Sem helicentro, sem conselho ativo, sem resposta: a comunidade não pode esperar
Por Alcy Maihoní*
Vejo com profunda indignação a Serra do Vulcão voltar a arder, na altura da rampa de vôo livre, com incêndios que devoram ninhos, afugentam animais e cobrem as casas da comunidade com fumaça e fuligem e mais uma vez, não há ninguém no terreno para combater o fogo. É inaceitável que, ano após ano, a destruição se repita enquanto o reflorestamento e a biodiversidade são consumidos sem resposta à altura do problema. O governo federal não pode se eximir dessa responsabilidade, pois trata-se de um patrimônio ambiental que transcende fronteiras municipais; e o Ministério Público Federal precisa agir com urgência, investigando e cobrando providências efetivas, já que ficou evidente que o estado e o município de Nova Iguaçu sozinhos ou somados são incapazes de mitigar esses incêndios constantes no Parque Estadual do Mendanha. A pobre equipe de heróis brigadistas voluntários já passou da hora de ser contratada pela prefeitura ou pelo estado, devidamente remunerada e equipada. Sugiro até que haja um posterior concurso público para garantir profissionalização e estabilidade, contando com um observatório adequado na região. Urge também a reativação do Conselho Gestor do Parque Estadual do Mendanha, legitimado pelo Instituto Estadual do Ambiente (INEA); é de vital recomendação que este conselho tenha uma sede própria ou um núcleo em nossa cidade, instalada no eixo da Estrada de Madureira (RJ-105), para garantir presença, acesso e agilidade nas ações.
Não é possível aceitar que na hora do fogo não haja nenhuma brigada em ação, como ocorreu ontem, 30 de agosto, quando a queimada iniciou à tarde e ninguém estava lá para combatê-la. Se não fosse a fina chuva que iniciou no início da noite, a destruição da fauna e da flora seria bem maior. Reclamo mais uma vez a criação de um helicentro no aeródromo de Nova Iguaçu, com equipes treinadas, estrutura e logística adequadas para responder de forma rápida e eficaz. A ALERJ, a Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu e o MPF não podem ficar calados nem ausentes; a comunidade iguaçuana não pode continuar sozinha diante de um problema que exige ação coordenada, recursos e responsabilização. O fogo não espera e a nossa natureza também não.
Ex-conselheiro APA Estadual Gericinó Mendanha

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