A escala 6x1, o projeto liberal e os impactos que merecem avaliação cuidadosa
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| O fim da escala 6x1 deve ser debatido de forma séria e técnica. Não deve haver espaço para propaganda governamental. |
Por: Alcy Maihoní
Nestas eleições gerais, vou manter minha decisão de apoiar candidatos com projetos liberais para a economia. Resumidamente, esse modelo defende que o mercado deve ser o principal organizador da atividade econômica, com o Estado atuando apenas para garantir leis, segurança e estabilidade ou seja, menos regras excessivas, menos impostos e mais espaço para a iniciativa privada e acordos entre as partes. Por essa e outras, me posiciono contra o fim da escala 6x1: a medida, se aprovada sem estudo, no calor de campanhas eleitorais pode derrubar a produtividade do país, já que cada setor: saúde, comércio, agricultura, serviços e indústria, tem suas próprias características. É um tema complexo, que deve ser debatido fora do período eleitoral, com serenidade, e merece atenção especial do futuro governo. Em março, os dados mostravam que o Brasil tinha 45 milhões de trabalhadores com carteira assinada e 44 milhões na informalidade; na minha visão, acabar com essa escala é abrir porta para mais trabalho sem vínculo e “bicos”. A solução que vejo é dar liberdade para que os acordos coletivos sejam feitos sem interferências, pois reduzir a jornada de forma genérica não vai beneficiar a maioria dos trabalhadores e deve provavelmente causar aumento de preços, mais do que já se encontram.
Além disso, a medida pode ser um tiro no pé quando olhamos para as contas públicas. A dívida do governo já está em torno de 10 trilhões de reais e continua crescendo, o que corresponde a 80% de tudo o que o país produz em um ano, com projeção de chegar a 85% até dezembro. Qualquer mudança que encareça a produção ou reduza a capacidade de gerar riqueza só vai pesar ainda mais sobre esse cenário, tornando o ajuste das contas e o crescimento econômico mais difíceis de alcançar.

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