sábado, 22 de agosto de 2026

Substituir leucena por Mata Atlântica: a mudança que Nova Iguaçu precisava

Por que plantar uma árvore de até 20 metros em calçadas estreitas 
nunca fez sentido
Imagem criada por IA: árvore leucena
Por Alcy Maihoní *

Tomei ciência deste plano de remoção e substituição das leucenas por meio da publicação no Correio da Lavoura. Vejo com satisfação a aprovação, na Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu, da mensagem recebida pelo poder executivo, desta iniciativa de substituição das leucenas por espécies nativas da Mata Atlântica. Há muito tempo essa espécie exótica é plantada de forma equivocada nas vias públicas da nossa cidade, sem que se levasse em conta seu porte, que pode chegar a 15 ou até 20 metros e os transtornos que isso causaria: calçadas destruídas, fiação comprometida e tubulações danificadas, já que o espaço urbano não foi projetado para árvores desse tamanho. Além dos problemas estruturais, não podemos ignorar que a leucena é uma espécie com grande poder de invasão, que ameaça a vegetação local, e ainda apresenta a mimosina, substância tóxica para os animais. Permitir que ela se espalhasse por tantos anos foi um absurdo erro que agora se busca corrigir (antes tarde do que nunca) e isso é um passo importante para a responsabilidade ambiental do município.
 
A substituição planejada é a oportunidade de fazermos diferente: escolher espécies nativas de pequeno porte, adequadas às calçadas estreitas e aos espaços reduzidos que temos na cidade. Diferente da leucena, árvores de porte compatível com o meio urbano não atrapalham a rede elétrica, não destroem o passeio público e ainda trazem benefícios reais à biodiversidade, ajudando a recuperar as características ambientais da nossa região. Que esta mudança não fique só no papel: é fundamental que a escolha das novas espécies seja feita com critério, com participação da comunidade e com acompanhamento técnico, para que daqui a alguns anos não estejamos repetindo os mesmos erros. A arborização da cidade é um patrimônio de todos — e merece ser tratada com conhecimento, planejamento e respeito à nossa terra.

Referência:
Jornal Correio da Lavoura 
Edição de 22 de agosto de 2026

*Ex-conselheiro estadual de meio ambiente (APA Gericinó Mendanha).

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