Ao querer combater o racismo, emissora acaba reproduzindo estereótipos antigos
Por Alcy Maihoní
A observação feita pelo jornalista Marco Antônio Costa expõe uma falha grave recorrente em produções que abordam o racismo sem o devido cuidado: ao retratar uma mãe negra invadindo a sala de aula, constrangendo a professora e apontando diretamente um aluno como culpado, a narrativa acaba reproduzindo exatamente o estereótipo que supostamente quer combater. Em vez de apresentá-la como uma cidadã preocupada ou vítima de discriminação, a personagem é reduzida ao rótulo pejorativo de “barraqueira”; uma construção histórica que associa mulheres negras a comportamento descontrolado e desprovido de razão. Eu concordo plenamente com Marco Antônio.
A crítica dele é pertinente e acertada: não basta apenas incluir o tema na grade; é preciso analisar como os personagens são construídos e quais mensagens chegam ao público. A emissora, ao propor-se a dar uma “lição”, acabou fazendo o oposto: reforçou velhas marcas de discriminação. A indignação não é excesso, é alerta: representatividade não é só ter atores negros, todavia retratá-los com dignidade e complexidade. Quando a produção erra nesse ponto, a própria intenção educativa vira prova de quanto ainda falta evoluir.
Fico a imaginar o que estão sentindo, neste momento, os profissionais docentes do ensino fundamental das redes municipais e particulares de todo o país.
Nenhum comentário:
Postar um comentário