Candidatos sorridentes circulam pela cidade em meio ao caos
Percorrem vias que se encontram em estado lastimável, marcadas pela ausência de saneamento básico, por áreas ambientais abandonadas, por lixo acumulado em determinadas localidades , por redes elétricas emaranhadas nos postes e por calçadas inacessíveis às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Cruzamentos onde não há nenhum agente de trânsito para coibir vans e motocicletas que ignoram sistematicamente a sinalização; pontos de ônibus sem qualquer cobertura; e, logo adiante, clínicas da família que nem sequer dispõem de medicamentos básicos.
É uma cidade em que, a cada chuva, águas fétidas invadem as residências e as vias ficam totalmente intransitáveis. Há, ainda, escolas que ficam fechadas em razão de furtos reiterados de fios e cabos elétricos. E, no entanto, todos esses políticos seguem sorrindo, ao som de suas marchas de campanha, como se a cidade não enfrentasse problemas crônicos e profundos, decorrentes da ausência de uma gestão pública responsável. São amantes de seus próprios umbigos.
A cena revela mais do que um contraste entre o discurso e a realidade. Expõe um distanciamento perigoso: enquanto os candidatos percorrem os bairros em busca de votos, parecem não enxergar ou preferem não reconhecer, os problemas que há muito tempo afetam a vida de quem mora e trabalha aqui. Não se trata de oposição a campanhas eleitorais, outrossim de questionar: como se pode pedir confiança sem sequer reconhecer o estado em que a cidade se encontra? Como se pode pleitear a continuidade ou o retorno ao poder sem apresentar resultados concretos nas ruas que se percorrem? Nova Iguaçu permanece em atraso, estagnada no que se refere a desenvolvimento urbano e econômico.
A política não pode ser feita de aparências. O respeito ao eleitor começa por reconhecer os desafios, assumir as falhas e apresentar propostas concretas para transformar a realidade que hoje é de abandono e descaso. Até lá, as carreatas parecerão menos um compromisso com o futuro e mais um passeio sobre o que foi negligenciado.

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