Entretanto, está medida ainda não é definitiva: como sofreu alterações, precisará voltar à Câmara dos Deputados para análise final. Espero que os parlamentares mantenham esse entendimento. A dor e a frustração são compreensíveis, mas agredir quem está lá para atender e ensinar só agrava o problema. Defender esses profissionais é defender a dignidade de todos nós.