Regulamentações melhoraram produtos, mas baixa eficiência e custos justificam mudança de rumo
Por Alcy Maihoní
Em 2015, as ruas de Nova Iguaçu ecoavam com reivindicações populares por carros fumacê, na esteira de surtos de dengue provocados pelo Aedes aegypti. Onze anos depois, a cena se repete. Todavia, com uma diferença gritante: os veículos não aparecem mais e os casos crescem assustadoramente no Hospital da Posse, nas UPAs e Clínicas da Família em meio às fortes chuvas de verão. Se antes o problema era a falta de ação, hoje a questão é mais complexa: o fumacê, na verdade, já não é a solução única que nossa cidade precisa.
É importante relembrar que as formulações utilizadas pelos carros fumacê mudaram muito desde os anos 70, quando substâncias altamente tóxicas eram comuns. Hoje, as regulamentações internacionais garantem produtos com menor impacto ambiental e à saúde. Mas mesmo com essas melhorias, diversos fatores justificam o abandono da prática por parte de algumas prefeituras: baixa eficiência no combate ao mosquito, riscos residuais à saúde humana, danos ao meio ambiente e alto custo de operação. Em Nova Iguaçu, a impressão que dá que o equipamento virou sucata, pois não é mais visto rodando a cidade e isso pode ser até uma oportunidade, não um problema. Vou explicar:
Enquanto aqui a população ainda cobram da prefeitura sobre o retorno de uma medida um tanto ultrapassada, cidades da capital como Niterói já avançaram para soluções inovadoras. A capital fluminense implementou o Programa Wolbachia em parceria com o Mosquito Mundial e a Fiocruz, e os resultados são promissores.
O método é simples: mosquitos Aedes aegypti são criados em laboratório com a bactéria Wolbachia e soltos na natureza. Quando acasalam com insetos selvagens, os ovos de cruzamentos entre machos infectados e fêmeas normais não se desenvolvem, e as fêmeas infectadas transmitem a bactéria para seus filhotes. Com o tempo, a maioria dos mosquitos da área carrega Wolbachia e, o mais importante, deixa de transmitir dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
Entretanto, o que fazer com a frota de veículos fumacê?
A sugestão é apoiar ações relacionadas ao método Wolbachia, embora sua função não seja a mesma da fumigação tradicional.
Veículos fumacê podem ser adaptados para:
▫️Transporte e distribuição dos mosquitos infectados até pontos estratégicos de liberação, especialmente em áreas rurais ou de difícil acesso.
▫️Apoio logístico nas operações de monitoramento e avaliação do método, carregando equipamentos de coleta e análise de mosquitos.
▫️Divulgação com adequações visuais e acústicas, os veículos podem também orientar a população sobre o programa Wolbachia durante as ações de liberação.
É importante salientar que a fumigação química e o método Wolbachia são estratégias complementares, não substitutivas, no combate ao vetor.
A luta contra o Aedes aegypti evoluiu, e nossas reivindicações devem acompanhar esse avanço.
Recomendável as lideranças comunitárias e populares deixarem de cobrar pelo retorno do carro fumacê e pressionar a prefeitura e os vereadores para a adoção imediata do método Wolbachia em Nova Iguaçu.
A cidade precisa de ações modernas e eficazes, não de práticas que já tiveram seu tempo.
O Coletivo Popular é o Alvo



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