domingo, 8 de março de 2026

Gol investe no Galeão, mas Nova Iguaçu desperdiça seu potencial aéreo

Enquanto Gol prepara expansão internacional, patrimônio de Nova Iguaçu corre risco de ser transformado em parque

Por Alcy Maihoní *
A
notícia de que a Gol Linhas Aéreas escolherá o Galeão como seu novo hub internacional, com voos para Nova York a partir de julho de 2026 e ampliação da frota, é sem dúvida um impulso importante para o Rio de Janeiro como destino global. No evento de apresentação realizado no dia 06/03, tendo as presenças do prefeito Eduardo Paes e do  presidente da República Lula da Silva, a iniciativa promete aumentar o fluxo de turistas estrangeiros e fortalecer a posição da cidade no cenário aeroviário internacional. É um passo que demonstra confiança no mercado carioca e pode na certa, gerar empregos e movimentar a economia local.
 

Mas, enquanto o olhar da empresa e dos governantes se volta para os céus internacionais do Galeão, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, um patrimônio estratégico está esquecido e ameaçado. O aeroporto conhecido como Aeroclube de Nova Iguaçu, com pista de asfalto de 1260 metros por 30 de largura, permanece fechado para voos comerciais há décadas. Está em estado de degradação, necessitando de reformas estruturais urgentes para poder operar novamente. Até a cabeceira da pista foi perdida para alocar um hospital modular.
 
A localização do empreendimento é de valor inestimável: próximo à rodovia Presidente Dutra e ao Porto de Itaguaí, ele poderia se transformar em um hub logístico essencial para a região, beneficiando não só Nova Iguaçu, mas todos os municípios da Baixada Fluminense. Isso abriria novas oportunidades para o comércio, a indústria e o turismo local, gerando desenvolvimento econômico em uma área que precisa urgentemente de investimentos.
 
O que mais preocupa, no entanto, não é apenas o abandono. Há rumores de que políticos locais vislumbram, não a revitalização do aeroporto, mas sua total destruição e transformação em um parque. Se essa estapafúrdia intenção se concretizar, estaremos perdendo não só uma infraestrutura aérea, mas uma chance única de impulsionar o crescimento da nossa região.
 
É preciso que instituições, empresariado e sociedade civil se unam para reivindicar a reforma e reabertura do aeroporto de Nova Iguaçu. Não podemos permitir que um ativo tão valioso seja reduzido a um espaço de lazer quando sua função estratégica pode mudar o destino da Baixada Fluminense. 
Enquanto o Galeão vai para o mundo, Nova Iguaçu não pode ficar parada no chão, vendo o mato crescer. 

Aos leitores (as) vamos acompanhar a discussão sobre o futuro do Aeroporto de Nova Iguaçu. E conhecer de perto alguma iniciativa local que busca reivindicar sua revitalização. 

*Alcy Maihoní - Ex-conselheiro de Política Urbana e de gestão territorial (COMPURB)

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