sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Nova Iguaçu em último lugar: os números da educação que não podem ser ignorados

Cidades vizinhas avançam, Nova Iguaçu fica para trás, até quando vamos aceitar este cenário?

Ao analisar os dados do levantamento da ONG Todos Pela Educação, não dá para fechar os olhos para a realidade nua e crua: a rede estadual continua abaixo da média nacional, no entanto o que me preocupa ainda mais é que Nova Iguaçu aparece com o pior resultado entre as grandes cidades do país no ensino fundamental. Por mais que a Secretaria Municipal de Educação e a SEEDUC-RJ justifiquem que houve certo avanço em Nova Iguaçu, o quadro atual é absurdamente incabível. É necessário que o Conselho Municipal e o Conselho Estadual de Educação, somados à Comissão de Educação e Cultura da Câmara de Vereadores, atuem de forma mais incisiva e mostrem as caras. A Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro apresenta dados alarmantes: 70,9% dos estudantes que saem do ensino médio não dominam o básico de matemática, e 44,6% não dominam o básico de português. É inaceitável que milhões de reais sejam movimentados anualmente e, ainda assim, nossos alunos saiam da escola sem dominar o que é fundamental para seguir em frente. Enquanto o estado capota, o município de Nova Iguaçu não consegue sequer acompanhar o ritmo de cidades de porte semelhante. Temos, por exemplo, municípios vizinhos na Baixada Fluminense que já superaram a meta nacional no 5º ano do fundamental, enquanto aqui os índices de proficiência ficam em patamares que deveriam ter sido superados há uma década.

Essa diferença de desempenho entre as redes não é obra do acaso: na rede estadual, a média de proficiência em matemática no 9º ano, embora ainda abaixo do esperado, chega a ser quase 15% superior à registrada na rede municipal de Nova Iguaçu, onde mais de 60% dos alunos não atingem o nível mínimo de aprendizado. Sou de opinião de que este baixíssimo índice educacional é reflexo de o Rio de Janeiro possuir fatores como salários baixos, sobrecarga de trabalho, fim do respeito, ameaças, assédio moral, misoginia nas escolas e a alta instabilidade de contratos temporários, tudo isso afasta os profissionais da sala de aula. A comparação com o cenário nacional é ainda mais terrível: enquanto o Brasil avança lentamente, nossa cidade não acompanha esse movimento, e a rede estadual, mesmo com suas limitações estruturais e dificuldades de investimento, ainda apresenta resultados que nos obrigam a questionar: o que está faltando de fato por aqui? Não é só dinheiro, é gestão, é acompanhamento, monitoramento, é compromisso real com o aprendizado, e não apenas com a manutenção da estrutura física.

Os números nos dizem que, para mudar a realidade de milhares de crianças e adolescentes, precisamos de políticas públicas que não fiquem só no papel, outrossim que sejam cobradas dia após dia. Falta também, neste cenário educacional, a presença constante e firme do controle social participativo e da fiscalização da sociedade civil organizada que ocupa as cadeiras dos conselhos: é preciso ter coragem para sair da invisibilidade, ou seja, demonstrar transparência e publicidade sobre o que se passa dentro das reuniões. Além disso, recomendável caberia às autoridades responsáveis realizarem, seminários, audiências públicas ou fóruns, para que toda a comunidade escolar possa estar presente, a fim de coletivamente debater o rumo que se quer para a educação pública. Não dá para aceitar que a educação continue sendo a grande dívida de Nova Iguaçu e de todo o estado.

Referências:
TODOS PELA EDUCAÇÃO. RJ tem 70% dos alunos da rede pública terminando o ensino médio sem saber o básico em matemática, diz ONG. Rio de Janeiro: Globo, [s.d.]. Disponível em: https://globoplay.globo.com/v/14887701/. Acesso em: 20 ago. 2026.

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