Parada há anos, a obra volta a ser debatida e pode trazer mais segurança para Nova Iguaçu
Por: Alcy Maihoní *
Aqui em Nova Iguaçu, quando chove forte as águas sobem rapidamente. O Projeto Iguaçu surgiu lá nos anos 1990 como uma solução para os problemas ambientais antigos da Baixada Fluminense, com os objetivos de controlar as enchentes, fazer drenagem, construir barragens, recuperar matas e nascentes, organizar as margens dos rios e criar espaços que ajudem a proteger as comunidades quando ocorrem temporais avassaladores. Apesar disto, o que era para ser uma resposta efetiva parou em 2012, quando as obras foram surpreendentemente interrompidas pelo Ministério Público Federal por suspeitas de irregularidades, deixando a população à mercê das terríveis cheias, que historicamente acontecem no período de verão.
Vale lembrar que as recentes enchentes de 2024, por exemplo na Baixada Fluminense não foram só desastre natural: moradores apontaram negligência e falta de manutenção. E fica cada vez mais evidente a necessidade de colocar o Projeto Iguaçu em prática, com controle social e participação.
Vamos e convenhamos que paralisar um trabalho dessa magnitude não é só perder dinheiro, é colocar em risco vidas, casas e o desenvolvimento de toda a região. Por isso, uma medida atual traz esperança: o Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente do Ministério Público do Rio de Janeiro (GAEMA/MPRJ) sugeriu a criação do Grupo de Trabalho do Projeto Iguaçu, coordenado pelo Instituto Rio Metrópole. A ideia é justamente retomar o acompanhamento e a fiscalização das obras de controle de enchentes, que atendem a toda a bacia dos rios Sarapuí, Iguaçu e Botas. Uma área onde Nova Iguaçu está diretamente inserida e sofre muito com os problemas das águas. Oportuno relembrar como destaca o professor Paulo Canedo, da Coppe/UFRJ: “O Projeto Iguaçu existe e é viável, mas depende de continuidade, integração entre prefeituras e controle social”.
Fato é de que não basta só criar um grupo, é preciso que ele funcione de verdade. Esse GT já reúne representantes do INEA, da própria GAEMA, da COPPE/UFRJ e das prefeituras de Caxias e Belford Roxo. Nova Iguaçu, não pode ficar de fora. Urge termos representantes da sociedade civil, lideranças comunitárias atentas, participantes e com empenho de transmitir informações a população. Essencial que a população também acompanhe o que está sendo feito. Na minha visão, esse é o caminho certo: com transparência, união entre os órgãos e participação de quem vive o problema no dia a dia, o Projeto Iguaçu pode finalmente sair do papel e trazer a segurança que Nova Iguaçu e seus moradores esperam há tanto tempo.
*Ex-membro do Comitê Local de Acompanhamento das Obras do Projeto Iguaçu - Rio Botas/Nova Iguaçu

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