terça-feira, 18 de agosto de 2026

Campanha sobre o abandono: quando a política ignora os problemas reais

Candidatos sorridentes circulam pela cidade em meio ao caos


Vejo, com indignação, inquietação, algumas campanhas de candidatos e suas coligações, muitos deles ainda no exercício de mandatos vigentes, que caminham ao lado de amigos que também ocupam cargos eletivos e buscam se perpetuar nas funções públicas por meio de reeleições, ao lado ainda de outros que já exerceram mandatos no passado e agora ambicionam retornar ao serviço público, realizarem carreatas pelas ruas da periferia de Nova Iguaçu, acenando para transeuntes e para moradores que permanecem parados em frente aos seus portões.

Percorrem vias que se encontram em estado lastimável, marcadas pela ausência de saneamento básico, por áreas ambientais abandonadas, por lixo acumulado em determinadas localidades , por redes elétricas emaranhadas nos postes e por calçadas inacessíveis às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Cruzamentos onde não há nenhum agente de trânsito para coibir vans e motocicletas que ignoram sistematicamente a sinalização; pontos de ônibus sem qualquer cobertura; e, logo adiante, clínicas da família que nem sequer dispõem de medicamentos básicos.

É uma cidade em que, a cada chuva, águas fétidas invadem as residências e as vias ficam totalmente intransitáveis. Há, ainda, escolas que ficam fechadas em razão de furtos reiterados de fios e cabos elétricos. E, no entanto, todos esses políticos seguem sorrindo, ao som de suas marchas de campanha, como se a cidade não enfrentasse problemas crônicos e profundos, decorrentes da ausência de uma gestão pública responsável. São amantes de seus próprios umbigos.

A cena revela mais do que um contraste entre o discurso e a realidade. Expõe um distanciamento perigoso: enquanto os candidatos percorrem os bairros em busca de votos, parecem não enxergar ou preferem não reconhecer, os problemas que há muito tempo afetam a vida de quem mora e trabalha aqui. Não se trata de oposição a campanhas eleitorais, outrossim de questionar: como se pode pedir confiança sem sequer reconhecer o estado em que a cidade se encontra? Como se pode pleitear a continuidade ou o retorno ao poder sem apresentar resultados concretos nas ruas que se percorrem? Nova Iguaçu permanece em atraso, estagnada no que se refere a desenvolvimento urbano e econômico. 

A política não pode ser feita de aparências. O respeito ao eleitor começa por reconhecer os desafios, assumir as falhas e apresentar propostas concretas para transformar a realidade que hoje é de abandono e descaso. Até lá, as carreatas parecerão menos um compromisso com o futuro e mais um passeio sobre o que foi negligenciado.

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