Da terra à sala de aula
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| Com Edson Monteiro, do Pantanal Iguaçuano, executor do Projeto Agro-Mirim nas escolas em Nova Iguaçu Foto: Alcy Maihoní - 24/08/2026 |
Este material jornalístico é resultado da atividade de extensão "Repórter em Ação e Sustentabilidade", desenvolvida no curso de Jornalismo da Unicesumar. O objetivo é conhecer, registrar e difundir a experiência do Projeto Agro-Mirim, suas práticas pedagógicas, desafios e impactos sociais e ambientais, exercendo a prática jornalística como ferramenta de conexão entre comunidade e conhecimento.
Nova Iguaçu — Edson Monteiro, 60 anos, conhecido como "Crocodilo Dundee", atua há anos no Pantanal Iguaçuano com ações de educação ambiental. Em entrevista, ele conta como nasceu o Projeto Agro-Mirim, que leva o cultivo de hortas para dentro das escolas, e explica como a iniciativa busca unir aprendizado prático, respeito à natureza e formação de valores nas crianças. Confira os principais trechos, além dos relatos da colaboradora do projeto e da diretora da escola parceira.
Como tudo começou
Alcy Maihoní: Como surgiu a ideia de criar o Projeto Agro-Mirim, e qual foi o primeiro passo para levá-lo às escolas?
Edson: É, o projeto mirim, na verdade, o nome Agro-Mirim quem deu foi a diretora do colégio no Rio de Janeiro, lá no Engenhão; foi ela quem escolheu o nome desse projeto, Agro-Mirim.
Alcy Maihoní: Quais são os principais objetivos do projeto, tanto do ponto de vista ambiental quanto na formação das crianças?
Edson: Mostrar para as crianças que é da terra, da própria terra, que sai o alimento. E se tiverem espaço em casa, vão aprender a cultivar o que muita gente joga no lixo, como caroço de abacate e outras frutas.
O dia a dia na horta
Alcy Maihoní: Poderia nos contar como funciona a atividade prática na horta, desde o preparo do solo até o cultivo das mudas?
Edson: Desde a preparação do canteiro, onde ele vai ser montado, as crianças ajudam a misturar esterco, barro vermelho, areia lavada, terra preta e serragem — esses são os substratos que a gente usa pra fazer tudo certinho.
Alcy Maihoní: Há algum momento ou situação que marcou a senhora de forma especial com alguma criança ou turma neste trabalho voluntário do Projeto Agro-Mirim?
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| Com Aline Xavier - Ambientalista auxiliadora do Agro-Mirim |
Aline Xavier Costa: A primeira vez, no dia em que fiz esse trabalho, quando as crianças colheram, aquele momento me marcou até hoje. Foi o sorriso delas ao pegarem a verdura na mão — aquilo ali foi um marco pra mim. Aconteceu na Escola Priscila, onde realizei esse trabalho.
Valores que vão além da horta
Alcy Maihoní: Além das habilidades práticas de plantio, quais valores e atitudes você percebe que os estudantes estão desenvolvendo com essa experiência? Por exemplo: responsabilidade e respeito à natureza? Isso vem acontecendo?
Edson: Tá tendo sim! Porque hoje eles aprendem isso na escola e estão levando pra casa. Tem muitas mães que dizem que os filhos já estão plantando nas garrafas PET em casa.
Alcy Maihoní: Além de aprender a plantar, quais valores ou lições as crianças levam para a vida por meio do contato com a terra?
Aline Xavier: É muita coisa. Uma delas é aprender a dar valor à terra e aos alimentos que consomem. E também o respeito pela natureza: elas aprendem de onde a alface vem para a mesa, acompanham desde a mudinha bem pequenininha até o dia em que cresce e está pronta para colher.
Elas entendem que ali teve o trabalho da terra, da chuva, do sol, entendeu? O principal é saber de onde vem o alimento e aprender a valorizar todo esse trabalho.
Outra coisa que, como pessoa e ambientalista, me emociona muito é ver a criança chegando em casa e dizendo para a mãe ou o pai: "Mãe, vamos plantar no nosso quintal, a tia na escola ensinou". A criança começa a querer plantar também em casa.
Falam para os pais: "Mãe, não joga a semente do quiabo fora, vamos plantar"; "Mãe, o coentro — a tia ensinou a plantar, vamos ter o nosso".
Claro que não dá pra ter tudo em casa e deixar de ir ao mercado. Mas dá pra ter o prazer de plantar alguma coisa e consumir o que a gente mesmo cultivou, entendeu? Isso também é muito bom, é muito importante.
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| Com Elizabeth Supeleto - Diretora CIEP 373 Brigadeiro Teixeira Lagoinha Nova Iguaçu - RJ |
Alcy Maihoní: Como a senhora avalia a participação e o engajamento dos alunos com o Projeto Agro-Mirim? Houve alguma mudança perceptível no comportamento deles?
Elizabeth S. Supeleto: Bom, a gente tem percebido que todo projeto que a criança desenvolve na escola, saindo do ambiente da sala de aula, impacta diretamente não só no comportamento dela, mas no engajamento mesmo. A criança começa a se sentir parte daquele ambiente. Esse foi o primeiro projeto que a gente está desenvolvendo fora das quatro paredes da sala de aula. E já dá pra perceber que primeiro vem o cuidado e o zelo. O refeitório, por exemplo, era um espaço onde eles só entravam para se alimentar, e às vezes jogavam comida fora. Agora dão mais valor — esse tipo de atitude tem sido bem menos recorrente.
Eles passaram a enxergar aquele espaço de outra forma. Antes era um espaço vazio, com plantas que pareciam só decoração, que até poluía o ambiente. Agora, na semana passada inclusive, eles começaram a colher. Quem não levou, veio correndo pegar a alface que estava sendo distribuída. É muito legal! Eles começam a ter mais consciência e entendem que fazem parte daquele ambiente.
Alcance, integração e desafios
Alcy Maihoní: Qual é o público atendido? Em quais regiões o projeto já chegou?
Edson: Todas as crianças participam, até a 8ª série. O projeto já chegou em Itaguaí, na capital do Rio de Janeiro, no Engenhão, e também em Nova Iguaçu — e a tendência é crescer.
Alcy Maihoní: De que forma o projeto se integra ao planejamento pedagógico da escola? Os professores também participam?
Elizabeth S. Supeleto: A gente elaborou um projeto de integração da horta com o nosso PPP — o Projeto Político-Pedagógico. Os resultados estão começando a aparecer, já que tudo começou em 12 de junho. A gente está integrando o projeto aos conteúdos trabalhados. Paralelamente, os professores já trabalham a alimentação saudável como parte do currículo. Só que agora o olhar está mais voltado para a prática, porque, em conversa com o Edinho, a gente tem a proposta de transformar esse trabalho da horta numa horta comunitária. É a próxima etapa: a gente deseja que, no meio do ano que vem, já consigamos ter essa horta funcionando.
Alcy Maihoní: Houve alguma parceria ou apoio que tenha sido fundamental para o andamento deste trabalho?
Edson: Não, realmente nunca teve. Inclusive a prefeitura nunca forneceu nada pra gente. Tudo que existe é o próprio projeto que corre atrás, comprando com dinheiro do próprio bolso.
Alcy Maihoní: Quais têm sido os principais desafios e as conquistas vivenciadas pela escola durante a realização das atividades?
Elizabeth S. Supeleto: As crianças têm muito mais envolvimento. A gente percebe que se interessam e cuidam. O que a gente quer agora é estender isso para a família. Essa é a grande conquista. O maior desafio, talvez, seja a questão dos recursos. O Edinho conhece muita gente e consegue articular doações de adubo, areia e materiais — empresas como a CEDAE e a Águas do Rio têm nos ajudado. Mas sem esse apoio, seria bem mais difícil.
Alcy Maihoní: Quais são os principais desafios no momento?
Edson: No momento, o desafio é o tempo — a gente quase não tem — e também a verba, porque ninguém ajuda a gente. Se as hortas existem, é porque a gente compra com o próprio dinheiro pra poder trazer essa alegria pras crianças.
Alcy Maihoní: Para o futuro, você pretende expandir o projeto?
Edson: Além da horta, também temos parceiros educativos numa área de preservação. Queremos mostrar tudo de bom que a natureza oferece, porque as crianças precisam ter esse conhecimento. É importante saber que plantar o próprio alimento não é difícil. E queremos chegar a muito mais escolas — só dependendo da ajuda das prefeituras.
Conclusão — Relatório Reflexivo
O Projeto Agro-Mirim mostra que quando a terra entra na escola, não saem de lá apenas folhas e verduras: saem também cidadãos mais conscientes, que sabem de onde vem o alimento, que valorizam o trabalho e que levam para casa o respeito à natureza. De Nova Iguaçu ao Engenhão, passando por Itaguaí, a iniciativa cresce no sorriso de cada criança que colhe pela primeira vez, e que, junto com a horta, planta também um futuro mais verde.
A experiência desta atividade me permitiu compreender claramente como a mídia pode influenciar a mobilização da sociedade. A preservação ambiental não se faz apenas com leis ou decretos; ela se constrói na consciência de cada pessoa, desde a infância, com ações práticas que aproximam o ser humano da terra que o alimenta. A comunicação tem um papel fundamental nesse processo: ao dar visibilidade a iniciativas como esta, ela não apenas registra um fato, por outro lado convida outros a também participarem, a cuidarem e a se engajarem. O jornalismo, quando se debruça sobre causas como a sustentabilidade, se torna ele próprio uma ferramenta de transformação, ampliando vozes e multiplicando ideias que podem mudar a realidade.



Ótima iniciativa, devemos apoiar mais causas como essa! Parabéns pela publicação 👏🏻👏🏻🩷🩷
ResponderExcluirTexto coerente e de fácil entendimento, conteúdo fundamental para a sociedade!!
ResponderExcluirQue esse lindo projeto seja expandido pra outras escolas e que aumente e melhores a renda e a alimentação das nossas crianças fora dos muros da escola.
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