domingo, 21 de junho de 2026

Os números que expõem a dívida histórica com a educação

Alfabetização: um direito que ainda não chegou para todos

Por Alcy Maihoní 
 
Investimento em educação: a base para um país mais justo. 
Crédito foto: © Agência Brasil

Dados oficiais referentes a 2024/2025, consolidados em junho de 2026,  revelam que milhões de brasileiros ainda convivem com limitações graves de leitura e escrita, mantendo o analfabetismo como um dos obstáculos mais persistentes ao desenvolvimento nacional. Essa realidade impõe barreiras duras: quem não domina essas habilidades enfrenta dificuldades para compreender informações, conquistar um emprego digno e exercer plenamente sua cidadania. Oportuno destacar, porém, uma distinção técnica: enquanto o IBGE contabiliza oficialmente os analfabetos absolutos, cerca de 9,1 milhões de pessoas, conforme levantamento de 2024, o quadro mais amplo do analfabetismo funcional, que atinge quase um terço da população com dificuldades para interpretar textos simples, é aferido principalmente pelo indicador Inaf, da Fundação Itaú Social. Mesmo com essa diferença metodológica, os números convergem para uma mesma conclusão: o problema é muito maior e mais profundo do que costuma aparecer nas estatísticas simplificadas.
 
A situação reacende o debate sobre a qualidade da educação básica oferecida, especialmente nas regiões mais vulneráveis, e expõe o quanto avanços quantitativos não significam necessariamente progresso qualitativo. Especialistas alertam que não basta apenas colocar crianças dentro da sala de aula: é preciso investir continuamente em infraestrutura adequada, formação valorizada de professores e políticas que garantam a permanência e a aprendizagem efetiva. Ao longo de décadas, sucessivos governos tratam o combate ao analfabetismo como uma campanha passageira, eleitoreira e não como uma política de Estado permanente. Os dados, atualizados até o primeiro semestre de 2026, reforçam que, sem compromisso de longo prazo, seguiremos repetindo o mesmo diagnóstico: a alfabetização continua sendo um direito prometido, ainda assim, não plenamente entregue a todos os brasileiros.
 
Fontes: IBGE – PNAD Contínua Educação 2024; Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf 2025); Ministério da Educação.

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